Fórum transmite ao vivo procedimento de biópsia em resolução 4K

Fonte Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 04/09/2014 às 10h
Com o apoio da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) realizou pela primeira vez a transmissão ao vivo com compressão, em resolução 4K, de um procedimento de biópsia de pele no Hospital Universitário de Brasília (HUB), ocupando menos de 1 gigabit por segundo (Gb/s) de largura de banda da rede. A solução foi desenvolvida pelo Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital da Universidade Federal da Paraíba (Lavid/UFPB) e financiada pela RNP.

O procedimento de biópsia, realizado nessa terça-feira (2), foi feito numa lesão na perna de um paciente com suspeita de leishmaniose e demonstrado em detalhes pelo médico Ciro Gomes, a partir do HUB, para participantes do 3º Fórum RNP, em Brasília (DF). Com tema e-saúde, o evento é dirigido a profissionais de tecnologias da informação e da comunicação (TICs) e fornecedores, coordenadores de projetos de pesquisa, pró-reitores e diretores de universidades, além de gestores públicos.

A transmissão feita em resolução 4K – existente em televisão digital e cinema digital – também é chamada de ultra high definition e possui uma qualidade de imagem bem maior que a full HD, e chega a ter uma resolução quatro vezes maior que as convencionais. "Isso é especialmente importante porque essa é uma comunidade que tem muito a ganhar com o uso da tecnologia de informação e comunicação", afirma o diretor-geral da RNP, Nelson Simões.

Segundo SImões, trata-se de uma das aplicações usadas na Rute [Rede Universitária de Telemedicina] que podem ser compartilhadas com vários outros grupos distribuídos no Brasil. "Por exemplo, em casos muito raros ou de técnicas muitos recentes conhecidas por certos profissionais ou pesquisador que podem ser transmitidas e com um grau de detalhe e de profundidade para um número muito maior de pessoas".

Expansão

Em 2013, a RNP promoveu a primeira transmissão de quatro cirurgias em 4K, em tempo real e de forma simultânea, do Brasil para os Estados Unidos. Os hospitais universitários federais de Porto Alegre (HCPA/UFRS), do Espírito Santo (Hucam/UFES) e do Rio Grande do Norte (Huol/UFRN), além da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), foram as instituições responsáveis pelos procedimentos.

A demonstração do ano passado teve dois pontos de visualização: um em Brasília, no Brasil, e outro em San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, onde o evento foi feito pelo CineGrid, associação internacional integrada por entidades e estúdios de cinema, empresas de tecnologia, universidades e redes de pesquisa de vários países. Para isso, foi utilizado o pacote de software denominado Player Fogo, desenvolvido pelo Lavid, em parceria com a RNP, que transmite, reproduz, armazena e transcodifica os vídeos em UHD (ultra alta definição).

Segundo o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Leandro Ciuffo, a novidade da transmissão de hoje foi a compressão entre 50 e 100 megabits por segundo (Mb/s), já que nos experimentos realizados foram utilizadas redes de alta capacidade, para as quais era necessário mais de 3 Gb/s (o que representa 3 mil Mb/s) de velocidade de rede.

"Temos hospitais universitários conectados a 10 Gb/s, mas já é um número reduzido. Para podermos popularizar essa solução, ampliar e instalar em lugares do interior e mais remotos era necessário reduzir essa demanda", explica Ciuffo."Então com essa atualização, a rigor, toda instituição conectada à Rede Ipê teria a condição necessária para receber essa transmissão. Sem esse desenvolvimento, só um grupo de 50 instituições que têm conexões acima de 3 Gb/s poderiam recebê-la", acrescenta.

Para a doutora em dermatologia e professora da UnB Raimunda Sampaio, a possibilidade de transmitir um procedimento como esse para áreas remotas do País é de grande importância por se tratar de uma doença (leishmaniose) de difícil diagnóstico e com riscos de complicações no tratamento. "Acreditamos que seja um procedimento perfeitamente aplicável e que o profissional que entrar em contato pela imagem seja capaz de adquirir habilidades com treinamento e poder aplicá-lo em regiões mais pobres e de menor acesso à saúde", diz.


Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Fonte Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação 04/09/2014 ás 10h

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