Insônia: mal do jovem moderno

Fonte Jornal da PUC - RJ 07/09/2015 às 10h

Insônia: mal do jovem moderno

Pesquisa revela que jovens brasileiros dormem mal e uso abusivo de aparelhos eletrônicos está entre as causas.

 

 

 

 

Um estudo organizado pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) revelou que 88% dos jovens brasileiros dormem mal e apresentam distúrbios ligados ao sono, e 43% sofrem de insônia. A pesquisa mostra também que 82% dos jovens dormem com o celular ligado ao lado da cama.

De acordo com a psicológa Aparecida Balbino, a utilização abusiva dos dispostivios eletrônicos interfere diretamente no comportamento e no sono. Como os meios de comunicação estão totalmente incorporados ao dia a dia da geração do século XXI, a psicóloga aconselha tentar manter um equilíbrio no uso dos tablets, smartphones ou computadores.

– Os pais e terapeutas devem conversar previamente com os jovens, pois eles estão muito expostos à mídia. Esse limite tem que ser trabalhado, caso contrário, o exagero interfere no sono, na escola, no trabalho.

Aluna do curso de Jornalismo, Nicole Crivoi estuda pela manhã, trabalha à tarde e à noite se dedica aos exercícios da faculdade. Ela confessa que, por vezes, se distrai com o celular e adia a hora de dormir.

– Se eu deito e fico no celular para olhar algo, acabo me distraindo com várias coisas. Já fui dormir várias vezes mais tarde por causa disso, mas hoje tento me controlar mais. Então, eu vejo o que preciso ver e coloco o celular de lado. Quando estou com sono, não consigo me concentrar direito. Além disso, faço as coisas de forma mais lenta.

No caso de alguns jovens, como a estudante de Comunicação Social Jordana Coelho, a dependência de aparelhos tecnológicos é ainda mais intensa. Ela conta que passa, em média, de 15 a 18 horas por dia no smartphone, e que inclusive já deixou de cumprir compromissos para dar atenção a conversas feitas por redes sociais.

– Assim que perco um telefone, não consigo nem esperar 24 horas para comprar outro. Não porque eu tenha a necessidade que alguém fale comigo, ou porque a minha profissão dependa disso, mas simplesmente porque eu não consigo ficar sem saber o que está acontecendo no mundo das redes sociais.

De acordo com a psicóloga Aparecida Balbino, o tratamento psicológico auxilia na hora do descanso dos jovens na medida em que eles se conhecem melhor e, dessa forma, tomam conhecimento das limitações do organismo.

– Quando o sono dos jovens não é completo pode vir a causar, no futuro, estresse e agressividade. E os jovens acabam por não perceber isso. É importante que eles se conheçam para procurar o equilíbrio. Para se ter noção, no meu consultório, um terço dos meus pacientes é composto de jovens.

Especialista em sono, a neurologista Andrea Bacelar observa que outro problema que atrapalha o sono e também interfere na vida dos jovens é dormir fora do horário habitual. A neurologista afirma que esse costume faz com que se tenha mais sono durante o dia.

– As pessoas dormem fora do ritmo biológico. Temos um ritmo que é uma preferência genética, porque o nosso cérebro vai se programar para dormir, para ter vontade de dormir. E muitas vezes as pessoas vão contra o próprio ritmo. O que acontece é que, ou por estar devendo sono, ou por estar com o sono fora do horário habitual, as pessoas vão tentar deitar ou dormir em horários inapropriados. Com isso, o sono não vem adequadamente. Tem que ter disciplina e regularidade no horário de dormir.

O cansaço, que muitas vezes advém da falta de organização para estabelecer uma rotina na hora de deitar, é também um dos sintomas da insônia, um distúrbio para iniciar e manter o sono. Andrea Bacelar explica que muitas pessoas têm essa dificuldade e, mesmo cansadas, não conseguem dormir. Por outro lado, a neurologista alerta que dormir muito não é sinônimo de descanso.

– Uma das queixas da insônia é que a pessoa está cansada, deita no horário habituado, mas não consegue desligar, dormir. A cabeça fica em um estado de hipervigilância, de ficar hiperalerta. Muitas pessoas que têm essa dificuldade para iniciar o sono não necessariamente compensam esse sono ao longo da manhã. O que acontece muitas vezes é que a pessoa desperta no horário da manhã ou precocemente e continua cansada, com fadiga do corpo e da mente durante o dia, mas não tem sono.

A alimentação inadequada, ainda segundo Andrea, também é um fator que prejudica a qualidade do sono dos jovens. A médica esclarece que comer em momentos inapropriados e ingerir calorias em horários incorretos alteram negativamente o sono.

– A fome é um alerta de sobrevivência. Dormir e se alimentar de maneira inadequada faz com que uma coisa interfira na outra. Um indivíduo que cronicamente dorme pouco e dorme mal ganha peso, independente de comer muito. O fato de também passar um intervalo de tempo maior sem se alimentar faz com que aumente a fome, e faz com que as pessoas se alimentem mais do que necessitem, por isso, os nutricionistas estimulam a alimentação a cada três horas.

Jornal da PUC - RJ
Fonte Jornal da PUC - RJ 07/09/2015 ás 10h

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