O preconceito sempre presente

Fonte Nicolau Amaral Comunicação 02/02/2010 às 9h

* Sylvia Romano

 

Por princípio, sempre fui contra qualquer tipo de preconceito, seja em relação a credo, cor, preferência sexual, nacionalidade, tipo físico, enfim, a qualquer rejeição das diferenças.

Esses dias, fui surpreendida com uma notícia divulgada nos principais veículos impressos e eletrônicos de comunicação sobre a prisão de um grupo de CIGANAS idosas que fraudava o INSS com certidões falsas. A detenção dessas senhoras foi das mais justas, pois afinal os crápulas também envelhecem e corruptos e ladrões têm de sofrer os rigores da lei, não importando a que segmento da sociedade pertencem. Lei é lei e tem de ser respeitada por todos, mesmo sabendo que para uns ela é rígida e, para outros, é bem frouxa — me refiro principalmente àquelas que deveriam ser aplicadas aos corruptos do nosso governo.

Voltando ao caso das velhinhas, o que mais me chamou a atenção não foi a prisão, mas a palavra CIGANAS, o que no meu entender configura uma forma explícita de preconceito contra este povo que, como os judeus até o final da 2ª Guerra Mundial, não tem uma pátria, mas que graças a sua persistência mantém por milênios a sua identidade, preservando suas tradições principalmente através do seu artesanato em cobre, músicas, danças e do costume de prever o futuro. Quanto a sua sabedoria, no meu entender, é representada pela famosa “praga cigana”, que diz que “você tenha tudo o que desejas”, e que é dirigida aos seus piores inimigos.

Esse povo famoso na literatura por suas belas mulheres é ainda hoje um dos mais perseguidos pelo preconceito devido a falsas lendas e à inveja da sua maneira livre de ser, o que poucos não-ciganos têm a coragem de assumir. Não sei se existe uma representação oficial dessas belas pessoas em nosso país mas, se existir, acho que é hora de começar a pensar em seus direitos pois, afinal, ciganos também são cidadãos brasileiros e pela nossa Constituição todos são iguais perante a lei.

Quanto à questão do preconceito, tenho de confessar que tenho dois e acho que estes deveriam fazer parte da vida de todos: o preconceito contra a burrice e a desonestidade que, hoje infelizmente, são diferenças que já não fazem parte das minorias, mas da maioria da nossa sociedade.

* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. E-mail: [email protected] .

 

 

Nicolau Amaral Comunicação
Fonte Nicolau Amaral Comunicação 02/02/2010 ás 9h

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