Lobo assume hoje governo de Honduras com pouco apoio internacional

Fonte Ansa Flash. 27/01/2010 às 10h

O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, assume hoje o governo do país centro-americano com poucos representantes da comunidade internacional e o mal-estar de setores da sociedade favoráveis a Manuel Zelaya, mandatário deposto no golpe de Estado de 28 de junho.

A posse ocorrerá no Estádio Nacional Tiburcio Carias, na capital, e trabalharão na segurança da cerimônia 5.500 militares e policiais. Lobo receberá a faixa presidencial das mãos do presidente do Congresso, Juan Orlando Hernández, às 11h (15h no horário de Brasília) e discursará.

De acordo com fontes oficiais, estarão no evento os mandatários de Taiwan, Ma Ying-jeou; do Panamá, Ricardo Martinelli; da República Dominicana, Leonel Fernández; e da Guatemala, Álvaro Colom; e o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos. Também haverá delegações de Estados Unidos, Belize, Marrocos, Turquia, Suíça, Israel, Canadá e Malta.

Representando os Estados Unidos, haverá o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela; o subsecretário adjunto para o Hemisfério Ocidental, Craig Kelly; e o embaixador do país em Honduras, Hugo Llorens.

O diplomata norte-americano se encontraria ontem com Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, local onde o presidente deposto está abrigado desde setembro, quando voltou secretamente ao país após ser expulso pelo golpe.

Com a retirada do mandatário do poder, o Executivo hondurenho foi assumido pelo então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que não saiu mais do cargo. Em 29 de novembro, como estava previsto antes do início da crise constitucional, houve eleições presidenciais, nas quais Porfirio Lobo saiu vencedor.

Pelo fato de ter sido organizado por um regime de facto, o pleito não foi reconhecido por várias organizações multilaterais e boa parte da comunidade internacional. Somente Canadá, Costa Rica, Colômbia, Estados Unidos, Panamá e Peru aceitaram o resultado das eleições.

Micheletti não participará da cerimônia de posse -- alegando ter problemas de saúde, ele se encontra internado no Hospital Militar. Zelaya também não estará presente -- ainda hoje, ele sairá da Embaixada brasileira com destino à República Dominicana, portando um salvo-conduto outorgado pelo novo governo.

Além do isolamento internacional vivido por Honduras desde o golpe de Estado, Lobo enfrentará uma crise econômica decorrente da interrupção das ajudas financeiras direcionadas ao país. Atualmente, 70% dos 7,5 milhões de habitantes estão abaixo da linha da pobreza.

Internamente, a Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, formada por apoiadores de Zelaya, tampouco reconhece Lobo como novo chefe de Estado de Honduras. A organização convocou uma manifestação que terminará no aeroporto de Tegucigalpa, onde os ativistas se despedirão do mandatário deposto.

"O senhor Porfirio Lobo não é reconhecido pela resistência como novo presidente de Honduras pela forma em que foi eleito, sob um regime golpista e repressão, e o reconhece como a continuação do golpe de Estado", afirmou Juan Barahona, dirigente da Frente.

Um grupo de advogados da entidade apresentou ontem à Corte Suprema de Justiça um recurso no qual pede a anulação das eleições de 29 de novembro -- a mesma petição foi negada pelo Tribunal Supremo Eleitoral há alguns dias.

Lobo também é criticado pela União Cívica Democrática (defensora do golpe de Estado) por ter assinado o Acordo para a Reconciliação Nacional e o Fortalecimento da Democracia em Honduras junto a Leonel Fernández.

O partido acusa o mandatário eleito por ter assumido o compromisso de conceder a Zelaya um salvo conduto na qualidade de presidente do país. Os membros da agremiação exigem "nenhum tipo de anistia nem indulto até que se conheçam os resultados da Comissão de Verdade [criada para investigar as circunstâncias do golpe]. Do contrário, a reconciliação do povo hondurenho será impossível".

Mesmo com as críticas e desafios, o presidente eleito governará com um bom apoio no Legislativo: 71 dos 128 parlamentares são favoráveis a ele.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 27/01/2010 ás 10h

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