Brasil disputa Mundial de Triatlo

Fonte Brasil 2016 27/08/2014 às 9h
Durante todo o ano, além do esforço necessário ao triatlo, que reúne três modalidades em um único esporte (natação, ciclismo e corrida), os atletas ainda precisam encarar diversas competições mundo afora. O Circuito Mundial da União Internacional de Triatlo (ITU, na sigla em inglês) compreende oito etapas e, neste ano, as provas já passaram por Auckland (Nova Zelândia), Cidade do Cabo (África do Sul), Yokohama (Japão), Londres (Inglaterra), Chicago (Estados Unidos), Hamburgo (Alemanha) e Estocolmo (Suécia).

A última das oito fases configura-se a Grande Final do circuito e, para disputá-la, é necessário que os atletas tenham somado pontos e boas colocações nas etapas anteriores. Desta vez, a final do Mundial será na cidade de Edmonton, no Canadá. A competição tem início nesta terça-feira (26) e prossegue até 1º de setembro. O Brasil contará com a participação de quatro atletas na categoria elite olímpica, três na categoria júnior e seis nas disputas paraolímpicas.

“O Mundial conta pontos para o ranking olímpico, então, indiretamente, ele acaba classificando a elite para 2016”, explica Marco Antônio La Porta, diretor técnico da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri). Pâmella Oliveira será a representante brasileira no feminino, enquanto Reinaldo Colucci, Diogo Sclebin e Danilo Pimentel competem no masculino. “Temos boas expectativas com a elite. No ano passado, o Reinaldo foi o nono no Mundial e a Pâmella também está buscando o Top 10 nessa prova. São boas esperanças”, avalia o dirigente.

Reinaldo Colucci, que acaba de se recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles do calcanhar direito, espera competir em boas condições ao Canadá. “Este ano eu tive um começo de temporada complicado, com essa lesão que comprometeu bastante meu primeiro semestre. Mas espero chegar na melhor forma possível”, deseja o triatleta, que atualmente figura em 87º lugar no ranking mundial. “Se eu conseguir terminar no Top 10 de novo será maravilhoso. Ter um bom resultado no Mundial é importante para a classificação para os Jogos do Rio”, acrescenta.

Critérios olímpicos
Por ser anfitrião, o Brasil já conta com duas vagas asseguradas para o triatlo em 2016, sendo uma no feminino e outra no masculino. No entanto, pelos pontos no ranking é possível aumentar a participação do país na competição para até três atletas em cada gênero – número máximo permitido apenas para até sete países pelos critérios internacionais.

Assim, a prova em Edmonton será fundamental na corrida por mais vagas para os Jogos do Rio. “Em outubro, teremos mais duas Copas do Mundo, no México e na Colômbia. Essas três provas devem ser suficientes para que eu fique em uma posição mais confortável. Assim, no ano que vem, posso focar mais nos treinos e nos Jogos Pan-Americanos de Toronto”, calcula Colucci.

A expectativa do atleta, que participou dos Jogos Olímpicos de Londres-2012, é que o triatlo brasileiro, em 2016, tenha o seu melhor resultado em um evento olímpico. “Temos tudo para fazer uma excelente participação e a melhor campanha do Brasil até hoje”, aposta. Até lá, outras competições completarão a classificação direta de atletas para o Rio de Janeiro, como os Jogos Pan-Americanos de Toronto e o Pré-Olímpico, ambos em 2015.

Enquanto isso, outros atletas já estão sendo preparados com foco nos Jogos de 2020, que serão disputados em Tóquio, no Japão. Manoel Messias, Kauê Willy e Vittória Lopes, da categoria júnior, também disputarão a prova no Canadá. “O Messias foi campeão pan-americano e sul-americano este ano. Esperamos um grande resultado dele. Esses atletas estão ganhando experiência para chegarem à elite”, explica Marco Antônio La Porta.

Chances no paraolímpico
O triatlo passará a integrar o programa dos Jogos Paralímpicos a partir de 2016. Mas o Brasil já chegará à disputa com uma equipe acostumada a colecionar títulos. Marcelo Collet, por exemplo, foi vice-campeão mundial no ano passado na categoria PT4 (confira a classificação funcional abaixo) e, assim, disputa a prova no Canadá como um dos favoritos. “Mas todo mundo já se conhece pelo circuito de competição e se respeita, já pensando em 2016 e nos possíveis adversários”, analisa o triatleta.

