CNI descarta risco de pressões inflacionárias no momento

Fonte Agência Brasil. 26/12/2009 às 20h

O crescimento gradual da capacidade instalada da indústria é um dos indicadores que permitem à Confederação Nacional da Indústria (CNI) não ter maiores preocupações com o cenário inflacionário, principalmente quando se trata de preços industriais.

Segundo o economista da entidade Marcelo de Avila, até o momento os dados não mostram nenhum risco de inflação mesmo com o crescimento da demanda, a oferta de crédito e os incentivos do governo, que reduziu impostos para diversos setores, como automotivo e linha branca (geladeiras e máquinas de lavar por exemplo).

De acordo com o último boletim de investimentos na indústria divulgado pela CNI, apenas 46,3% das empresas realizaram os investimentos como planejado. Outros 49,8% não desenvolveram seus planos de investimento para 2009 como esperavam. As incertezas econômicas e à necessidade de reavaliação da demanda devido à crise econômica foram os principais motivos.

Além de não existir risco de inflação pois a produção ainda não atingiu o limite, tanto é que os dados mostram que o empresário não investiu para reduzir parte da ociosidade do parque industrial.

“Se ele tem cinco máquinas e duas apenas estão funcionando, ele pensa o seguinte: Se houver um aumento de demanda só precisa eu ligar outra máquina e não tem necessidade de qualquer investimento”, disse.

Ele lembra que quando a demanda começar a crescer, as máquinas restantes voltarão a ser ligadas. Mas só entre a quarta e quinta máquina, no caso do exemplo acima, próximo do limite, o empresário estará começando a chegar no seu teto da capacidade total de produção e aí sim será incentivado a começar a fazer os investimentos.

Marcelo de Avila lembra, porém, que os investimentos já se mostram presentes, não só no terceiro trimestre que foi de 6,5% na formação bruta de capital fixo mas também, se forem analisados os dados do mês de outubro da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) que registrou crescimento de quase 6% na produção de bens de capital.

“Aumentou a confiança do empresário, você vê o aumento de confiança do consumidor. O emprego está revigorando, está crescendo. Pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o emprego está ultrapassando as previsões mais otimistas, que diziam que seria 1 milhão de postos de trabalho e já está em 1,4 milhão”.

Avila, que também faz análise da atividade econômica para a CNI, acredita que o problema maior em consequência da crise tenha ocorrido em maior intensidade na indústria e o comércio e os serviços em geral mal foram impactado pela crise internacional.

Ele explicou que, na verdade, muito da crise não foi pela renda, mas sim pela falta de crédito, tanto para as pessoas físicas, quanto para as pessoas jurídicas. Segundo ele, houve uma queda muito forte do crédito.

“O mistério é para a pessoa jurídica o crédito ainda não retornou. Ainda está ruim e ainda está caindo. Então, está tendo uma diferenciação aí de crédito. O crédito para as pessoas físicas está indo muito bem, mas para pessoa jurídica, isso uma preocupação sim”, disse.
 


Na prática, a captação por meio de CDB limita a capacidade de o banco conceder empréstimos de longo prazo e com juros menores. Com a criação da letra financeira, que terá prazo mínimo de um ano, o governo espera reduzir o spread bancário – diferença entre os juros que o banco paga na hora de captar os recursos e as taxas cobradas na hora de emprestar. “As letras financeiras certamente terão impacto na diminuição do spread e na ampliação do crédito no país”, disse Oliveira.

Atualmente, os bancos podem captar recursos de longo prazo, mas apenas no exterior. Além da dependência em relação à disposição dos investidores internacionais, afetada pela crise financeira internacional, a captação externa traz outro problema. Ao entrar no país, esse dinheiro pressiona para baixo a cotação do dólar.

“Atualmente, os bancos só conseguem captar recursos de longo prazo por meio de bônus no exterior. Quando esse dinheiro entra no Brasil, certamente provoca impacto no câmbio, valorizando o real”, ressaltou Oliveira.

O secretário adjunto, no entanto, disse que o principal objetivo da medida não é cambial. “Na verdade, queremos evitar o descasamento entre passivos de longo prazo [empréstimos dos bancos] e ativos de curto prazo [fontes de recursos]”, explicou.

Anunciada no início do mês e instituída há duas semanas pela Medida Provisória 472, a letra financeira ainda depende de regulamentação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista para sair em janeiro. Os estudos técnicos do Banco Central que servirão de base para o conselho começarão no próximo mês. Entre as questões a serem decididas pelo CMN estão a forma de remuneração dos títulos, o prazo de vencimento, limites de emissão e o tipo de instituição financeira que poderá fazer os lançamentos.

 

 
Agência Brasil.
Fonte Agência Brasil. 26/12/2009 ás 20h

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