Pela securitização de recursos hídricos

Fonte PUC Rio - Jornal da PUC 16/06/2012 às 22h

Pela securitização de recursos hídricos

Frente aos riscos energéticos, governamentais e sociais de uma escassez, o caminho para garantir acesso mundial à água é o da integração entre academia e governo, apontou Richard Lawford, cientista da Universidade Morgan State, dos Estados Unidos, no painel Water Security. Países que exportam grandes quantidades de alimentos têm problemas de poluição de águas, muitas vezes por conta da produção de fosfatos e nitratos.

 

Karin Lexen, diretora da Swedish Water House e Stockholm International Water Institute, falou sobre a importância do debate anterior à Rio+20, para que a sociedade civil possa tomar parte numa luta que também lhe pertence. “A hora é esta”, disse.

 

Ursula Oswald-Spring contextualizou a crescente preocupação acerca da segurança da água. Com o fim da Guerra Fria, as preocupações mundiais mudaram. O foco das relações internacionais deixou de ser a segurança nacional e, aos poucos, a questão ambiental e a oferta de água no planeta começaram a preocupar os países. Nesse sentido, a comunidade internacional deve se mobilizar por uma securitização da água que envolva a todos. Segundo ela, a maior meta que se pode estabelecer para o século XXI é a da promoção de segurança na oferta de água para toda população, e de garantia da preservação de ecossistemas e costas. A existência de uma Economia da Água exige uma gerência perfeita, mas as leis de mercado e fronteiras nacionais não permitem que toda a população mundial tenha acesso a água fresca e limpa, o que poderia diminuir a taxa de mortalidade infantil em 60%. A água sempre foi motivo de disputas, mas, com o crescimento populacional, aquecimento global e crescente escassez, a situação tende a piorar. Ursula assinalou a necessidade de incentivar a diplomacia entre países vizinhos, educar pessoas e socializar a questão, que atualmente é tratada unicamente por engenheiros.

 

Kuniyoshi Takeuchi, diretor do International Center for Water Hazard and Risk Management, do Japão, falou sobre catástrofes naturais recentes relacionadas à água, como o tsunami no Japão e as enchentes na região serrana do estado do Rio de Janeiro em março de 2011. Segundo ele, mudanças climáticas, desastres naturais, poluição industrial e crescimento populacional são alguns dos desafios a serem vencidos em nome da segurança da água. Além disso, ele afirmou que segurança da água depende também da segurança da terra. Para ele, políticas governamentais para proteção da água deviam ser mais incisivas.

 

Dipak Gywali, da Nepal Water Conservation Foundation e ex-ministro de Recursos Hídricos do Nepal, argumentou que ninguém entende completamente a dimensão de segurança da água até que tenha vivido em regiões afetadas pela falta dela. Segundo ele, a região do subcontinente indiano inspira muitos cuidados. As enchentes têm sido muito frequentes no Paquistão, e o nível de poluição do Rio Ganges tem aumentado, o que afeta diretamente meio milhão de pessoas.

PUC Rio - Jornal da PUC
Fonte PUC Rio - Jornal da PUC 16/06/2012 ás 22h

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