Hamilton leva na estratégia GP do Canadá, e F1 vê sétimo vencedor diferente em 2012

Fonte Warm Up 10/06/2012 às 18h

Hamilton leva na estratégia GP do Canadá, e F1 vê sétimo vencedor diferente em 2012

Sete corridas, sete vencedores, e segue imprevisível a temporada de 2012 da F1. Com uma ultrapassagem no final da 64ª de 70 voltas, Lewis Hamilton superou Fernando Alonso para conquistar uma vitória mais do que emocionante no GP do Canadá, na tarde deste domingo (10), em Montreal. O britânico fez uma parada a mais que Sebastian Vettel e Alonso, mas, com pneus novos no trecho final, era 1s por volta mais rápido que os rivais. Com a bandeira do Reino Unido nas mãos, o mais novo líder do Mundial — com 88 pontos, dois a mais que Fernando e três a mais que Sebastian — comemorou muito seu 18º triunfo na categoria máxima do automobilismo.

No duelo de campeões mundiais, Hamilton passou por Vettel — que logo na sequência desistiu e foi aos boxes para colocar um novo jogo de pneus supermacios — e partiu, então, para cima da Ferrari do espanhol que, sem velocidade de reta e lutando contra a asa móvel da McLaren, foi presa fácil. Uma das vitórias mais difíceis da carreira de Hamilton, sua terceira no Canadá, e a terceira consecutiva da escuderia de Woking no circuito de Montreal.

Nas seis voltas que se seguiram à ultrapassagem de Hamilton, Alonso, com os pneus completamente gastos, que usava desde a volta 19, não resistiu e perdeu outras três posições. Primeiro, para Romain Grosjean, da Lotus, depois para Sergio Pérez, da Sauber, que voltaram a subir ao pódio em 2012 — é a segunda vez que cada um deles fica entre os três primeiros. Por fim, Vettel, que demonstrou ter acertado ao fazer um segundo pit-stop, também passou pela Ferrari e terminou na quarta posição. O espanhol foi apenas o quinto.

Para os brasileiros, um GP do Canadá sem grandes acontecimentos. Largando em sexto, Felipe Massa começou bem e fez uma bela ultrapassagem sobre Nico Rosberg na segunda volta, mas rodou sozinho pouco depois e perdeu várias posições. No fim, conseguiu beliscar um pontinho por terminar na décima posição. Já Bruno Senna, com uma Williams fraca nesta sétima etapa, não fez nada demais e ficou apenas em 17º, uma volta atrás de Hamilton.

Saiba como foi o GP do Canadá de F1, em Montreal

De forma até surpreendente, a largada e a passagem pela primeira curva do circuito Gilles Villeneuve foi feita sem problemas por todos os pilotos. As posições foram mantidas entre os seis primeiros. Di Resta passou Grosjean e garantiu o sétimo posto. Senna cruzou a linha de chegada em 15º. Massa manteve o sexto lugar, mas muito próximo de Rosberg.

Vettel abriu vantagem razoável para Hamilton, 1s4. Massa, muito bem, conseguiu passar Rosberg por fora na chicane que antecede a reta dos boxes no fim da segunda reta, assumindo assim uma boa quinta colocação. Senna, por sua vez, não conseguia encontrar um bom rendimento e foi superado por Kovalainen, caindo para 16º.

O nome do começo da prova era Di Resta. Em grande forma, o escocês abriu caminho e, com o auxílio da asa traseira móvel, conseguiu ultrapassar Rosberg, claramente com ritmo de corrida inferior aos adversários do topo. O jovem da Force India subiu para sexto, tendo um início de prova bastante animador.

Massa também vinha bem, em quinto, mas cometeu um erro na saída da curva 1 na abertura da quinta volta, perdeu a traseira e rodou sua Ferrari. O prejuízo foi enorme, já que o brasileiro caiu para 12º, voltando entre os dois carros da Sauber: Kobayashi na frente, Pérez em 13º. Na mesma volta, Senna também cometeu um erro e caiu para 19º, sendo superado por Vergne, Ricciardo e por seu companheiro de equipe, Maldonado, que vinha em franca reação após ter largado em 22º.

