Judô: Mundial da Rússia será um "grande laboratório" para atletas e equipe multidisciplinar

Fonte Brasil 2016 / Ministério do Esporte 25/08/2014 às 10h

Competição começa nesta segunda-feira (25.08), em Chelyabinsk, e Brasil tem como meta superar o ótimo desempenho do Mundial do Rio, em 2013. Confederação também quer avaliar especialistas de diversas áreas que dão suporte aos atletas

Disputar quatro finais, manter ao menos as cinco medalhas femininas do Mundial do Rio de Janeiro 2013 e conseguir mais que um único pódio entre os homens, como ocorreu no ano passado na capital fluminense. Essas são as metas da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para o Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, que começa nesta segunda-feira (25.08) e prossegue até o dia 31 de agosto.

A competição, segundo o coordenador técnico Ney Wilson, servirá como “um grande laboratório de avaliação para chegarmos bem amadurecidos aos Jogos Olímpicos do Rio 2016.”

Assim, além dos atletas, viajaram para Chelyabinsk todos os especialistas em ciências do esporte que trabalham para a CBJ. “Nossa equipe multidisciplinar vai completa, porque essas pessoas também precisam ser treinadas para grandes eventos. Sempre avaliamos os atletas depois de Mundiais e, agora, também avaliaremos os profissionais das várias áreas que estarão lá, no apoio”, explica o coordenador. “Queremos que a engrenagem toda funcione muito bem”, prossegue o dirigente.

Ney Wilson acredita que as equipes irão cumprir as metas traçadas para este Mundial. “Será melhor do que 2013, porque as duas equipes estão mais ‘cascudas’, apesar de estarmos levando seis estreantes. Isso pode pesar e não estaremos cobrando, mas eles têm qualidade e podem chegar a bons resultados”, afirma.

CBJ/Divulgação
CBJ/Divulgação#A campeã olímpica de Londres 2012 Sarah Menezes, atual vice-líder do ranking mundial, é uma das esperanças do Brasil no Mundial da Rússia
A campeã olímpica de Londres 2012 Sarah Menezes, atual vice-líder do ranking mundial, é uma das esperanças do Brasil no Mundial da Rússia

Das 14 categorias (sete femininas e sete masculinas), o Brasil terá 12 cabeças de chave, com mais chance de terminar nas oito primeiras posições. E ainda será o único país a ter duas atletas em uma mesma categoria (Rafaela Silva e Ketleyn Quadros, nos 57 kg).

O coordenador técnico da CBJ faz uma análise do Brasil no último Mundial, no Rio 2013, para justificar as metas para o Mundial deste ano: “Primeiro, foi um capítulo à parte, porque competimos em casa. A equipe feminina era praticamente a mesma dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Era jovem, mas já com bagagem. A equipe masculina estava em processo de renovação.”

No Mundial do Rio 2013, o Brasil foi o quarto melhor no quadro de medalhas, depois de ter ficado em oitavo em Paris 2011. Vale lembrar que o judô não tem Mundiais em anos olímpicos, como 2012.

Na capital fluminense, as mulheres somaram cinco medalhas, com Rafaela Silva (57 kg) tendo levado o país pela primeira vez a um ouro feminino em Mundiais. Érika Miranda (52 kg) e Maria Suelen Altheman (+78 kg) ficaram com a prata, enquanto Mayra Aguiar (78 kg) e Sarah Menezes (48 kg, a primeira brasileira campeã olímpica, em Londres 2012, foram bronze. A equipe feminina, com essas conquistas, terminou a competição no Rio de Janeiro como vice-campeã mundial, perdendo apenas para o Japão. No masculino, a única medalha foi a prata de Rafael “Baby” Silva (+100 kg).

“Este Mundial 2014 será importante para avaliação antes dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 – não só dos atletas como dos especialistas da equipe multidisciplinar (estrategismo, nutrição, fisiologia, medicina esportiva, psicologia, biomecânica, fisioterapia, preparação física e estatística)”, ressalta Ney Wilson.

