Candidatos falam de ditadura em único debate antes de segundo turno no Chile

Fonte Ansa Flash 12/01/2010 às 9h

Os dois candidatos que no domingo disputarão o segundo turno das eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera e Eduardo Frei, protagonizaram ontem o único debate político antes da votação.

O empresário Piñera, um dos homens mais ricos do país, dono da companhia aérea LAN e do canal de TV Chilevisión, pediu aos eleitores uma chance para governar. "Hoje o Chile precisa de um governo muito melhor, e por isso chegou o tempo da mudança", disse ele, membro da conservadora Coalizão pela Mudança.

Frei, por sua vez, que já esteve no poder entre 1994 e 2000 e foi derrotado pelo opositor no primeiro turno, em dezembro, reconheceu as falhas cometidas durante a campanha por sua legenda, a aliança de centro-esquerda Concertación, mas demonstrou otimismo depois dos apoios recebidos por outras forças políticas e sociais para a votação decisiva.

"Entendemos a mensagem que os chilenos nos passaram no dia 13 de dezembro. Assim como o Chile cresceu, também há problemas que devem ser corrigidos. Por isso, representamos todas as forças progressistas e democráticas", afirmou.

Um dos temas que mais marcaram o debate foi o legado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Frei -- cujo pai, o também ex-presidente Eduardo Frei Montalva, foi assassinado durante o regime militar -- insistiu no assunto para que o rival fosse obrigado a se pronunciar, já que alguns setores da Coalizão pela Mudança estiveram ligados ao general.

Em resposta, Piñera assegurou que "não haverá nenhum ministro de Augusto Pinochet" em seu governo, mas ressaltou, por outro lado, que "ter trabalhado de maneira honesta [para o governo do general] não é pecado".

No debate, que durou quase duas horas e foi transmitido por todos os canais da TV aberta, jornalistas questionaram os candidatos sobre diversos assuntos.

Frei também criticou a disposição manifestada pelo opositor de dar continuidade a alguns programas do governo de Michelle Bachelet, que chega ao fim de mandato com um índice de aprovação recorde de 80%.

"Primeiro criticavam a presidente Michelle Bachelet, mas hoje em dia todos se somam [aos programas de] proteção social", ponderou o governista.

Piñera, em contrapartida, reiterou suas principais propostas, entre elas a criação de um milhão de novos empregos e o desenvolvimento de programas para "proteger os mais frágeis" e fazer com que "nenhum jovem fique sem educação".

Pesquisa

No fim de semana, um levantamento divulgado pelo jornal El Mercurio atribuiu 46,1% das intenções de voto a Piñera, contra 41% de Frei. Votos brancos e nulos somaram 12,9%.

Caso se confirme a vitória da oposição, será o fim de duas décadas de hegemonia da aliança Concertación, que elegeu quatro presidentes consecutivamente desde o fim da ditadura, em 1990.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 12/01/2010 ás 9h

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