Além dele, o Brasil será representado por Yasmin Martins (PT2), Jorge Fonseca, Roberto da Silva (ambos PT3), Fernanda Katheline (PT4) e Rodrigo Feola (PT5). Porém, apesar do bom histórico, os atletas ainda estão em fase de adaptação ao novo sistema de classificação funcional, que divide os atletas em grupos segundo o grau de deficiência física, estabelecido este ano já com foco nos Jogos Paralímpicos.

“Antes eram seis categorias e terminamos o ano passado com cinco brasileiros entre os três melhores do ranking. Agora, são cinco categorias e todos os pontos foram zerados. Mas os europeus fizeram três provas no primeiro semestre e pontuaram bastante”, ressalta o coordenador técnico de paratriatlo da CBTri, Rivaldo Martins, lembrando que as categorias de classificação ainda deverão ser novamente afuniladas até 2016.

A expectativa do dirigente era embarcar para o Canadá com até 12 atletas, número que acabou sendo reduzido pela metade. “Mas no ano que vem participaremos de outras etapas e não vamos ficar devendo nada aos outros países”, assegura. Até os Jogos Paralímpicos de 2016, os atletas também terão a missão de brigar por pontos no ranking para garantirem mais vagas além das que são de direito do Brasil como país sede (uma no masculino e uma no feminino).

Marcelo Collet espera passar adiante essa classificação “facilitada” pelo fato de o Brasil ser o anfitrião dos Jogos. “Quero conquistar a minha vaga por mérito próprio. Assim, posso fornecer essa outra chance a um atleta que, por algum motivo, não consiga pelo ranking”, explica. “Estou super convicto do que eu quero, que é brigar por uma medalha em 2016. Ninguém tira isso da minha cabeça”, enfatiza.

Praticante de triatlo desde a adolescência, Collet viu nos Jogos Rio 2016 uma oportunidade de se reencontrar com o esporte de origem. “Aos 17 anos, fui atropelado em Salvador treinando ciclismo. Ia disputar o meu primeiro Mundial com a Seleção”, recorda-se. Desde então, com perda muscular na perna esquerda e uma secção do nervo ciático (o principal dos membros inferiores), transferiu-se para a natação paraolímpica.

Nas piscinas, Collet chegou a competir nos Jogos de Atenas-2004 e Pequim-2008. Em 2010, foi, ainda, o primeiro atleta paraolímpico brasileiro a atravessar o Canal da Mancha. Porém, quando o paratriatlo foi anunciado como uma nova modalidade para 2016, não pensou duas vezes. “Vi a oportunidade de fazer o esporte que lançou a minha carreira. Fiquei na maior expectativa para saber se teria resultados bons e, hoje, eles são mais expressivos do que os que eu alcançava na natação”, compara.

De volta ao triatlo em junho de 2012 e após muito trabalho ao lado de técnicos e fisioterapeutas, Marcelo Collet segue em treinamento e na preparação para 2016. E acredita que o esporte encantará os torcedores nos Jogos Paralímpicos. “O público já tem paixão pelo atletismo e pela natação, até mesmo pela parte tecnológica das próteses. Com três modalidades em um mesmo esporte, não tenho a menor dúvida de que o triatlo será uma das sensações das Paralimpíadas”, aposta.

Classificação funcional paraolímpica*

PT1
Atletas cadeirantes. Para o ciclismo, usam uma handcycle, bicicleta comandada com as mãos. Na corrida, usam cadeira de rodas.

PT2, PT3 e PT4
Atletas com deficiência nos membros. No ciclismo e na corrida, os amputados podem usar próteses ou outros dispositivos de apoio. Há diferentes pontuações na avaliação de classificação, segundo o grau de deficiência, para o atleta ser enquadrado nas classes PT2, PT3 ou PT4.

PT5
Atletas com deficiência visual total ou parcial. Com o apoio de um guia, usa uma bicicleta Tandem (de dois lugares) na prova de ciclismo.

Seleção Brasileira convocada para o Mundial 2014

Elite masculina
Reinaldo Colucci
Diogo Sclebin
Danilo Pimentel

Elite feminina
Pâmella Oliveira

Júnior masculino
Manoel Messias
Kauê Willy

Júnior feminino
Vittória Lopes

Paratriatlo masculino
Jorge Fonseca
Roberto da Silva
Marcelo Collet
Rodrigo Feola

Paratriatlo feminino
Yasmin Martins
Fernanda Katheline

Programação
27.08 - Aquathlon
29.08 - Júnior masculino / júnior feminino
30.08 - Sub-23 masculino / Elite feminina / Paratriatlo
31.08 - Sub-23 feminino / Elite masculina




Brasil 2016
Fonte Brasil 2016 27/08/2014 ás 9h

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