Travessia do Atlântico: Beto Pandiani e Igor Bely largam para desafio de 7.800 quilômetros

Fonte ZDL Comunicação 19/03/2013 às 21h

 

A aventura a bordo de um catamarã sem cabine será sem escalas, saindo da Cidade do Cabo, na África do Sul, com chegada em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Viagem de quase 8 mil quilômetro poderá ser acompanhada pela internet

São Paulo (SP) - Chegou a hora da largada da Travessia do Atlântico. Nesta quarta-feira (20), Beto Pandiani e Igor Bely partem para um desafio e tanto pelo oceano. Serão 4.000 milhas náuticas (7.800 quilômetros) sem escalas a bordo de um catamarã sem cabine. O barco de 24 pés foi batizado de Picolé, em homenagem ao cachorro inseparável de Betão. A dupla vai encarar 30 dias de viagem, enfrentando diversas condições de mar e temperatura, saindo da Cidade do Cabo, na África do Sul, e chegando em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O projeto, que teve início em 2011, atinge seu estágio principal e poderá ser acompanhado de perto pelo site travessiadoatlantico.tumblr.com. Para viabilizar a aventura, o velejador conquistou importantes parceiros e inovou ao fazer um financiamento coletivo pela internet, o chamado crowdfunding. Foram arrecadados R$ 166.568,24.

"Será uma grande velejada em mar aberto. Reencontrar o oceano é fundamental para mim, pois é um momento sagrado. É um lugar em que minha alma pode se expressar com toda a sua criatividade, pois todo o horizonte, todo o céu, toda a água, formam um ‘nada’ imenso. Não existirão mais pessoas para ver, notícias para ler, coisas para enxergar, só a minha imaginação para criar, a minha mente para prestar atenção no que sinto e muito tempo para me rever. Por isso não estou ansioso. Estou mais curioso para saber como o Picolé vai se comportar, isso sim. Quantas milhas vamos fazer a cada 24 horas, projetar a média e imaginar o caminho para o Brasil", revela Beto Pandiani, que terá mais uma vez a parceria do francês Igor Bely.
Os primeiros três dias da Travessia do Atlântico são fundamentais para a aventura, já que nessa parte do planeta os ventos são fortes. "A ideia é escapar daqui do sul da África. O mar é pesado e muda rapidamente. Depois de três dias bem navegados, poderemos chegar nos alísios e, aí sim, pensar nos ventos mais constantes. A meteorologia está muito favorável. Parece que tudo aconteceu para estarmos aqui justamente nesta época", reforça Beto Pandiani.

Na fase inicial da Travessia, os ventos devem ficar perto de 25 nós (46km/h), o que exigirá mais do veleiro Picolé. Por isso, Betão e seu parceiro acreditam que os treinos e as avaliações iniciais, feitas nos últimos dias, foram importantes. Na Cidade do Cabo, a dupla fez todos os testes para ter segurança antes de partir. O barco já está todo equipado.

"O Picolé é pequeno, mas tem quase tudo que um barco grande tem. Internet via satélite, dois notebooks Semp Toshiba resistentes à água, dois Iridiuns, dois Epirbs (localizador de emergência), dois GPS, dois pilotos automáticos, um rádio VHF, três câmeras fotográficas e uma de vídeo, gravador digital, três Go Pro, lanternas, um MP3, mini caixa de som e dois velejadores", enumera Beto Pandiani.

