Economista diz que não há necessidade de aumentar taxa de juros nos próximos meses

Fonte Agência Brasil. 24/12/2009 às 9h

O economista da Confederação Nacional da Indústria, Marcelo de Avila, não vê a necessidade do Banco Central (BC) elevar as taxas de juros nos próximos meses para conter uma possível pressão sobre os preços, devido ao aumento do consumo provocado, entre outros fatores, pela facilidade de crédito.

Na avaliação do técnico, se houvesse um comportamento explosivo da inflação, a situação poderia ser definida como preocupante. Mas como esse risco é remoto, Avila não vê a necessidade de elevação da Selic (taxa básica de juros), atualmente em 8,75% ao ano.

"Por isso a gente não acredita e não pensa na necessidade do Banco Central voltar a elevar os juros.” Segundo Avila, mesmo com o crescimento sólido esperado e o aumento da demanda, ainda existe uma ociosidade no parque industrial brasileiro.

"Existe um crescimento sólido, crescimento de demanda, que poderia trazer preocupação inflacionária, mas, por outro lado, você ainda tem ociosidade do parque industrial e tem investimentos em curso, como os que estão sendo retomados porque foram engavetados [diante da crise]”, disse.

Para ele, são várias combinações de fatores que fazem com que a inflação não mostre qualquer tipo de pressão. Ele ressalta que os preços podem até aumentar um pouco, mas não haverá uma trajetória explosiva que impeça o Banco Central de exercer uma trajetória ascendente da taxa básica de juros. “A gente não acredita. Pode até ocorrer [elevação da taxa], mas o nosso cenário é de manutenção da Selic”, afirmou.

Na questão do câmbio, o economista entende que as últimas medidas adotadas pelo BC – taxando a entrada de moeda estrangeira no país e com o aumento das condições para que as empresas possam encontrar fontes de financiamento no mercado doméstico, com o lançamento de letras financeiras por parte de bancos locais – vão atenuar o fortalecimento do real.

Ele lembra que a percepção dos investidores mudou em relação ao Brasil, que praticava taxas de juros estratosféricas, pois tinha risco-país elevado e precisava atrair capital. Agora, lembra Avila, o padrão é outro e inverso porque, mesmo com a crise, os analistas vêem o Brasil com estabilidade monetária, fundamentos econômicos sólidos e avaliam bem a forma como o governo tem atuado diante da crise. Diante de tal visão do mercado financeiro sobre o país, segundo ele, é impossível no momento observar uma interrupção da entrada de capital externo.

“Primeiro porque o diferencial de taxas de juros ainda é imenso quando você compara os Estados Unidos e o Brasil. Segundo, quando você compara o Brasil com o resto do mundo é um país que está sendo visto, não como forte, com crescimento previsto de 5,5%, mas com um crescimento sólido e sustentável no sentido do avanço dos investimentos ao mesmo tempo.”

O economista, no entanto, reconhece que a valorização excessiva do real é preocupante justamente porque tira a capacidade de competitividade da indústria e sobrevaloriza os produtos brasileiros no exterior, prejudicando as exportações.

Em pesquisa da CNI relativa ao terceiro trimestre, a Sondagem Industrial, ficou claro que a expectativa dos empresários industriais para os próximos 12 meses é que a indústria nacional fique focada no mercado interno, que tem sustentado a recuperação econômica no Brasil.
 

Agência Brasil.
Fonte Agência Brasil. 24/12/2009 ás 9h

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