Comentário Direto de Brasília - 30-03-2016

Fonte José Woitechumas 30/03/2016 às h

PMDB ABANDONA O BARCO E GOVERNO TEME DEBANDADA GERAL E IMPEACHMENT DE DILMA.

 

Meus caros ouvintes, leitores e telespectadores, aconteceu o previsto. Em rápida, coordenada e habilmente estruturada ação, o PMDB anunciou, por aclamação, sua saída do Governo Dilma Roussef. Saliento a presteza da ação pela ausência de Michel Temer, Presidente Nacional do Partido e Vice- Presidente da República que ensejaria uma série de ilações. E ausente também Renan Calheiros, Presidente do Senado federal, que é considerado ainda, apesar da decisão partidária, uma reserva técnica do Planalto contra o impeachment. Saliento este fato sobre Renan, pois sua ausência não teria lá outras justificativas que não manter o seu poder de barganha junto a um governo desacreditado e agora, isolado. Renan tem sobre si acusações que, na melhor das hipóteses, o transformam em réu nos processos ora em análise pelo Supremo Tribunal Federal. Não é difícil de imaginar que, comandando uma votação que definirá os destinos de Dilma Roussef, Renan não guarde como carta na manga, esta possibilidade de interferência. Não dá também para, diante desta situação, não relacionar o posicionamento do próprio STF, através do Ministro Barroso, de, contrariando o que diz a própria Constituição Brasileira, deixar a decisão de aceitar ou não o pedido de impeachment porventura aprovado na Câmara, exatamente no Senado, comandado por Renan Calheiros. Não creio que ele esteja disposto a afrontar o PMDB depois de uma decisão como esta de ontem, mas de raposas felpudas como Renan, tudo é possível. Ainda mais quando se trata de salvar a própria pele. A comunicação da decisão do PMDB foi rápida, uma cerimônia de menos de 5 minutos : “A partir de hoje, nessa reunião histórica, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB", enfatizou. A decisão do PMDB aumenta a crise política do governo e é vista como fator importante no processo de impeachment de Dilma. Há a expectativa de que, diante da saída do principal sócio do PT no governo federal, outros partidos da base aliada também desembarquem da gestão petista. Atualmente, o PMDB detém a maior bancada na Câmara, com 68 deputados federais. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla e as críticas contra Dilma se intensificaram com o acirramento da crise econômica e a deflagração do processo de afastamento da presidente da República. Pelo menos três dos sete ministérios que o PMDB ocupa no governo ainda relutam em deixar suas pastas: Kátia Abreu, da Agricultura, Marcelo Castro da Saúde e Celso Pansera, das Ciências e tecnologia, que aguardarão uma espécie de prazo, até 12 de abril, mesmo o partido tendo decidido que eles e centenas que ocupam cargos no governo devem sair “imediatamente”. Pode-se dizer que ainda não é o embate final, mas a decisão do PMDB é um duro golpe no governo e uma força considerável para a aprovação do impeachment da Presidente. Ainda mais se provocar o efeito dominó em outros partidos da base, que agora se esfarela. Direto de Brasília, José Woitechumas.  

 

José Woitechumas
Fonte José Woitechumas 30/03/2016 ás h

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Comentário Direto de Brasília - 30-03-2016