A viagem - Em linha reta são 4.000 milhas náuticas (7.800 quilômetros), mas a viagem se tornará ainda mais longa, já que Betão e seu parceiro Igor Bely precisarão aumentar o caminho fazendo uma parábola, o que vai dar ao todo 5.000 milhas náuticas (9.260 quilômetros). "A aventura será bem complicada. Passaremos por regiões de ventos fortíssimos, principalmente no Cabo da Boa Esperança, conhecido também como das Tormentas. A média de ventos da expedição será de 25 nós. Além disso, a água é muito fria, com muitos tubarões. Esta será a nossa maior permanência a bordo, já que o recorde era de 18 dias direto na Travessia do Pacífico, no final de 2007", recorda Beto Pandiani.
Para amenizar as condições adversas de frio e vento, Betão e Igor vão velejar ao norte nos primeiros seis dias. A rota é paralela à costa da África do Sul e da Namíbia. Passaremos na Costa dos Esqueletos, que é a porção de terras desérticas desta costa tão inóspita no sul do continente africano. "Não existe um lugar na África tão mórbido e ao mesmo tempo belo como este".

O barco, de carbono - Batizado de Picolé, o barco tem 24 pés (oito metros) e é feito todo em carbono para suportar as condições adversas. O catamarã (veleiro de dois cascos) tem 300 quilos a menos do que o da expedição do Pacífico. O veleiro foi construído na Alemanha, pela Eaglecat. O modelo é híbrido, ou seja, não existe outro igual no mundo. "Dificilmente alguém encomenda um barco deste porte para viajar. Normalmente barcos deste tamanho são usados para competição ou laser em águas abrigadas", conta o velejador.

O barco de Betão Pandiani e Igor Bely foi desenvolvido com base nas experiências das aventuras anteriores. Na prática, o velejador tirou tudo que não funcionou ou quebrou e adaptou para a nova realidade, dando mais segurança a bordo. "Hoje em dia, as construções navais para barcos de alta performance esbarram no dilema. leveza versus resistência. Vamos saber do resultado no nosso projeto durante a viagem entre Cidade do Cabo e Ilhabela." A chegada, que deve ocorrer 30 dias após a largada, será na sede da BL3, na Praia da Armação, em Ilhabela, litoral norte de São Paulo.

Financiamento - Beto Pandiani foi uma das primeiras figuras ligadas ao esporte brasileiro a conseguir atingir a meta de um financiamento coletivo pela internet. Prestes a mais uma aventura, agora pelo Atlântico Sul, o velejador aderiu ao chamado crowdfunding, uma espécie de vaquinha para o projeto. A iniciativa deu certo e a meta de R$ 150 mil foi ultrapassada e bateu em R$ 166.568,24. O valor é considerado um dos maiores nesse tipo de ação no Brasil.
"Os investidores são mais do que apoiadores. São embaixadores do projeto. A confiança e a credibilidade foram fundamentais nesse novo estilo de financiamento de projeto. Quem entrou sabe quais são as metas e que terão algo em troca. As redes sociais foram importantes para a viagem. Postei fotos e relatos das viagens antigas para estimular os parceiros, que terão os nomes escritos no casco do catamarã de oito metros e sem cabine pelo Atlântico Sul", conta.

Ainda sobre o financiamento coletivo, Beto Pandiani emenda: "As 337 pessoas que ajudaram a encher o pote de recursos para a viagem certamente vão compartilhar tudo o que ocorre durante os 30 dias de aventura. Vão multiplicar a história nas redes sociais, aumentando ainda mais o alcance da travessia. Quem financia alguma coisa sempre sabe que o investimento valeu a pena por relatos de outras pessoas e a internet é uma ferramenta de propagação".
Betão Pandiani e suas aventuras - Desde 1993, velejar deixou de ser um hobby para se tornar profissão na vida de Beto Pandiani. A partir disso o velejador tem colecionado aventuras incríveis e histórias inesquecíveis, enfrentando marés, tempestades e outras adversidades para chegar ao destino final.

Em 1994, Betão organizou sua primeira expedição, que foi chamada de "Entre Trópicos". Ele zarpou de Miami para a Ilhabela em 289 dias no mar. Em 2000 foi a vez da "Rota Austral", partindo do Chile, cruzando o Cabo Horn - ponto alto da expedição - até a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 170 dias. A "Travessia do Drake", em 2003, saiu de Ushuaia e cruzou a passagem entre a América do Sul e a Antártica. Foram 45 dias que deram a Beto Pandiani e Duncan Ross, seu parceiro de viagem, o título de primeiros velejadores a chegarem à Península Antártica em um barco sem cabine.

