Marta Suplicy: temos que fazer do Brasil um país de leitores

Fonte Ministério da Cultura 25/08/2014 às 9h
Em seu discurso durante a abertura da 23ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na manhã da sexta-feira (22/8), a ministra Marta Suplicy homenageou grandes nomes da literatura brasileira e latino-americana que faleceram este ano, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Ariano Suassuna, Rosie Marie Muraro e Gabriel Garcia Marquez.

Além da homenagem, Marta Suplicy anunciou que Guiomar de Grammont será a curadora do Salão do Livro de Paris 2015, que homenageará o Brasil, e apresentou as medidas que estão sendo tomadas pelo Ministério da Cultura para o fomento da leitura no País.

Junto ao ministro da Educação, José Henrique Paim, Marta Suplicy assinou a portaria interministerial que designa os membros do Conselho Diretivo e a Coordenação Executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), uma das quatro medidas apresentadas. As outras três são: a transferência das políticas de livro e leitura para Brasília, formalizada com a recente assinatura do Decreto 8.297; a tramitação do projeto de lei do Plano Nacional de Leitura (PNLL) pelo Congresso Nacional; e a realização do Prêmio Viva Leitura.
Vale-Cultura
Após a cerimônia, a ministra circulou por estandes de livrarias que aceitam o Vale-Cultura como forma de pagamento. Marta Suplicy acompanhou a venda de um livro com o benefício. Profissional da área de marketing, Helena Leitão comprou um livro: "assim como eu, outros profissionais que conheço, e que recebem o Vale, também o utilizam muito. Compro muitos livros, uso o Vale-Cultura desde que foi lançado". Os números mostram a grande adesão ao Vale-Cultura como opção de compra de livros: "82% dos R$ 20,3 milhões já gastos com Vale-Cultura, até o momento, foram para livros, jornais e revistas", afirmou a ministra Marta Suplicy.
Salão do Livro de Paris
Assim como aconteceu nas edições mais recentes da Feira do Livro de Frankfurt e da Feira do Livro Infanto-Juvenil de Bolonha, o Brasil será homenageado no Salão do Livro de Paris. "Essas feiras de literatura têm sido prestigiadas pelo MinC pois, além de oportunidades para mostrar o Brasil, promovem e vendem nossos autores para o mundo", disse Marta recordando as participações brasileiras recentes nas feiras de Frankfurt e em Bolonha. Além do anúncio da curadora feito pela ministra, acontecerá, neste sábado, a reunião de instalação do comitê organizador do Salão de Paris. Caberá ao comitê definir os critérios de seleção para a participação de autores brasileiros e a programação cultural.
Abertura
A abertura da bienal contou com a leitura de sermões do Padre Antônio Vieira, feita pela atriz Fernanda Montenegro, acompanhada da apresentação do Conjunto de Música Antiga da Universidade de São Paulo e do grupo Vocal Audi Coelum, executando obras musicais do período colonial brasileiro. Estiveram presentes, além da ministra da Cultura, o ministro da Educação, Henrique Paim; a atriz Fernanda Montenegro; o diretor regional do Sesc-SP, Danilo Miranda; e Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Apoiada pela Lei de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, a Bienal do Livro é o maior evento do setor literário na América Latina. Este ano, aceita Vale-Cultura na entrada e nos estandes das grandes redes de livrarias presentes.

A feira acontece de 22 a 31 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista, com o tema "Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado". Reúne mais de 400 atividades para o público, entre literatura, música, quadrinhos, teatro, dança, circo e cinema.
Discurso de Marta Suplicy na Bienal do Livro de 2014

Nesta 23ª edição da Bienal, maior evento do setor literário na América Latina, rendo homenagens a grandes mestres das letras que nos deixaram este ano: João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Rose Marie Muraro e Ariano Suassuna. Brasileiros que com seu talento nos ajudaram a amar os livros, a leitura, a pensar e desvendar a condição feminina e conhecer a alma e a cultura do povo brasileiro.

Não podemos nos esquecer nesta homenagem deste ícone da literatura latino americana, Gabriel Garcia Marquez, que tanto enriqueceu nossas vidas.
Foram grandes perdas para a literatura, mas sabemos que esses escritores plantaram sementes em solo fértil.

A literatura da América Latina se projeta e o Brasil ocupa um lugar especial neste panorama.

Fomos o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt no ano passado.

Além de 70 escritores brasileiros levamos, para a Alemanha, uma bela amostra de nossa arte. Paralelamente ao evento que possibilitou o contato com nossa literatura, aconteciam apresentações de música, teatro, grafite, artes plásticas.

O Brasil chegou à Alemanha com a marca inédita de 422 bolsas de apoio à tradução desde 2010, quando o país aceitou o compromisso de ser homenageado. Em menos de dois anos, 110 obras foram publicadas na Alemanha.

Fomos, também, o país homenageado na Feira do livro Infanto-juvenil de Bolonha. Lá, vimos o ilustrador Roger Mello conquistar o prêmio Hans Christian Andersen, o 'Nobel' da literatura infantil. Expoente no gênero, nossa Ana Maria Machado hoje vende até na China!