Lá na frente, Vettel até conseguia se manter na ponta, mas não conseguia abrir vantagem para Hamilton que, lentamente, chegava mais próximo do alemão, virando alguns décimos mais rápido que o bicampeão do mundo. Alonso vinha um pouco mais atrás, mas não indicava ter condições de lutar pela vitória.

Na volta 12, Massa abriu a primeira janela de pit-stops em Montreal, substituindo os seus pneus supermacios por compostos macios. Entre os ponteiros, Di Resta, em quinto, tinha ritmo mais lento que os adversários, já que seus pneus estavam bastante desgastados. Tanto que, uma volta depois de Felipe, o escocês e Schumacher fizeram suas respectivas paradas.

Hamilton definitivamente tinha ritmo de corrida melhor que Vettel, que já estava sofrendo com o desgaste dos pneus. Melhor que os dois só Alonso, que conseguia rodar abaixo de 1min20s naquele momento. Outro que vinha bem era Rosberg, que já não tinha mais Di Resta pela frente e, com pista limpa, fez a então melhor volta da prova, com 1min19s536.

Sem condições de permanecer na pista, Sebastian teve de ir para os boxes na volta 16 para fazer sua troca. Hamilton assumiu a ponta, e Vettel voltou à pista em quinto. Na volta seguinte, foi a vez de Lewis, pressionado por Alonso, realizar seu pit-stop, sendo seguido por Webber. No retorno a pista, o britânico voltou à frente de Vettel, na quarta colocação, mesmo perdendo certo tempo na saída dos boxes.

Aproveitando o fato de ter ficado com a pista livre, Alonso forçou o ritmo, fez duas voltas muito rápidas antes de fazer seu pit-stop, no giro 19. O espanhol conseguiu voltar à frente de Hamilton e de Vettel, em segundo lugar. Naquele momento, Grosjean ocupava a liderança momentânea da prova. Entretanto, Fernando não suportou a pressão de Hamilton que, no fim da volta, na grande reta, usou a asa móvel para superar o piloto da Ferrari e subir para segundo, seguido por Alonso e Sebastian. Uma volta depois, na 20ª, foi a vez de Romain realizar sua parada, e, a partir de então, as posições reais foram reestabelecidas em Montreal.

Com pista livre à frente, Hamilton exibiu a grande forma da McLaren e abria boa vantagem para Alonso. Na volta 28, Lewis fizera a então melhor volta da corrida, com 1min18s455, e conseguiu abrir 3s4 de frente para o piloto da Ferrari. Vettel tentava se aproximar do espanhol, que defendia bem a segunda colocação. Mais atrás, Räikkönen e Pérez, com estratégia diferente, se mantinham na pista, ambos com pneus médios, ainda sem terem efetuado seus respectivos pit-stops.

Aos poucos Massa vinha mostrando bom trabalho e, na medida do possível, estava reagindo. Felipe ocupava o nono lugar, próximo de Grosjean, oitavo. Senna, entretanto, seguia decepcionando e, em 20º, não conseguia passar as Caterham de Kovalainen e Petrov, ambos com velocidade final melhor que a Williams de Bruno.

A colocação parcial da prova, na volta 35, exatamente a metade da corrida, era: Hamilton, Alonso, Vettel, Räikkönen, Pérez, Webber, Rosberg, Grosjean, Massa e Di Resta no rol dos dez primeiros, Rosberg tinha a volta mais rápida, com 1min17s972. Senna, por sua vez, permanecia em 20º, logo atrás dos carros da Caterham de Kovalainen e Petrov. Apenas Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan, da HRT, abandonaram a prova até aquele momento.

A partir daquele momento a corrida adquiriu um ritmo mais monótono, sem tantas brigas por posições, indicando um jogo de xadrez no quesito estratégia. Com exceção de Pérez e Räikkönen, todos os outros 20 pilotos ainda remanescentes na corrida indicavam uma tática de duas paradas.

Kimi retardou ao máximo seu pit-stop. A Lotus optou por chamá-lo apenas na volta 40. Dessa forma, o finlandês teria de resistir na pista por 25 voltas com os compostos supermacios, mais rápidos, mas, ao mesmo tempo, bem menos duráveis que os pneus macios. Pérez, exatamente no giro seguinte, também realizou a sua parada, voltando imediatamente atrás de Rosberg e à frente de Räikkönen, ganhando a oitava colocação em Montreal.