Em 2004 foi a vez de ir da Flórida à Nova Iorque, na regata Atlantic 1000, a mais longa prova para catamarãs do planeta. E o resultado foi acima do esperado: um segundo lugar na competição. Já em 2005, na "Rota Boreal", foram três meses velejando de Nova Iorque até Sisimiut, na Groenlândia, enfrentando as terríveis condições climáticas polares. Entre 2007 e 2008, junto com Igor Bely, Beto Pandiani atravessou o Oceano Pacifico, partindo do Chile e chegando à Austrália. Foram 17 mil quilômetros percorridos, muitas semanas sem ver terra e mais um título: o de primeiros velejadores do mundo a cruzar o Pacífico Sul em um barco sem cabine.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.
Perfil de Beto Pandiani - Brasileiro, 55 anos, formado em administração na Puc-SP
O santista Roberto Pandiani, há 18 anos realiza expedições de alta performance pelos mais temidos mares do mundo a bordo de catamarãs sem cabine. Filho do também velejador italiano Corrado Pandiani, conquistou prêmios nacionais, internacionais e coleciona marcas vitoriosos na história da vela mundial. A primeira virada na carreira profissional foi deixar um estágio na Pirelli, quando cursava administração na Puc-SP. Depois, atuou como empresário do entretenimento.

Durante os anos 1980 e 90, Pandiani foi proprietário de diversas casas noturnas que badalaram as noites paulistanas: Singapura, Aeroanta, Clube Base, Olivia e Mr. Fish, entre outros negócios. No final dos anos 1990, deixou o ramo do entretenimento para assumir a vela como profissão e negócio, passando a trabalhar exclusivamente com o esporte que é a paixão de sua vida. As expedições de Roberto Pandiani originaram cinco títulos pela Editora Terra Virgem: "Entre Trópicos", "Rota Austral", "Travessia do Drake", "Rota Boreal", "Travessia do Pacífico" e um livro de histórias: "O mar é minha Terra", pela Editora Grão.

Atualmente tem ministrado palestras sobre planejamento, gerenciamento de risco, superação de resultados e trabalho em equipe para grandes empresas, entre elas Caloi, Credicard, Reebook, USP, Bank Boston, Atos Origin Brasil, Unibanco, Citibank, Votorantim, Medial Saúde, Cia Vale do Rio Doce, Novartis, Banco Itaú e HSBC.
Perfil de Igor Bely - Francês, 29 anos, formado em engenharia mecânica em Lyon, França
Nascido na Ilha da Reunião, no Oceano Índico, Igor viveu seus primeiros 18 anos a bordo do veleiro de seus pais, Sophie e Oleg Bely, conhecendo parte do mundo e aprendendo quatro línguas, que hoje fala fluentemente: francês, português, inglês e espanhol. Fez sua primeira viagem à Antártica com 2 anos de idade e aos 3 anos foi personagem da reportagem de TV "Igor na Antártica", realizada pela então Rede Manchete.

Com mais de 200 mil milhas (400 mil km) navegadas, tem em sua trajetória mais de 20 expedições à Antártica e a regiões polares como Groenlândia, Labrador, Geórgia do Sul, Alaska e Cabo Horn. Participou como apoio de duas expedições polares do velejador Roberto Pandiani (Travessia do Drake e Rota Boreal) e foi também foi velejador na Travessia do Pacifico.

Os fãs da vela oceânica e da dupla Beto Pandiani/Igor Bely podem acompanhar toda a aventura pelo site:
http://travessiadoatlantico.tumblr.com

ZDL Comunicação
Fonte ZDL Comunicação 19/03/2013 ás 21h

Compartilhe

Travessia do Atlântico: Beto Pandiani e Igor Bely largam para desafio de 7.800 quilômetros