Agora, seremos o país homenageado no Salão do Livro de Paris, que acontece em março do ano que vem. Este salão é muito especial porque, diferentemente das Feiras de Frankfurt e de Bolonha, frequentadas somente pelo mercado editoral, o Salão de Paris se abre, também, para o público leitor, permitindo o contato direto com autores, editoras e leitores.

Estas feiras de Literatura têm sido prestigiadas pelo MinC pois, além de oportunidades para mostrar o Brasil, promovem e vendem nossos autores para o mundo.

Anuncio a vocês que Guiomar de Grammont, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, que se notabilizou na Feira do livro de Bogotá e Fórum de Letras de Ouro Preto, será curadora do Salão do Livro de Paris de 2015.

Amanhã, sábado, já vai acontecer a reunião de instalação do comitê organizador do Salão de Paris. Caberá ao comitê definir os critérios de seleção para a participação de autores brasileiros, programação cultural e curadoria.

E é esta riqueza a principal matéria-prima que temos para fazer do Brasil um país de leitores.

Embora seja senso comum, nunca é desnecessário dizer o quanto os livros são importantes para o desenvolvimento de uma pessoa.

Pelos livros nos educamos, nos entretemos, viajamos pela imaginação. O ato da leitura, por si só, é um momento de introspecção tão necessário para a formação de nossa personalidade.

Para ampliar os índices de leitura no Brasil é preciso o esforço de todos para garantirmos acesso aos livros e estímulo e gosto pela leitura.
Para isso, tomamos 4 medidas administrativas que são muito importantes.

Uma é a transferência das políticas de livro e leitura para Brasília. A presidenta Dilma já assinou o decreto 8.297 que define esta mudança tão importante para que o centro de decisões sobre as políticas de livro e leitura esteja próximo dos Ministérios da Cultura e Educação.

Outra é a tramitação do projeto de lei do Plano Nacional de Leitura pelo Congresso Nacional. Atualmente o Plano é um decreto e, em breve, será uma lei que conta com amplo apoio dos parlamentares. O Brasil terá uma Política de Estado para o desenvolvimento da leitura.

Há, ainda, a realização do Prêmio Viva Leitura que apoia iniciativas bem sucedidas no estímulo à leitura.

E a assinatura - que eu e o Ministro Paim fazemos aqui hoje - da Portaria Interministerial MinC/MEC que designa os membros do Conselho Diretivo e a Coordenação Executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Por essas Políticas de Livro e Leitura, ganham força institucional ações importantes e estratégicas como a formação de bibliotecários, modernização de bibliotecas, o estímulo à cadeia produtiva do livro, circulação de autores pelo país e divulgação da nossa literatura no exterior, entre tantos outros.

Por fim, há ainda a importância de o governo brasileiro, através da lei Rouanet, apoiar a realização de Feiras, Salões, Bienais como esta que estimulam o mercado editorial e a formação de leitores.

Essas obrigações saem da Biblioteca Nacional que reassume suas responsabilidades originais de preservação e passam para a Diretoria do Livro e Leitura.

Estamos implantando o Vale-Cultura que vai possibilitar o acesso a bens culturais para as dezenas de milhões de brasileiros, até hoje excluídos.

Se nos últimos anos o Brasil tem feito um imenso trabalho para garantir que todos os brasileiros tenham, pelo menos, três refeições ao dia, o que não aconteceu durante 500 anos de nossa história, esse cardápio tem que vir acompanhado, também, do alimento para a alma. E esse alimento é a cultura.

82% dos R$ 20,3 milhões já gastos com Vale-Cultura, até o momento, foram gastos em livros, jornais e revistas.

Isso mostra que os brasileiros entendem a importância da leitura, têm gosto por ler, querem se informar, valorizam a educação.

E mostra também que as livrarias souberam se planejar para receber o Vale-Cultura e, com isso, estão se saindo muito bem nesse início de uso do benefício.

Prova disto é que já há estandes aqui na Bienal recebendo o pagamento dos livros com Vale-Cultura e a própria Bienal aceita o Vale-Cultura para o pagamento da entrada no evento. O setor está de parabéns!

Estive em Minas Gerais, na entrega de cartões do Vale-Cultura para funcionários da Caixa e a funcionária a quem entreguei o benefício me disse que ia poupar o Vale para vir a esta Bienal e comprar tudo em livros!

A Bienal de São Paulo, nos últimos anos, retomou o sentido do evento para além do mercado e voltou a incluir, em sua programação, a preocupação na formação dos leitores, desde pequenos.

Esta Bienal está muito antenada com os novos tempos das tecnologias multimídia e, em parceria com o SESC, traz uma grande diversidade de atrações de outras linguagens artísticas que se complementam perfeitamente com a literatura.

Por tudo isso, parabenizo os organizadores.

Como muito bem definiu Jorge Luis Borges: "O livro é uma extensão da memória e da imaginação".

Com memória e imaginação vamos construindo e renovando nossa identidade brasileira, e levando qualidade de vida para a população.

Para encerrar, lembro nosso poeta Mário Quintana que, com sensibilidade, bom humor e simplicidade que marcam sua obra, disse: "livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". (Mário Quintana)

Ministério da Cultura
Fonte Ministério da Cultura 25/08/2014 ás 9h

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