Medidas preventivas podem evitar 90% dos acidentes com crianças

Fonte Agência Brasil 01/09/2014 às 10h
No Dia Nacional de Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, celebrado no sábado (30), especialistas alertam que 90% desses casos que resultam em morte e internação poderiam ser evitados com atitudes simples.

A Rede Primeira Infância e a organização não governamental (ONG) Criança Segura lançaram um relatório sobre prevenção de acidentes na primeira infância (até 9 anos), levando em conta dados de 2012 do Datasus.

Principal causa de morte com crianças a partir de 1 ano de idade no Brasil, os acidentes de trânsito nessa faixa etária foram responsáveis por 3.142 mortes e mais de 75 mil hospitalizações de meninos e meninas, naquele ano.

Os acidentes, que incluem atropelamentos e atingem passageiros de veículos, motos e bicicletas, representaram 33% das mortes, seguidos de afogamento (23%) sufocamento (23%), queimaduras (7%) e quedas (6%). Os atendimentos em hospitais passam a contar a partir de 24 horas de internação, ou seja, não são típicos de prontos-socorros.

“Existem políticas públicas que podem ser estabelecidas para prevenção, uso de produtos mais seguros e treinamento em primeiros-socorros, por exemplo, mas é uma situação que só pode ser revertida por cada um, adequando os ambientes das casas, usando a cadeirinha, brincando em espaços seguros”, destaca a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia. “São atitudes simples, mas que precisam fazer parte do dia a dia.”

Para a médica Renata Dejtiar Waksman, do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), todos os atores sociais são responsáveis pelas crianças, e o trabalho de prevenção tem que começar já no consultório do obstetra, com a chamada prevenção primária.

“As pessoas subestimam a criança, acham que ela não consegue fazer as coisas, não consegue colocar o dedo na tomada, não consegue rolar da cama, acham que ela não é capaz disso. Falta conhecimento das características e habilidades das crianças, além da falta de supervisão e a distração dos cuidadores”, ressalta Renata.

Análises feitas com base no estudo mostram que alguns elementos estão ligados ao aumento da exposição das crianças aos riscos de acidentes. A pediatra Renata Waksman diz que é preciso encarar o problema como uma epidemia. “Acidentes podem ocorrer em todos os níveis sociais. Aquela criança que tem acesso direto à rua corre risco, mas a outra, que mora em um condomínio, pode ser atropelada na porta da garagem. Infelizmente, [o risco de acidente] está se tornando uma situação muito democrática.”

O relatório mostra ainda que, a cada morte, mais quatro crianças ficam com sequelas permanentes, capazes de gerar consequências emocionais, sociais e financeiras na família e na sociedade. De acordo com o governo brasileiro, cerca de R$ 70 milhões são gastos na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) com o atendimento de crianças que sofreram acidentes.

“O queimado é um paciente caríssimo, por exemplo. Precisa de muito tempo de internação, várias cirurgias reparadoras e estéticas. Os custos social e econômico são muito grandes, sem contar o custo emocional para as famílias”, enfatiza a presidenta do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SBP, Marislaine Lumena.

Para ela, os acidentes com crianças são um grave problema de saúde pública. “A criança é curiosa, não tem noção do perigo, ela explora os ambientes e se expõe ao risco. Além da mudança de comportamento e das medidas educativas e legislativas, é preciso mais fiscalização das leis”, recomenda. Marislaine cita como exemplo o álcool líquido e os andadores infantis, que tiveram a venda proibida, mas que, segundo ela, continuam sendo comercializados livremente.

Veja abaixo dicas de como diminuir os riscos no dia a dia:

Na Rua

Ensine a criança a respeitar os sinais de trânsito, atravessar a rua na faixa de pedestres e olhando para os dois lados;
Menores de 10 anos não devem atravessar a rua sozinhos. É importante segurar os pequenos pelo pulso;
Entradas de garagens, quintais sem cerca ou estacionamentos não são seguros para brincadeiras.

No Trânsito

Crianças com menos de 10 anos devem sentar no banco de trás do carro. Até os 7 anos, é importante usar cadeirinhas de segurança adequadas à idade e ao peso da criança. Sempre usar cinto de segurança;
Não deixe a criança sozinha no carro, mesmo que o vidro esteja entreaberto;
Ao contratar transporte escolar, busque referências e verifique a documentação do veículo e do motorista.

