Entidades judaicas reiteram críticas a beatificação de Pio XII

Fonte Ansa Flash 21/12/2009 às 15h

Entidades judaicas voltaram a se posicionar contra o processo de beatificação do papa Pio XII, acusado pela comunidade hebraica de ter sido omisso durante o Holocausto.

O presidente do Conselho Representativo de Instituições Judaicas da França (Crif), Richard Prasquier, disse que a aprovação do "Decreto das Virtudes" do Pontífice -- penúltima etapa para a beatificação -- é "prematura" e demonstra a "negligência" do Vaticano.

"Pio XII foi fraco, não fez discursos como profeta, mas tentou firmar compromissos com a Alemanha nazista", disse Prasquier. "Foi o Papa [Pio XII] que, com seis milhões de hebreus sendo exterminados, não fez nenhuma declaração, nem durante, nem depois o conflito", acrescentou.

Por meio de uma nota, o Congresso Judaico Mundial ponderou que é necessário reabrir os arquivos de Pio XII para avaliar seu comportamento no período entre 1939 e 1945, quando ocorreu a Segunda Guerra Mundial.

"Até que não haja um parecer sobre a ação ou a inatividade [do Pontífice] em relação à perseguição de milhões de judeus, uma beatificação é inoportuna e prematura", afirma o texto, assinado pelo presidente da entidade, Ronald S. Lauder.

"Considerando a importância de ter boas relações entre católicos e judeus, e dadas as dificuldades nos últimos anos, seria apreciável se o Vaticano mostrasse mais sensibilidade nesta questão", disse Lauder.

Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli (nome de batismo de Pio XII) exerceu seu pontificado entre 1939 e 1958. No último sábado, o papa Bento XVI firmou diversos decretos, entre eles o que reconhece as virtudes heroicas do Pontífice, o que o eleva ao título de "venerável". Para se tornar beato, é necessária ainda a comprovação de um milagre.

Para o vigário das comunidades católicas de expressão judaica em Israel, David Neuhaus, as acusações contra Pio XII são "absolutamente sem fundamento".

"Compreendemos o desconforto de muitos de nossos irmãos que afirmam que o Papa não fez o suficiente para salvar os judeus durante o Holocausto. À luz disto, vem a pergunta: ´o Papa poderia ter feito mais?´", questionou o religioso.

"Somos testemunhas de muitas pesquisas sobre os esforços diplomáticos colocados em campo pelo papa Pacelli para pôr um fim à guerra e ao terror contra os judeus", reiterou Neuhaus.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 21/12/2009 ás 15h

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