Cepal reduz projeção de crescimento do Brasil este ano para 1,4%

Fonte Agência Brasil 04/08/2014 às 19h
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) reduziu a projeção para o crescimento da economia brasileira e da região este ano. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 2,3% para 1,4%. Para a América Latina e Caribe, a projeção passou de 2,7% para 2,2%.

Segundo diretor da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, a projeção para o Brasil foi feita com base em dados colhidos até o final de junho e não incorporou dados “significativamente piores da produção industrial” no mês passado. Mussi ponderou, entretanto, que os setores de serviço e o comércio devem evitar um PIB ainda menor no Brasil. “Há certa expectativa de que talvez os setores de serviços e comércio não tenham um desempenho tão ruim quanto o industrial”, disse Mussi. A secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, avaliou que o Brasil é um país potente e deve haver resultados melhores em 2015.

A projeção da Cepal para o crescimento da economia brasileira está mais otimista que a do mercado financeiro do Brasil, que estima crescimento em 0,86%, este ano.

Segundo a Cepal, a revisão para baixo na projeção de crescimento ocorreu devido à debilidade da demanda externa da região, ao baixo dinamismo da demanda interna, ao investimento insuficiente e ao limitado espaço para a implementação de políticas que impulsionem a reativação da economia.

O Relatório Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2014 indica que a desaceleração econômica observada no último trimestre de 2013 manteve-se nos primeiros meses de 2014, o que fará com que a região apresente um crescimento inferior ao do ano passado, 2,5%. Entretanto, aponta que uma possível melhora no desempenho de algumas das principais economias do mundo poderá permitir mudança nessa tendência para o final de 2014.

De acordo com a análise da Cepal, a retomada do crescimento econômico dos Estados Unidos beneficiará o México e os países da América Central, enquanto a recuperação do Reino Unido e de várias economias da zona do euro terá um impacto positivo, em especial no Caribe, devido ao maior fluxo de turistas.

O menor crescimento da China previsto para 2014 é o principal risco, ressalta o relatório. As economias da região mais especializadas na exportação de matérias-primas destinadas a esse país poderão ser afetadas se a economia chinesa não conseguir manter seu crescimento acima de 7%.

Na região, o crescimento em 2014 será encabeçado pelo Panamá, com uma elevação em seu Produto Interno Bruto (PIB) de 6,7%. Em seguida, a Bolívia (5,5%), a Colômbia, a República Dominicana, o Equador e a Nicarágua, com expansões de 5%. Na Argentina, o PIB crescerá apenas 0,2% e na Venezuela haverá retração de 0,5%.

Alicia Bárcena considera que a crise relacionada ao default (calote) técnico na dívida externa da Argentina é uma situação muito complexa e causa preocupação em relação a possíveis repercussões em todo mundo. “É uma situação muito inédita. Nos preocupa muitíssimo. Pode desestimular a renegociação de dívida soberana e pode ter repercussão em nível mundial. Temos que esperar um pouco como vai seguir essa negociação, esse litígio”, disse Alicia, em entrevista coletiva no Chile, transmitida pela internet.
Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 04/08/2014 ás 19h

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