Calor pode aumentar a incidência de raios no verão

Fonte Ministério da Ciência e Tecnologia. 24/12/2009 às 19h

Análise feita pelos técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), em São José dos Campos (SP), prevê que o verão de 2010 – estação que começou na segunda-feira (21), às 14h47 - deve ter um aumento na incidência de raios na região Sul e em partes das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Para o Norte e o Nordeste, a tendência é de redução dessas ocorrências, em relação aos dois últimos anos. A previsão é feita com base nos dados históricos de raios e na previsão meteorológica e dos fenômenos El Niño/La Niña. 

O Brasil sofre o efeito do El Niño desde junho último e o fenômeno deve atuar durante o verão. A ação afeta o clima regional e global e muda os padrões de vento e regime de chuva. As previsões meteorológicas também apontam para um trimestre mais quente em relação a temporadas anteriores. Ambiente propício à formação de tempestades e relâmpagos. “O calor é um elemento essencial para a formação de nuvens, tempestades e raios. Não basta só o calor, é preciso ter mais umidade também”, ressalta o pesquisador do Elat, Marcelo Saba.

O especialista diz que essas ocorrências também dependem da peculiaridade de cada região e das condições climáticas. Para explicar as diferenças regionais em relação aos registros de relâmpagos, Saba relembra visitas que fez ao Nordeste. “Lá, poucas pessoas se lembram da última vez que viram um raio. Isso na Costa do Brasil, onde tem brisa e não há muita formação de tempestade. É o caso de Recife, Natal, etc. Já no Rio Grande do Sul, por exemplo, houve por semanas uma situação de muitas ocorrências de raios, quase consecutivas”, relata. 

Dos 50 milhões de raios que caem por ano no Brasil, quase a metade, 20 milhões, ocorrem no verão. “No Sudeste, no Vale do Paraíba, por exemplo, onde nós pesquisamos relâmpagos, praticamente todo fim de tarde no verão, há uma grande chance de ter tempestades”, acrescenta Saba.

O pesquisador do Inpe alerta para a necessidade de cuidados extras nas localidades de maior incidência. “Se há trovão, essa é uma área de risco. Quem estiver no campo, na rua ou praticando atividades esportivas e lazer ao ar livre deve procurar um abrigo”, orienta.

É prudente ainda evitar utilizar telefones com fio e ficar longe de árvores, de topo de edifícios e morros, de arames e de linhas de transmissão. Piscinas, lagos e o mar também representam perigo. “A água funciona como um condutor de eletricidade. A pessoa pode receber a descarga mesmo se o raio cair um pouco mais distante, esse risco é maior no mar”, alerta.

Aumento da Incidência 

A quantidade de raios aumentou nos últimos 10 anos. As avaliações por satélites constataram o crescimento dos registros em torno de 18% por ano no Brasil. De acordo com o Inpe, essa informação deve ser avaliada com cautela porque as tecnologias também estão mais avançadas. “Sempre é preciso checar se não é a instrumentação que melhorou ou se é algo que está realmente relacionado com o clima”, acrescenta Saba.

Quem sustenta a mesma argumentação é o pesquisador em mudanças climáticas, José Marengo, também do Inpe. “Dez anos é um período curto demais para avaliar uma mudança climática e para saber com um grau de certeza muito alto o aumento da incidência de raios”, ressalta.

Os acidentes envolvendo raios matam em torno de 100 pessoas por ano. As ocorrências causam prejuízos na ordem de R$ 1 bilhão ao País, 60% dos transtornos ocorrem no setor elétrico, principalmente, devido ao impacto dos raios em linhas de transmissão.

Ministério da Ciência e Tecnologia.
Fonte Ministério da Ciência e Tecnologia. 24/12/2009 ás 19h

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