Biodiversidade: especialista alerta para a falta de inovação do setor no Brasil

Fonte Farmanguinhos / Fiocruz 04/09/2014 às 10h
Na palestra que fez, nesta quinta-feira (28/8) no Centro de Estudos de Farmanguinhos, o coordenador do Núcleo de Gestão em Biodiversidade e Saúde (NGBS) da Unidade, Glauco Kruse Villas Bôas, se mostrou bastante preocupado com o sistema de inovação nacional. Sobre a questão da inovação em medicamentos, principalmente na área de fitoterápicos, lamentou que ainda haja um longo caminho a ser percorrido, visto que apenas 5% desse mercado encontra-se na América Latina (contra 30% da Europa).

Glauco falou sobre o tema “A inovação em medicamentos da biodiversidade e a sustentabilidade nas políticas de ciência, tecnologia, inovação (CT&I) e saúde”, e advertiu ser necessário adotar uma metodologia em que se invista, mas também se conserve a biodiversidade. Segundo ele, a inovação nessa área representa uma grande oportunidade de desenvolvimento, e que “é necessário aproveitar os avanços que já existem nessa área para levar as discussões adiante”.

No encontro, Glauco explicou que a palestra seria uma contribuição do ponto de vista acadêmico e que serviria para situar o debate do NGBS sobre biodiversidade. Ele dividiu o tema em seções, que se desenrolaram em assuntos como políticas de ciência e tecnologia, vertentes heterodoxas evolucionárias da economia, o alinhamento brasileiro às políticas internacionais relacionadas ao meio-ambiente, e as políticas de ciência, tecnologia e inovação, além de inovação em medicamentos da biodiversidade.

O Coordenador do NGBS afirmou que a temática acerca do assunto começa a ganhar contornos no final da Segunda Guerra Mundial com a criação de uma nova ordem monetária, o sistema Bretton Woods (reunião com 44 nações para estabelecer bases do funcionamento capitalista no pós-guerra). Em seguida, citou a globalização também como uma forma de modelo de desenvolvimento e a chamada economia verde, que seria uma terceira ordem mundial que se basearia em sustentabilidade para a discussão de novos modelos de desenvolvimento.

Segundo Glauco, para atender as políticas de CT&I com a proposta da economia verde seria necessário o resgate de conceitos contidos em “arcabouços conceituais”, os quais ele dividiu em três gerações. A primeira seria a de defasagem cultural e modelo linear de inovação; a segunda, globalização, competitividade industrial e crise econômica; e a terceira abordaria o sistema nacional de inovação, economia da informação e economia baseada no conhecimento.

Durante o debate, o pesquisador Benjamin Gilbert reforçou o posicionamento crítico de Glauco, ao informar e lamentar, simultaneamente, o fato de o Brasil, o País com a maior biodiversidade do mundo, ter registradas, oficialmente, para uso como medicamentos, apenas algumas poucas espécies. Sequer, chegam a cinco.
Farmanguinhos / Fiocruz
Fonte Farmanguinhos / Fiocruz 04/09/2014 ás 10h

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