Berlusconi defende Estado palestino e diz que ações de Israel na Faixa de Gaza são ´justas´

Fonte Ansa Flash. 03/02/2010 às 12h

O premier italiano, Silvio Berlusconi, encerrou hoje sua viagem a Israel com um discurso no Knesset (Parlamento local), no qual defendeu a existência de um Estado palestino, ao mesmo tempo em que afirmou que as ações militares israelenses na Faixa de Gaza no início de 2009 foram justas.

O primeiro-ministro afirmou que a atuação de seu país no Oriente Médio "foi sempre endereçada à solução que prevê dois Estados, o judeu de Israel e o palestino, que vivam em paz e em segurança um ao lado do outro". Admitiu, porém, que a medida não é unanimidade na comunidade internacional ou entre os dois povos implicados.

Ele lembrou ainda dos conflitos ocorridos na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, durante a maior ofensiva israelense no local desde 1967. A operação matou 1.400 palestinos, a grande maioria civis, e 13 judeus.

Berlusconi recordou que a Itália se apôs ao relatório Goldstone -- elaborado pelo juiz Richard Goldstone e aprovado na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em novembro --, que acusa Israel e grupos rebeldes palestinos de terem cometido crimes de guerra durante os conflitos.

Segundo o premier, o país judeu teve "uma justa reação" aos mísseis lançados pelo grupo rebelde Hamas a partir da Faixa de Gaza. Além disso, lembrou que a nação esteve sempre sob o ataque da "onda terrorista da segunda intifada".

"Hoje, a segurança de Israel nos seus limites e seu direito de existir como Estado são para nós uma escolha ética e um imperativo moral contra qualquer retorno do antissemitismo e do negacionismo contra a perda de memória do Ocidente", declarou, lembrando que a Itália também se "maculou com a infâmia das leis raciais" na década de 1930.

O primeiro-ministro afirmou que seu país combaterá junto aos israelenses qualquer possível ressurgimento do ódio aos judeus na Europa e no mundo e se preocupará em "tornar inseparável" as batalhas pela existência e segurança do Estado de Israel e pela paz.

Sobre os conflitos no Oriente Médio, o chefe de Governo italiano afirmou que espera um "avanço" nas conversas e fez um apelo ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Mahmoud Abbas, com quem se encontrará ainda hoje, para que "retorne à mesa de negociação e entregue à história um acordo pela paz e o desenvolvimento econômico de seu povo".

Berlusconi também comentou as ameaças terroristas vindas à tona com os ataques ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001 e afirmou que os italianos souberam desde o primeiro momento "que o desafio" se referia não somente a Estados Unidos e Israel, "mas contra todos os países democráticos do Ocidente e contra os próprios países árabes moderados". Lembrando a presença italiana no Iraque, Afeganistão, Bósnia e Líbia, o premier afirmou que sua nação "contribuiu para fazer o mundo mais seguro e justo".

Em referência ao Irã, ele tornou a declarar que é preciso tomar medidas concretas contra o programa nuclear patrocinado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad e voltou a falar em "sanções eficazes".

"Em uma situação que pode abrir a perspectiva de novas catástrofes, toda a comunidade internacional deve se decidir para estabelecer, com palavras claras, universais e unânimes, que não é aceitável o armamento atômico à disposição de um Estado cujos líderes proclamaram ´abertamente´ a vontade de destruir Israel e negaram o Holocausto e a legitimidade doe seu Estado", completou.

O primeiro-ministro afirmou que o país judeu é o maior modelo de democracia e liberdade no Oriente Médio, "senão o único". "Um exemplo que tem raízes profundas na Bíblia e nos ideais sionistas", acrescentou, reafirmando sua vontade de que a nação passe a fazer parte da UE por ser "em tudo semelhante às democracias europeias".

"Nossa amizade com Israel é franca, aberta e recíproca. Não é somente proximidade verbal, diplomática; é uma motivação da alma e vem do coração", declarou Berlusconi.

Ao ouvir as palavras de seu homólogo, o premier judeu, Benyamin Netanyahu afirmou que a Itália tornou-se um país de ponta contra "o antissemitismo e o negacionismo" e classificou o italiano como um "líder corajoso". "Israel tem um grande amigo na Europa", acrescentou, dizendo que o primeiro-ministro "conquistou corações". "Nossa aspiração nestes dias é renovar o processo de paz com o resto de nossos vizinhos e sei bem que ele e o povo italiano dividem este desejo", explicou.

Esta foi a primeira vez que um primeiro-ministro italiano discursou no Knesset. "Estou honrado, meu país está honrado de estar aqui e falar neste parlamento, que é o próprio símbolo da democracia. Comovido agradeço", escreveu Berlusconi no livro de visitas da Casa.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 03/02/2010 ás 12h

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