Em meio à corrida às lojas, governo da Venezuela anuncia plano contra remarcação de preços

Fonte Agência Brasil. 11/01/2010 às 11h

O governo da Venezuela deu uma ordem geral de fiscalização contra a remarcação de preços ocorrida em todo país, depois que houve uma elevação nacional na maioria das mercadorias em resposta à maxidesvalorização da moeda. A medida foi tomada em paralelo à decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de colocar o Exército para controlar as empresas que ameaçam remarcar seus produtos.

O ministro do Comércio, Eduardo Samán, disse que haverá uma “fiscalização massiva” com o apoio da Guarda Nacional, dos Conselhos Comunitários e do Comitê de Controladoria. De acordo com o ministro, o aumento de preço é irregular e ilegal. Nos últimos dias, houve uma corrida dos venezuelanos às lojas em busca de produtos importados, sem remarcação, antes da maxidesvalorização da moeda.

Alguns jornais venezuelanos noticiam hoje (11) que Chávez teria ameaçado tomar as lojas dos comerciantes que insistirem na remarcação de preços. De acordo com a imprensa local, as lojas retiradas dos comerciantes seriam entregues aos trabalhadores para a construção de um “comércio socialista”.

A reação da população causou manifestações públicas de Chávez e sua equipe. O presidente venezuelano avisou que seria lançado um plano contra especulação para evitar o aumento estimulado pela “burguesia”. “Não há razão para ninguém aumentar preços”,afirmou Chávez, em seu programa de rádio Alô, Presidente.

Na última sexta-feira (8), Chávez anunciou a criação de uma taxa cambial dupla – uma para os setores básicos da economia, com um dólar a 2,60 bolívares, e outra para o restante da economia, com o dólar a 4,30 bolívares. A taxa oficial de câmbio era mantida estável pelo governo desde 2005 em 2,15 bolívares por dólar

Segundo o presidente venezuelano, a desvalorização do bolívar aumenta a competitividade dos produtos venezuelanos e reduzir a dependência das importações. Mas os críticos dizem que isso vai alimentar a inflação, que já chegou aos 25% anuais. Para ele, as duas taxas de câmbio terão o efeito positivo.


Aos correligionários, Chávez atribui à oposição uma campanha contra ele. Em seus discursos, o presidente venezuelano sugeriu que a oposição exija um referendo para verificar as ações de governo. Lembrou ainda que cumpre três anos do seu terceiro mandato.
 

Agência Brasil.
Fonte Agência Brasil. 11/01/2010 ás 11h

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