Ele lembrou que o judô brasileiro, modalidade que mais medalhas olímpicas deu ao país, com 19 pódios (3 ouros, 3 pratas e 13 bronzes), está sempre comprometido com bons resultados, tanto que nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 a equipe optou por não ficar hospedada na Vila Olímpica para não atrapalhar a concentração dos atletas.

“Competições multiesportivas são diferentes, porque existem ‘perturbações’ que fogem do nosso controle. Por isso, optamos por ficar fora da Vila Olímpica em Londres. Por exemplo: se vamos dormir às 22h, mas há outros atletas falando alto, jogando no computador, o sono e o foco dos nossos atletas podem ficar comprometidos. E nós temos um objetivo claro: não vamos para participar ou passar de fase. Vamos focados para fazer resultado”, afirma o dirigente.

Campeã mundial ressalta importância do apoio

No Mundial de 2013, no Rio de Janeiro, a carioca Rafaela Silva fez história ao se tornar a primeira judoca do país a conquistar uma medalha de ouro na competição.

CBJ/Divulgação
CBJ/Divulgação#Atual campeã mundial da categoria - 57kg, Rafaela Silva viajou com um único objetivo: defender o título conquistado no Rio de Janeiro, em 2013
Atual campeã mundial da categoria - 57kg, Rafaela Silva viajou com um único objetivo: defender o título conquistado no Rio de Janeiro, em 2013
Agora, para o Mundial da Rússia, a atual campeã do mundo vai lutar para defender o título. “Eu estou treinando bastante e fazendo as mesmas coisas que eu fiz no ano passado para tentar manter o feito que eu conquistei no Maracanãzinho, em 2013”, revela Rafaela.

Para a judoca, vice-líder do ranking mundial na categoria – 57kg, o Brasil chegará muito forte para o Mundial da Rússia. “Acho que a equipe vem crescendo cada vez mais. Estamos com uma união bem concreta”, acredita Rafaela. “Nos treinamentos, a gente sempre procura ajudar um ao outro e não ficar só focando no individual. No Mundial tem a competição individual, mas temos, também, no final, a competição por equipe, e essa união é muito importante para um bom resultado”, continua.

Outro fator crucial para a evolução da modalidade é o apoio que o judô tem recebido por parte do Governo Federal. “O Ministério do Esporte e a Bolsa-Pódio ajudam bastante o atleta a se manter na carreira. Não existe esporte fácil e nem esporte barato. Em qualquer esporte você tem que gastar dinheiro com transporte, com material, suplementação (alimentar)... Então, toda essa ajuda é muito importante para o atleta”, destaca a campeã mundial, que ressalta ainda que as condições atuais são as melhores possíveis para os judocas.

“Tudo o que a gente precisa a gente tem à disposição: nutricionista, fisioterapeuta, preparador físico, técnico... Se a gente precisa de um auxiliar, de uma viagem para treinar com algum atleta ou para competir, enfim, tudo o que a gente precisa a confederação está proporcionando para a equipe. Isso vem ajudando o judô a crescer cada vez mais”, enumera.

Sobre os Jogos de 2016, Rafaela Silva acredita que o Brasil, que já tem enorme tradição olímpica, com 19 pódios, tem tudo para fazer a melhor campanha de sua história. “Estamos treinando para isso, para fazer a melhor participação do Brasil na história das Olimpíadas. São 18 atletas e cada um está treinando para conseguir uma medalha. Então, acho que todo mundo vai querer conquistar seu espaço dentro do seu país.”

Por fim, Rafaela Silva não poupou elogios ao Centro Pan-Americano de Judô, cuja obra foi entregue em julho pelo Ministério do Esporte à CBJ, e que deverá ser inaugurado até o fim do ano. “Acho que essa estrutura ajuda bastante no crescimento do atleta, porque a gente não precisa se preocupar com horários, com transporte... É só acordar, levantar e ir para o tatame. Isso facilita muito. Além do mais, vamos poder juntar a equipe de base com a equipe adulta e isso vai ser muito bom para o crescimento do judô brasileiro.”

