Pesquisa da UFMG ajuda a preservar memória da tipografia e do fazer jornalístico do início do século 20

Fonte UFMG 26/08/2014 às 10h

Pesquisa da UFMG ajuda a preservar memória da tipografia e do fazer jornalístico do início do século 20

Parte importante da memória da tipografia e da atividade jornalística em Minas Gerais está sendo preservada com apoio técnico-científico da UFMG. Equipamentos de impressão e quatro mil exemplares dos jornais Pão de Santo Antônio, que começou a circular em 1906, e Voz de Diamantina passam por processo de restauração. O projeto – cujas ações foram iniciadas em 2013 e serão concluídas em fevereiro de 2015 – prevê também oficinas de tipografia, ateliês de restauração, criação de um museu, de uma hemeroteca e de uma coleção eletrônica, produzida com apoio da Biblioteca Universitária e que vai integrar sua Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras.

Procurada durante o Festival de Inverno de 2012 por meio da então diretora de Ação Cultural, professora Sônia Queiroz, a UFMG assumiu o diagnóstico do acervo, incluindo situação de conservação e potencialidades museológicas. “Ficamos encantados com o material, que, embora estivesse em péssimo estado, tinha plenas condições de recuperação”, lembra a professora da Escola de Belas-Artes Ana Utsch, que dirige o Museu Vivo Memória Gráfica, sediado no Centro Cultural UFMG, e coordena o projeto de pesquisa que subsidia as ações da equipe de restauradores, designers, historiadores e museógrafos do projeto Memória do Pão de Santo Antônio, patrocinado pela Petrobras.

O acervo inclui máquinas e objetos reminiscentes da antiga tipografia – como um grande prelo horizontal francês do início do século 19, cavaletes de madeira, tipos de chumbo, clichês, matrizes de xilogravura, entre outros – e os exemplares do Pão de Santo Antônio, que circulou de 1906 a 1933, e do Voz de Diamantina, publicado de 1936 a 1990.

“Exploramos também a possibilidade de reencontrar alguns personagens dessa história, pessoas que trabalharam na tipografia. O projeto lida não apenas com o patrimônio estático, mas também com as técnicas envolvidas”, ressalta Ana Utsch.

Museu vivo
A formação de acervo digital e físico e a realização de palestras, oficinas e ateliês – em que serão apresentadas as técnicas utilizadas no restauro – são a forma de promover o contato da comunidade e dos visitantes de Diamantina com o acervo. “O objetivo é viabilizar o acesso a esse patrimônio histórico e cultural, que, ao apresentar uma narrativa local de acontecimentos nacionais, recupera a história da imprensa brasileira”, explica Sônia Queiroz.

O processo de restauração do acervo deverá estar concluído em setembro deste ano, e então terá início a execução do projeto museográfico. O plano se baseará na concepção de “museu vivo”: mais que visitação, a ideia é permitir o desenvolvimento de práticas e tradições do universo da tipografia. Um jornal com as antigas técnicas, dedicado à memória da imprensa tipográfica brasileira, será editado para divulgar estudos e relatos sobre a atividade. Com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2015, o Museu Casa do Pão de Santo Antônio abrigará atividades de pesquisa e experimentação de técnicas ligadas à tipografia.

O acervo já desperta o interesse de pesquisadores de outras instituições brasileiras. “É um patrimônio valioso por se tratar de uma produção que atravessa o século 20 e por não ter sido fragmentado. Os responsáveis por esse material reconheceram a importância de preservá-lo, apesar das condições precárias.

Além disso, a divulgação do acervo alinha-se com uma concepção historiográfica dos recursos de compreensão do passado, própria da História Cultural, que valoriza fontes que narram vozes anônimas, ou quase anônimas, que manifestam sua representação, ou autorrepresentação da realidade social”, afirma Ana Utsch.

Ainda segundo a professora da Escola de Belas-Artes, o projeto Memória do Pão de Santo Antônio resgata a resistência de um modo de fabricação artesanal até o fim do século 20. “As novas técnicas não impuseram o fim desse modo de produção, e não foi por saudosismo, mas porque era mais viável economicamente e havia mão de obra especializada e disponível”, conclui.
UFMG
Fonte UFMG 26/08/2014 ás 10h

Compartilhe

Pesquisa da UFMG ajuda a preservar memória da tipografia e do fazer jornalístico do início do século 20