Deputada argentina lança livro na Itália e critica políticas contra a imigração

Fonte Ansa Flash. 01/02/2010 às 16h


A deputada argentina Victoria Donda, filha de desaparecidos da ditadura de seu país (1976-1983), está na Itália para lançar o livro "Il mio nome è Victoria" ("Meu nome é Victoria"), informou a seção de Diretos Humanos da Embaixada da Argentina em Roma.

Nos próximos dias, Donda participará de debates e irá a um programa de TV. Sua obra, de caráter autobiográfico, será lançada nas cidades de Parma e Turim.

Nesta segunda-feira, a deputada criticou as medidas adotadas pelo atual governo italiano para combater a imigração clandestina no país, comparando-as ao "terrorismo de Estado" praticado pelo regime militar argentino.

Para ela, em ambas as situações prevalece uma "lógica econômica". "A ditadura militar na Argentina era um regime que se instaurou para poder implementar um determinado modelo econômico", disse ela.

"A decisão do governo italiano de reforçar as leis contra a imigração, por sua vez, também tem razões econômicas", explicou.

"Penso que aprovar leis injustas que façam com que um imigrante que fique por mais de seis meses sem trabalho seja um clandestino e, portanto, não consiga obter a cidadania, seja como acompanhar estas pessoas em direção a um estado de morte", prosseguiu a autora.

A Itália possui uma das legislações mais rígidas em relação à imigração ilegal. Em 2009, tornou-se um dos poucos países a classificar a prática como crime. O sul do país é considerado uma porta de entrada da Europa para estrangeiros irregulares oriundos da África.

Donda, hoje com 30 anos, nasceu no centro de detenção clandestina da Escola de Mecânica da Armada (Esma), em Buenos Aires, e é um dos 100 filhos de desaparecidos identificados pela organização Avós da Praça de Maio.

Ao todo, a entidade calcula que 500 crianças tenham sido tiradas de seus pais por repressores, muitas delas logo após terem nascido, e entregues a parentes ou pessoas próximas de oficiais militares.

A ditadura argentina foi uma das mais brutais da região. Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, 30 mil pessoas desapareceram entre 1976 e 1983.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 01/02/2010 ás 16h

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