Para especialista italiano, comunidade internacional ainda não sabe gerenciar emergências

Fonte Ansa Flash. 02/02/2010 às 12h

O chefe da Defesa Civil da Itália, Guido Bertolaso, afirmou hoje que a experiência do governo de seu país de levar a Cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia) a L´Aquila, cidade italiana atingida por um forte terremoto em abril de 2009, não cumpriu seu objetivo de mostrar ao mundo como gerenciar uma emergência.

A conferência, realizada em julho do ano passado, teve como um de seus objetivos atrair recursos à reconstrução da localidade italiana, capital da região de Abruzzo, no centro do país. Contudo, segundo Bertolaso, a atuação da comunidade internacional no Haiti demonstra que a experiência de L´Aquila não serviu de lição.

Nas últimas semanas, Bertolaso esteve no Haiti, na condição de representante do governo italiano, para avaliar a situação local e verificar de que forma o seu país poderia contribuir para a reconstrução da nação caribenha.

Na época da tragédia na Itália, o chefe da Defesa Civil italiano, que é especialista em operações de emergência, foi o responsável pela coordenação das atividades de socorro às vítimas, ajuda aos desabrigados e reconstrução das áreas destruídas. O tremor de 5,8 graus na escala Richter deixou quase 300 mortos e mais de 50.000 pessoas perderam suas moradias.

"Levar o G8 a L´Aquila tinha um objetivo: fazer com que os grandes da Terra tocassem com as mãos o sofrimento de quem foi atingido por um terremoto e fazê-los entender como gerenciar uma emergência. Uma experiência que, porém, não serviu", reiterou o chefe da Defesa Civil.

"Eu cultivava a ilusão de que [os membros do G8] entendessem o que se deve fazer quando se tem que gerenciar um terremoto", enfatizou Bertolaso. "Hoje, eu percebo que isso não adiantou e o sonho cultivado não se realizou", complementou.

Em visita ao Haiti, o chefe da Defesa Civil já havia criticado a forma como estão sendo organizadas as ajudas humanitárias. Seus comentários causaram mal-estar diplomático nas relações com os Estados Unidos, responsáveis por grande parte do socorro.

Na semana passada, o chanceler da Itália, Franco Frattini, se distanciou da posição de Bertolaso. "O governo italiano não reconhece estas declarações", esclareceu o diplomata. Por outro lado, pouco depois, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi disse que pretende promover o chefe da Defesa Civil a ministro, devido ao trabalho realizado em L´Aquila.

Hoje, a atuação das tropas norte-americanas também foi criticada pelo responsável do Centro de Estudos Estratégicos da Itália, Enrico Jacchi. "A situação é complicada pelo fato de que os norte-americanos consideram que o Haiti é parte de seu jardim de casa", denunciou.

"Os militares são necessários, como em qualquer operação de socorro humanitário em que seja indispensável a proteção contra saques", ponderou Jacchi, ressaltando, por outro lado, que "as tropas norte-americanas têm um total controle do aeroporto de Porto Príncipe e lentamente estão se difundindo por toda a ilha".

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 02/02/2010 ás 12h

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