Família de jovem desaparecida quer se reunir com homem que tentou matar o Papa

Fonte Ansa Flash. 19/01/2010 às 12h

A mãe de Emanuela Orlandi -- jovem raptada quando tinha 15 anos -- pediu um encontro com o agressor de João Paulo II após este dizer saber sobre o sequestro

Parentes de Emanuela Orlandi, cidadã vaticana que foi sequestrada quando tinha 15 anos, anunciaram a intenção de marcar um encontro com o turco Mehmet Ali Agca, homem que tentou matar João Paulo II, e que hoje revelou que esta mulher "está viva".

Orlandi está desaparecida desde 1983. Na época, o caso gerou intensa comoção no país, mas recentemente ela havia sido dada como morta.

"Emanuela Orlandi está viva", diz o turco em uma entrevista concedida por escrito ao jornal La Repubblica. "Posso revelar que Emanuela foi raptada por uma organização poderosa apenas para obter a minha libertação e não existe nenhum outro motivo", continua.

No texto, ele ainda afirma que a mulher -- que hoje estaria com 42 anos -- "está sendo tratada humanamente" e que pretende levá-la ao Vaticano ainda este ano.

Detido na Turquia desde 2000, Agca foi solto ontem. Antes, ele permaneceu em uma penitenciária italiana por 19 anos -- pela tentativa de homicídio contra João Paulo II em 1981 -- e foi extraditado depois de ter recebido indulto.

Após tomar conhecimento da declaração, a mãe de Emanuela, Maria Orlandi, pediu um encontro com Agca. "Após 26 anos de angústia" à espera de informações sobre o paradeiro da filha, Maria disse esperar agora "qualquer coisa boa, mesmo que seja do homem que atentou contra o Papa, que poderia ter um pouco de consciência depois de tantos anos".

"Se Agca sabe de verdade onde está Emanuela, nós o encontraremos", declarou ela à mesma publicação.

João Paulo II e Bento XVI

Ainda na entrevista, Agca fala de João Paulo II, considerando-o um "homem excepcional" e um "símbolo" do "Evangelho do Amor" e diz desejar "todo o bem" a Bento XVI. O turco também retoma suas declarações sobre a Bíblia.

Ontem, ao ser solto, os advogados do agressor de Karol Wojtyla divulgaram uma mensagem na qual ele dizia ser Jesus Cristo e fazia críticas à Bíblia. Em um dos trechos, o turco alerta que todas as pessoas morrerão e "todo o mundo será destruído neste século".

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 19/01/2010 ás 12h

Compartilhe

Família de jovem desaparecida quer se reunir com homem que tentou matar o Papa