China continuará investindo na Itália após a Expo

Fonte ANSA 25/08/2014 às 21h
Presidente também confirmou visita oficial ao país.

25 Agosto, 20:58•ROMA•ZLR

(ANSA) - Foi confirmada uma visita oficial do presidente chinês e chefe do Partido Comunista, Xi Jinping, na Itália na metade de outubro para participar do Encontro Ásia-Europa (ASEM) junto a 27 países europeus e 15 outros asiáticos. A China quer aumentar o seu investimento no "Bel Paese" para além da Expo Milão 2015.

Nas últimas semanas, o Banco Popular da China, banco central do país, descobriu ter ações em algumas das maiores companhias italianas como Generali, Eni, Enel, Prysmian, Telecon e Fiat. O limiar para tornar pública uma empresa como acionista é de 2%, mas nas operações feitas, a participação chinesa foi superior a essa porcentagem, o que implica nos chineses não querendo passar desapercebidos, como normalmente fazem.

O interesse chinês na Itália vem crescendo bastante. Desde 2012, investimentos no capital italiano aumentaram consideravelmente - primeiro com a indústria da moda e náutica. Nos últimos anos, a China também tem sido uma compradora significativa da dívida pública da Itália.

A torrente de transações financeiras feitas em público mostra o interesse da China na Itália. Entre as razões geopolíticas para tal está o fato de que Pequim - depois de ter criado fortes relações em continentes como África - está abrindo novos caminhos de crescimento em um nível internacional que se contrabalanceia com o desenvolvimento doméstico, que está crescendo menos que o previsto.

A Europa está mais atrativa do que antes e a Itália parece ser claramente o país perfeito para se testar novas possibilidades de expansão por dois motivos. O primeiro é a grave crise econômica que abriu o país para o capital externo e o segundo é que a Itália é um país muito mais aberto do que França ou Alemanha, por exemplo.

Não estão claras se as intenções da China querem quebrar a aliança entre Europa e Estados Unidos ou até que nível o "jogo" continuará no campo dos investimentos em empresas cotadas. Parte dos fundos norte-americanos, como "BlackRock", comprou vários pacotes compartilhados, acreditando que o governo de Renzi marcaria uma virada, mas o entusiasmo inicial está desaparecendo, e ainda não se sabe se a nova aproximação com a China trará conseqüências negativas para os EUA.

A visita do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, a Pequim em junho não apareceu na primeira página dos jornais chineses, mas deixou uma marca. Em sua breve visita, Renzi foi recebido com honras e vários elogios foram feitos às suas reformas, que atraíram a atenção internacional. Na Assembleia Nacional Popular em Pequim, Renzi pediu para que o país investisse mais na Itália.

A participação da China na Expo Milão 2015 pode consolidar as escolhas que têm sido feitas recentemente. Embora a presença internacional tem sido uma fonte de preocupação, por causa da queda do entusiasmo, as companhias chinesas já confirmaram os compromissos prometidos - e pode ser o país com a maior presença na feira, grande oportunidade para ganhar reconhecimento na Europa.

Xi Jinping falou que a Expo é um "evento espetacular, maravilhoso para o mundo inteiro". (ANSA)
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Fonte ANSA 25/08/2014 ás 21h

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