Uruguai: Governistas e opositores divergem sobre ação dos EUA no Haiti

Fonte Ansa Flash. 29/01/2010 às 16h

A coalizão de esquerda Frente Ampla, que governa o Uruguai desde 2005, manifestou preocupação ante a possibilidade de que a crise gerada no Haiti pelo terremoto do dia 12 seja aproveitada pelas "potências hegemônicas" para ampliar sua influência sobre o país centro-americano, o mais pobre do Hemisfério Ocidental.

Para a Frente Ampla, aliança à qual pertencem o atual presidente, Tabaré Vázquez, e seu sucessor eleito, José Mujica, que tomará posse no dia 1º de março, somente a Organização das Nações Unidas (ONU) tem legitimidade para liderar a ajuda humanitária enviada ao Haiti.

Em contrapartida, líderes da oposição uruguaia criticaram a "ótica ideológica" expressada pela coalizão governista. Por meio de um comunicado, a Frente Ampla se referiu de forma indireta à atuação dos Estados Unidos no país centro-americano.

A aliança manifestou o temor de que as "nações hegemônicas" se aproveitem do "imenso sofrimento" dos haitianos para tentar "ocupar o Haiti pela força", como já fizeram "em outras oportunidades".

"Toda a ajuda que for dada ao país caribenho deverá respeitar sua soberania e seu direito à autodeterminação", diz a nota da Frente Ampla, acrescentando que a ajuda humanitária deve ser coordenada pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), encabeçada atualmente pelo Brasil.

Jorge Larrañaga, ex-candidato à vice-presidência do Uruguai pelo opositor Partido Nacional, contestou o tom do comunicado. "Sinceramente, não acredito que os Estados Unidos tenham o propósito de ficar no Haiti, mas querem ajudar", disse ele.

Em entrevista ao jornal Ultimas Noticias, o político afirmou que, "quando é preciso ajudar, é preciso ajudar e ponto". Por sua vez, Ope Pasquet, do também opositor Partido Colorado, disse que não é o momento de "reviver os mais antigos preconceitos" contra Washington.

Em sua opinião, questionar a atuação dos Estados Unidos é uma "falta de respeito diante do drama que o povo do Haiti está vivendo".

Nos últimos dias, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, acusaram os Estados Unidos de se aproveitarem da tragédia no Haiti para ocupar militarmente o país. As mesmas críticas foram lançadas pelo líder cubano Fidel Castro.

Ontem, o Conselho de Diretos Humanos da ONU pediu aos países que ajudam a nação caribenha que respeitem sua soberania e o poder do governo local.

Desde o tremor, que marcou 7 graus na escala Richter -- o mais forte em 200 anos na região --, os Estados Unidos já enviaram mais de 15 mil soldados ao Haiti.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 29/01/2010 ás 16h

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