Sem medo da responsabilidade para 2016

Na lista de atletas ranqueados na Federação Internacional de Judô (IJF na sigla em inglês), o Brasil aparece com 3% do total. O país conta atualmente com 64 homens e 40 mulheres somando pontos em torneios pelo mundo e com judocas entre os top 10 em várias categorias de peso.

Como o esporte que mais medalhas olímpicas conquistou para o Brasil até hoje, o judô é considerado o “carro-chefe” na luta por medalhas para os Jogos Olímpicos do Rio 2016. Ciente disso, Ney Wilson diz não temer a responsabilidade.

“Lidamos bem com esse peso. Aliás, temos uma equipe de psicologia e neurociência há oito anos, com boa experiência acumulada e trabalhos que nos servem de parâmetros”, explica.

Fotos: fotocom.net e CBJ/Divulgação
Fotos: fotocom.net e CBJ/Divulgação#Rafael "Baby" Silva (E) e Charles Chibana: atualmente, os dois são os únicos brasileiros na liderança do ranking mundial
Rafael "Baby" Silva (E) e Charles Chibana: atualmente, os dois são os únicos brasileiros na liderança do ranking mundial

Dos judocas brasileiros que aparecem no ranking masculino da IJT, dez estão na categoria 60 kg e outros dez nos 66 kg. Há ainda 14 nos 73 kg; sete nos 81 kg, nos 90 kg e nos 100 kg; além de nove nos +100 kg. No ranking feminino, são cinco nos 48 kg; nove nos 52 kg; sete nos 57 kg e nos 63 kg; quatro nos 70 kg; cinco nos 78 kg e três nos +78 kg.

Atualmente, 14 judocas do país (oito homens e seis mulheres) estão classificados entre os 10 melhores do ranking mundial, sendo que dois atletas, Charles Chibana (-66kg) e Rafael Silva (+ 100kg), são número 1 do mundo. Completam a lista dos top 10 do Brasil (por ordem de categoria): Felipe Kitadai Felipe Kitadai (6º/- 60kg); Alex Pombo (4º/- 73kg); Victor Penalber (3º/- 81kg); Tiago Camilo (10º/- 90kg); Luciano Corrêa (10º/- 100kg); David Moura (6º/+ 100kg); Sarah Menezes (2ª/- 48kg); Erika Miranda (2ª/- 52kg); Rafaela Silva (2ª/- 57kg); Ketleyn Quadros (6ª/- 57kg); Mayra Aguiar (4ª/- 78kg) e Maria Suelen Altheman (2ª/+ 78kg).

Convocados para o Mundial de Chelyabinsk 2014:

Mulheres

48 kg - Sarah Menezes* (AJ Expedito Falcão/PI)
52 kg - Erika Miranda* (Minas TC/MG)
57 kg - Rafaela Silva* (Instituto Reação/RJ) e Ketleyn Quadros* (Minas TC/MG)
63 kg - Mariana Barros (SESI Bauru/SP)
70 kg - Bárbara Timo (CR Flamengo/RJ)
78 kg - Mayra Aguiar* (Sogipa/RS)
+78 kg - Maria Suelen Altheman* (AJ Rogério Sampaio/SP) e Rochele Nunes (Sogipa/RS)

Homens

60 kg - Felipe Kitadai* (Sogipa/RS) e Eric Takabatake (EC Pinheiros/SP)
66 kg - Charles Chibana* (EC Pinheiros/SP)
73 kg - Alex Pombo* (Minas Tênis Clube/MG)
81 kg - Victor Penalber* (Instituto Reação/RJ)
90 kg - Tiago Camilo (EC Pinheiros/SP)
100 kg - Luciano Correa (Minas Tênis Clube/MG)
+100 kg - Rafael Silva* (EC Pinheiros/SP) e David Moura* (Instituto Reação/RJ)

* cabeças-de-chave

Brasil 2016 / Ministério do Esporte
Fonte Brasil 2016 / Ministério do Esporte 25/08/2014 ás 10h

Compartilhe

Judô: Mundial da Rússia será um "grande laboratório" para atletas e equipe multidisciplinar