Crise na Argentina entra na segunda semana e governo aguarda decisão da Justiça

Fonte Agência Brasil. 11/01/2010 às 12h

A crise política na Argentina, causada pela decisão da presidente Cristina Kirchner de trocar o comando do Banco Central, entra hoje (11) na segunda semana. A juíza María José Sarmiento analisa nesta segunda-feira as apelações do governo contra sua determinação de manter Martín Redrado à frente do BC e condenar o uso de recursos da reserva nacional para pagamento da dívida externa, como quer a presidente.

A juíza recebeu na manhã de hoje os documentos apelatórios do governo argentino, enviados pela Câmara do Contencioso Administrativo Federal. Paralelamente, os advogados de Redrado encaminharam documentos à magistrada. No sábado (9), o governo interpôs apelações às decisões da Justiça.

Também hoje (11) o vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, sem autorização de Kirchner, deve se reunir com os parlamentares para analisar a possibilidade de uma convocação extraordinária do Congresso Nacional – o Legislativo argentino está de recesso. O objetivo é realizar sessão extraordinária para analisar o decreto assinado na semana passada pela presidente exonerando Redrado.

Irritada com a atitude de Cobos, Cristina Kirchner desautorizou seu vice a conduzir as negociações. Segundo a presidente, Cobos atuaria contra o governo e ao lado da oposição, uma vez que já anunciou interesse em concorrer às eleições presidenciais no ano que vem. Em meio às controvérsias, a oposição se manifestou em favor da manutenção de Redrado e contra Kirchner. O governo tem minoria no Congresso.

Na última quinta-feira (7), Cristina Kirchner demitiu, por decreto, Redrado. A presidente defende que sejam usados cerca de US$ 6,6 bilhões das reservas estrangeiras para pagar vencimentos da dívida externa em 2010. Redrado é contra. Indignada com a insistência do presidente do Banco Central, a presidente teria designado Miguel Pesce, atual vice-presidente do BC, como interino. No entanto, seu objetivo seria nomear Mario Blejer.

Pelas leis da Argentina, o Banco Central é autônomo e o presidente da instituição deve ser designado e destituído pelo Congresso Nacional. O mandato de Redrado acaba em setembro deste ano. Ele se recusa a deixar as funções.


 

Agência Brasil.
Fonte Agência Brasil. 11/01/2010 ás 12h

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