Evo Morales diz que quer continuar diálogo com Chile através de Piñera

Fonte Ansa Flash 18/01/2010 às 15h

O presidente da Bolívia, Evo Morales, expressou hoje sua esperança de normalizar as relações diplomáticas com o Chile depois de declarar seu "respeito à vocação democrática do povo chileno" e felicitar o vencedor do segundo turno das eleições, realizado ontem.

Com 99,77% das urnas apuradas, o vencedor do segundo turno da jornada eleitoral iniciada no dia 13 de dezembro foi o opositor Sebastián Piñera, da Coalizão pela Mudança, que contabilizou 51,6% dos votos. O governista Eduardo Frei, da aliança de centro-esquerda Concertación, obteve 48,39% das preferências.

Morales disse ainda que "manterá sempre relações diplomáticas como todo o mundo, não importa de que tendência sejam seus governos". "Temos relações com os Estados Unidos, ainda que com muitos problemas. O que é melhor que ter relações com um país irmão e vizinho?", questionou.

Devido à Guerra do Pacífico (1879-1883), Bolívia e Chile têm as relações diplomáticas rompidas desde 1962. Houve apenas um intervalo de reaproximação, entre 1975 e 1978, quando os países eram então governados respectivamente pelos ditadores Hugo Banzer e Augusto Pinochet.

O presidente boliviano manifestou seu desejo de manter com o governo de Piñera o diálogo aberto em 2006 com a mandatária chilena, Michelle Bachelet. Os dois haviam estabelecido uma agenda bilateral sem exclusões por ser "um compromisso de estado a estado".

Além disso, Morales disse que espera receber do novo regime uma oferta concreta sobre a reivindicação de seu governo por uma saída para o mar -- perdida para a nação vizinha durante o confronto territorial.

"Escutei em várias oportunidades que os conflitos internos na Bolívia impediram que o Chile faça uma proposta séria. Agora é o momento, porque há estabilidade política e confiança", declarou o presidente.

Ao comentar a mudança representada pela vitória de um candidato opositor de direita após 20 anos de gestões de centro-esquerda da Concertación, Morales descartou que a derrota da coalizão governista possa debilitar a corrente anticapitalista na região.

De acordo com o boliviano, apesar de haver "muitas tendências socialistas" no continente, "a rebelião dos povos e movimentos sociais contra o capitalismo é irrevogável", sobretudo quando se trata de temas como a defesa do meio ambiente.

"Todos os povos do mundo têm uma bandeira de luta para defender o planeta e a humanidade. Ali se definirá quem são os verdadeiros socialistas ou somente uma sigla na América Latina", completou.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 18/01/2010 ás 15h

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