Michael Schumacher teve mais uma corrida discreta na temporada. O heptacampeão mal apareceu nas câmeras, até que aconteceu um problema inusitado, mais um desses azares que atormentam o veterano da Mercedes em 2012. A asa traseira móvel do W03 de Schumacher simplesmente não fechava. Depois de os mecânicos do time alemão tentarem literalmente resolver o problema na porrada, e sem sucesso, Michael teve de abandonar a prova, permanecendo com míseros dois pontos em sete provas do Mundial.

Tranquilo na liderança, Hamilton fez sua segunda parada na volta 50. Só que a McLaren mais uma vez errou na parada do britânico, mais precisamente no pneu traseiro direito, levando a musa — e noiva de Lewis —, Nicole Scherzinger ao desespero em Montreal. Para descontar o tempo perdido no pit-lane, o piloto acelerou o que pôde e fez, no giro 52, a volta mais rápida da prova no momento, com 1min17s135. Alonso ainda ocupava a liderança, com Vettel em segundo e Hamilton completando o top-3.

Enquanto Lewis era a grande estrela do GP do Canadá, Jenson Button só dava sequência à má fase na temporada que teve como único grande momento a vitória no GP da Austrália. Com o mesmo carro de Hamilton, Button levou uma volta do líder, Alonso, tendo um ritmo de corrida inexplicável com um carro com o potencial da McLaren.

Com Alonso e Vettel à frente, restava saber se ambos fariam mais uma parada. Hamilton, com pneus macios mais novos, virava 1s mais rápido que Fernando, indicando claramente que tinha o melhor carro da prova e provando que sua estratégia estava correta. Massa, com a mesma estratégia de Alonso, também sucumbiu ao desgaste dos pneus e perdeu posições para Pérez, Rosberg e Webber. O brasileiro não resistiu e foi aos boxes na volta 59 para colocar novos pneus macios.

Faltando dez voltas para o fim da prova, já não havia diferença de Hamilton para Vettel, o segundo. A ultrapassagem era questão de tempo. A briga entre Lewis e o bicampeão do mundo era benéfica para Alonso, que conseguiu escapar um pouco na frente.

E não teve nem graça. Com a ajuda da asa traseira móvel, Hamilton passou fácil por Vettel na grande reta do circuito Gilles Villeneuve, tendo só Alonso à sua frente. Lewis estava cada vez mais próximo de sua primeira vitória na temporada e, principalmente, da redenção da McLaren no ano e de colocar um sétimo vencedor diferente em sete corridas em 2012, tornando, definitivamente, um campeonato lendário.

Com o vencedor praticamente definido, Alonso tinha de tomar cuidado com a perigosa aproximação de Grosjean. Mas, com os pneus extremamente desgastados, Fernando não foi páreo para o piloto da Lotus que, assim como Hamilton, fez sua ultrapassagem no fim da grande reta graças ao auxílio da asa móvel.

Como um guerreiro, Alonso tentava o máximo possível de pontos para manter a liderança do campeonato. Mas Fernando não contava com a astúcia de Pérez que, com seus pneus macios, tirou quase 10s em três voltas e, no giro 67, fez a ultrapassagem e posicionou a Sauber no top-3 do GP do Canadá, vindo para seu segundo pódio na carreira. Alonso também não resistiu a Vettel, que, de maneira tardia, fez seu segundo pit-stop e conseguiu amenizar o prejuízo depois de ter começado a prova como maior favorito à vitória.

E não teve mesmo para ninguém em Montreal. Em um circuito que parece ter sido feito sob medida para a McLaren, Hamilton manteve a ponta com autoridade e, na base da estratégia, celebrou sua 18ª vitória na carreira, a primeira em 2012, a sétima de um piloto diferente após sete corridas na temporada. De quebra, o britânico assumiu a liderança do Mundial de F1 com 88 pontos, dois a mais que Alonso e três a mais que Vettel. Grosjean e Pérez, brilhantes, completaram o jovem pódio em Montreal. Alonso resistiu bravamente ao desgaste dos pneus e conseguiu um quinto lugar.

Warm Up
Fonte Warm Up 10/06/2012 ás 18h

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