Papa diz que lei não garante necessidades do homem

Fonte Ansa Flash. 04/02/2010 às 11h

O papa Bento XVI afirmou que a lei não consegue assegurar as necessidades do homem, alguns dias após a polêmica suscitada por críticas suas contra normas britânicas a favor da igualdade dos homossexuais.

"Aquilo de que o homem precisa não pode ser garantido pela lei", afirmou Joseph Ratzinger na Mensagem do Santo Padre para a Quaresma 2010, divulgada hoje pela sala de imprensa do Vaticano com o título “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo”.

"Para gozar de uma existência em plenitude" é necessário "algo mais íntimo que só pode ser concedido gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus pode lhe comunicar, tendo criado-o à sua imagem e semelhança", prosseguiu o Papa.

Na segunda-feira, ao receber bispos católicos da Inglaterra e do País de Gales no Vaticano, Bento XVI declarou que regras a favor da igualdade contrariam a lei natural, em alusão à Equality Bill -- legislação que está em discussão no Parlamento da Grã-Bretanha e que pretende introduzir juridicamente direitos de igualdade a gays e lésbicas e condenar a discriminação em questões trabalhistas, entre outros itens.

As palavras do Pontífice geraram revolta entre grupo seculares e de defesa dos direitos dos homossexuais, que prometeram organizar protestos para quando o chefe máximo da Igreja Católica visitar a ilha britânica, em viagem prevista para ocorrer este ano.

Ainda na mensagem da Quaresma, o Papa comentou que a injustiça não tem raízes exclusivamente externas, mas se origina no coração humano, "onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal".

"Muitas das ideologias modernas têm, de perto, este pressuposto: de que a injustiça vem ´de fora´, de modo que para reinar a justiça é suficiente remover as causas exteriores que impedem sua situação", acrescentou Bento XVI, para quem este modo de pensar "é ingênuo e míope".

Para Ratzinger, "o homem se torna frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro". Segundo ele, uma estranha força faz com que o homem "se afirme ´sobre´ e ´contra´ os outros: é o egoísmo, consequência da culpa original".

"O cristão é convidado a contribuir para formar sociedades onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade e onde a justiça é vivificada pelo amor", continuou o Papa.

Ele explicou que é preciso sair da "ilusão da autossuficiência", do "estado profundo de encerramento", que seria a verdadeira origem da injustiça. Desta forma, o "anúncio cristão" responde "positivamente à sede de justiça do homem".

Bento XVI falou ainda que não são os sacrifícios do homem que o liberam do peso da culpa, mas o gesto do amor de Deus, fazendo "passar em si mesmo ´a maldição" que espera o homem". Por isso, a justiça divina é "profundamente diferente da humana". 

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 04/02/2010 ás 11h

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