Nas Áreas de Lazer

Escadas, sacadas e lajes não são lugares para brincar;
No parquinho, verifique se os equipamentos são apropriados à idade da criança e fique atento a perigos como ferrugem, pregos expostos e superfícies instáveis;
O piso deve absorver o impacto e ser de como grama, emborrachado ou areia;
Ensine regras de comportamento, como não empurrar, nem se amontoar;
Empinar pipa só em lugares abertos, longe de fios elétricos e trânsito;
Ensine a criança a usar capacete quando estiver de bicicleta, skate ou patins;
Conheça as plantas de sua casa e remova as venenosas.

Na Piscina

As crianças devem sempre ser supervisionadas por um adulto quando estiverem próximas de água;
Instale cercas de isolamento na piscina com, no mínimo, 1,5m de altura, cadeados e travas;
Evite brinquedos e outros atrativos próximos a piscinas e reservatórios de água;
Boias e outros equipamentos infláveis passam uma falsa sensação de segurança. O ideal é que a criança use sempre um colete salva-vidas em embarcações ou na prática de esportes aquáticos;
Ensine a criança a não brincar de empurrar, dar “caldo” dentro d'água ou simular que está se afogando.

Em Casa

Quarto

Crianças com menos de 6 anos não devem dormir em beliches. Se não houver escolha, coloque grades de proteção nas laterais;
Nunca deixe um bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis, mesmo que seja por pouco tempo;
As grades de proteção do berço devem estar fixas. O vão entre as grades não deve ter mais que 6 cm de distância;
Remova do berço todos os brinquedos, travesseiros e objetos macios quando o bebê estiver dormindo;
Certifique-se de que os brinquedos da criança são atóxicos e indicados à idade dela. Compre produtos com o selo do Inmetro;
Inspecione os brinquedos regularmente em busca de danos;
Brinquedos com correntes, tiras e cordas com mais de 15cm devem ser evitados;
Fique atento ao recall de brinquedos com problemas ou defeitos;
Deixe o chão livre de objetos pequenos como botões, bolas de gude, moedas e tachinhas.

Sala

Instale grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos. As redes devem ter espaços de no máximo 6cm;
Use portões de segurança no topo e na base das escadas e, caso sejam abertas, instale redes de proteção;
As tomadas devem estar protegidas por tampas apropriadas, esparadrapo, fita isolante ou mesmo cobertas por móveis;
Mantenha camas, armários e outros móveis longe das janelas e cortinas e verifique se estão estáveis;
Cuidado com as quinas dos móveis.

Cozinha

Corte os alimentos em pedaços bem pequenos na hora de alimentar a criança;
Não deixe fósforos, isqueiros e outras fontes de energia ao alcance dos pequenos;
Mantenha a criança longe da cozinha e do fogão, principalmente durante o preparo das refeições;
Cozinhe nas bocas de trás do fogão e sempre com os cabos das panelas virados para trás;
Evite carregar as crianças no colo enquanto mexe em panelas no fogão ou manipula líquidos quentes;
Não use toalhas de mesa compridas.

Banheiro

Cuidado com pisos escorregadios, coloque antiderrapante nos tapetes;
Conserve a tampa do vaso sanitário fechada ou lacrada com dispositivo de segurança ou mantenha a porta do banheiro trancada;
Nunca deixa a criança sozinha na banheira;
Saiba quais produtos domésticos são tóxicos. Produtos comuns, como enxaguantes bucais, podem ser nocivos se a criança engolir em grande quantidade;
Mantenha medicamentos trancados e nunca se refira a eles como 'doce'. Isto pode levar a criança a pensar que não é perigoso ou que é agradável de comer.

Área de Serviço

Não deixe as crianças por perto quando estiver passando roupa, nem largue o ferro elétrico ligado sem vigilância;
Mantenha cisternas, tonéis, poços e outros reservatórios domésticos trancados ou com proteção;
Deixe os baldes com água no alto, longe do alcance das crianças, esvazie todos após o uso e guarde-os virados para baixo;
Guarde todos os produtos de higiene e limpeza trancados, fora da vista e do alcance das crianças;
Nunca deixe sacos plásticos ao alcance das crianças.


Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 01/09/2014 ás 10h

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