Menina que estava no colo de João Paulo II se diz surpresa com a libertação de Ali Agca

Fonte Ansa Flash 18/01/2010 às 15h

A italiana Sara Bartoli, que estava no colo do papa João Paulo II poucos segundos antes de ele ser gravemente ferido em um atentado, se disse surpresa com a libertação do turco Mehmet Ali Agca, responsável pelos disparos contra o Pontífice.

"Ouvi o anúncio esta manhã no telejornal. Fiquei surpresa pelo fato em si e por todo o tempo que passou", declarou Bartoli em entrevista telefônica à ANSA. Agca estava preso na Turquia pelo homicídio do jornalista Abdi Ipekci, em 1979.

Pelo crime, ele ficou nove anos e sete meses detido. Antes disso, entre 1981 e 2000, Agca ficou preso na Itália devido ao atentado contra o Pontífice.

Por sua vez, Bartoli, que tinha apenas um ano e meio quando João Paulo II foi vítima do ataque, está hoje com 30 anos e vive na cidade de Lariano, próximo a Roma, onde cria seus dois filhos, uma menina de cinco anos e um bebê de um ano e três meses.

Comentando o ataque do dia 13 de maio de 1981, Bartoli evitou fazer julgamentos. "Ele já recebeu o perdão da pessoa a quem fez mal. A mim não cabe julgar. Claro, Agca cometeu um ato gravíssimo, atingiu aquele que, para um cristão, é o símbolo maior", disse a italiana.

"Se partirmos disso, talvez ele não devesse sair da prisão nunca. Mas a medida não pode ser essa. A justiça seguiu o seu curso, portanto eu me limito a dizer: que assim seja", complementou ela.

Bartoli contou ainda que, embora não se lembre de nada, o episódio a acompanhou por sua infância e adolescência. "Eu era muito pequena. Foi um evento maior do que eu. No início eu não o aceitava. Era como uma responsabilidade muito grande para uma criancinha", relatou.

Depois de ser preso, Agca confessou em depoimento ter "errado a mira porque o Papa tinha uma criança nos braços". Apesar disso, Bartoli não considera ter salvado a vida do Pontífice. "Agca disse isso, mas não sei se é crível", comentou.

A italiana também afirmou esperar que o turco, agora que está em liberdade, não se torne "um herói televisivo", parecendo ser "um homem mais importante do que realmente é". "Eu também poderia ter me aproveitado da ocasião, mas não o fiz", enfatizou.

Após o atentado, Bartoli voltou a encontrar João Paulo II em algumas ocasiões. "Foi sempre uma grande emoção. Ele era simplesmente um grande homem", disse.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 18/01/2010 ás 15h

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