"É o momento de quebrar a inércia", propõe Carlos Nobre

Fonte Ascom do MCTI 07/06/2012 às 19h

Temos que quebrar essa inércia e esperamos que a Rio+20 seja o momento de isso acontecer. Quando os fatos são embasados em ciência, no melhor da ciência, não adianta fazer de conta, no estilo ‘eu não acredito, não quero ouvir’. Se os fatos estão mostrando vários desequilíbrios importantes e poucos progressos, a ação tem que ser correspondente”, propôs Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) durante a divulgação – hoje, no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a uma semana da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável).

O relatório aponta que nos últimos 20 anos houve aumento significativo do desmatamento das florestas e de emissões de gases, além da pesca excessiva, da poluição do ar e da água. O secretário apontou a importância do relatório para a conscientização mundial e decorrente tomada de ações. Para Carlos Nobre, “conhecer um número que demonstre uma situação geradora de consternação social, política e econômica, em si, não significa nada; esse relatório tem que ser a mola propulsora para ação”

Embora apenas quatro das 90 metas e objetivos ambientais firmados durante a Rio 92 tenham sido cumpridos, o relatório do PNUMA ressalva que há esperança de melhoria do cenário global. Neste aspecto, o documento cita o Brasil como exemplo positivo, em decorrência da adoção de medidas preventivas, devido à implantação do sistema de monitoramento de desmatamento da Amazônia por satélites.

Nobre destacou que “o Brasil está na vanguarda mundial em vários pontos. É o único país em desenvolvimento que tem metas para a redução da emissão dos gases e que tem legitimidade para assumir posição de liderança na Rio+20”, ressaltou. Para ele, o conhecimento científico traduz com precisão o censo de urgência do cenário atual.

“Quando esses dados mostravam um aumento contínuo, isso se tornou uma tragédia nacional, internacional, e foi a mola propulsora para o governo desenhar e implementar uma série de políticas públicas em todas as direções, mas principalmente na fiscalização e na redução do desmatamento ilegal”, acrescentou o secretário do MCTI.

Durante sua apresentação, Nobre alertou que “já passamos do ponto em que poderemos ter o futuro que queremos, e que estamos próximos do limite”. O secretário assinalou, ainda, que a diminuição da biodiversidade é um dos pontos mais alarmantes e disse que o desaparecimento do gelo no Polo Norte é praticamente irreversível, afetando não apenas o clima global, mas também a vida polar e marinha.

Ele defendeu, também, a implantação de uma política pública mundial para evitar o aquecimento global, uma vez que estudos comprovam que a Floresta Amazônica não resistiria a uma elevação de quatro graus na temperatura.

A opinião de Nobre foi compartilhada pelo secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério da Cultura, Carlos Klink, que destacou este formato de estudo como “fundamental para mostrar a capacidade dos setores de se engajarem”. Já Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, disse que, caso o cenário atual não se modifique e não haja ações para que seja revertido, “os governos devem assumir a responsabilidade de um nível de deterioração e de impacto sem precedentes no meio ambiente”.

A apresentação do GEO-5, que envolveu cerca de 300 especialistas ambientais, contou ainda com a presença de Achim Steiner, diretor Executivo do PNUMA, Henrietta Elizabeth Thompson, Coordenadora Executiva da Conferência Rio+20, Nick Nuttal, porta-voz do PNUMA, Fatoumata Keita-Ouane, chefe do setor de Avaliação Científica (PNUMA).


Ascom do MCTI
Fonte Ascom do MCTI 07/06/2012 ás 19h

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"É o momento de quebrar a inércia", propõe Carlos Nobre