Plano de Atenção à saúde nas aldeias inicia no Acre

Fonte Agência Saúde 09/06/2012 às 0h

Ação estruturante no estado começou no último sábado e já realizou mais de 2 mil atendimentos

O estado do Acre foi escolhido para receber o projeto-piloto do governo federal para reduzir a mortalidade infantil e materna na população indígena dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Alto Rio Purus e Alto Rio Juruá. A ação é parte do plano nacional, coordenado pela Casa Civil, que instituiu o Comitê de Gestão Integrada das Ações de Atenção à Saúde e Segurança Alimentar dos Povos Indígenas. No estado, as ações do plano iniciaram no último sábado (02) e, até terça-feira (5), balanço parcial da ação no Estado indica que houve 2.257 atendimentos. Do total de atendimento, 813 foram médicos, 468 odontológicos e 948 de enfermaria.

O decreto que cria a medida foi assinado, na terça-feira (5), pela presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia comemorativa do Dia do Meio Ambiente. Na prática, serão ampliadas as ações de saúde indígena, com foco na atenção básica. Em julho e agosto a ação se expande para DSEIs de outros estados. O público-alvo são crianças de até 6 anos e mulheres de 10 a 49 anos.

 

Além dos atendimentos, foram feitas oito remoções de pacientes mais graves. Os dados estão sendo repassados pelas equipes, via rádio do exército, ou por telefone, via satélite da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde.

AÇÃO-PILOTO - A operacionalização do Plano está sendo possível porque, em um ano, o total de trabalhadores contratados para atuar na Saúde Indígena em todo o país, passou de 8.795 - em abril de 2011 - para 12.701 - em abril 2012 - o que representa crescimento de 44%. Só no Acre, nos dois DSEIs, o número de profissionais contratados passou de 391 para 477, um crescimento de 22%. A medida preencheu vagas em locais com carência de profissionais de saúde.

No Acre, ação conta com o apoio do Ministério da Justiça/Funai, governo do Acre e Ministério da Defesa (Exército e Aeronáutica) Para esta ação, as equipes multidisciplinares de saúde indígena ganharam o reforço de 13 médicos e um enfermeiro do Grupo Hospitalar Conceição.

No total, são 156 trabalhadores, entre profissionais de saúde e militares, distribuídos em 13 equipes, divididas para atuar em 100 aldeias. Cada equipe de saúde é composta por médico, enfermeiro, dentista, técnicos de saúde bucal, técnicos de enfermagem, auxiliares de saúde bucal, além dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e dos Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN).

Os profissionais realizam consultas, procedimentos odontológicos; avaliação nutricional; exames de pré-natal; visitas domiciliares; busca ativa de casos de tuberculose e malária; controle do crescimento e desenvolvimento; testes rápidos para HIV, Sífilis e Hepatites B e atualização do cartão vacinal.

AÇÃO NACIONAL – A Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) coordenará as ações que contemplarão, até o final do ano, os 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) do país considerados selecionados. O restante de toda a rede, que engloba mais 18 DSEIs, também será beneficiada. O Plano está focado em seis áreas de atuação: atenção à saúde; gestão de insumos e logística; recursos humanos; educação em saúde; saneamento ambiental nas aldeias e controle social.

Serão priorizadas as ações que contemplem a ampliação de cobertura vacinal, promoção e incentivo ao aleitamento materno, vigilância nutricional e suplementação alimentar para o combate à desnutrição infantil, realização de pré-natais, testes rápidos para diagnóstico de HIV e Sífilis, identificação e monitoramento dos casos de gravidez de alto risco e articulação com a rede municipal e estadual de saúde para atendimento dos casos de média e alta complexidades.

De acordo com o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Souza, os 16 DSEI selecionados concentraram 70% do número absoluto de óbitos em crianças menores de um ano registrados em 2011. “Esses DSEIs apresentam maior risco de mortalidade infantil e concentram maior população indígena em extrema pobreza. Vamos fortalecer as ações para prevenir as mortes que, lamentavelmente, ainda ocorrem por causas evitáveis, como diarreia e desnutrição. Também vamos garantir o pré-natal às gestantes e acompanhamento daquelas com gravidez de alto risco”, explicou.

Agência Saúde
Fonte Agência Saúde 09/06/2012 ás 0h

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