Bento XVI lembra visita a Memorial do Holocausto e faz chamado à reconciliação em discurso

Fonte Ansa Flash 21/12/2009 às 16h

O papa Bento XVI lembrou hoje sua visita ao Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel, ao discursar na Cúria Romana, em uma tradicional atividade que precede as celebrações do Natal.

De acordo com o Pontífice, sua passagem pelo local, ocorrida em maio como parte de uma viagem pelo Oriente Médio, representou "um encontro inquietante com a crueldade do pecado humano, com o ódio de uma ideologia cega".

"O Memorial é, em primeiro lugar, um monumento contra o ódio, um pedido à purificação, ao perdão e ao amor", destacou o Papa.

No sábado, Bento XVI assinou o "Decreto das Virtudes" do papa Pio XII, acusado pela comunidade judaica de ter sido omisso durante o Holocausto. Com este passo, a beatificação do Pontífice depende agora somente da comprovação de um milagre.

O gesto tem sido criticado por entidades como o Congresso Judaico Mundial e pelo Estado israelense, que pedem a abertura dos arquivos de Pio XII, cujo pontificado foi exercido entre 1939 e 1958. No Memorial Yad Vashem há uma foto sua.

Reconciliação

Na Cúria Romana, Bento XVI ressaltou ainda que "toda sociedade precisa de reconciliação para que possa existir a paz, necessária para uma boa política, mas fruto de processos pré-políticos que devem surgir de outras fontes".

De acordo com o Papa, "a paz pode se realizar apenas quando se alcança uma reconciliação interior, um sentimento que vem da capacidade de reconhecer a culpa e pedir perdão".

O Pontífice convidou os participantes do encontro a "redescobrir o sacramento da penitência e da reconciliação, que desapareceram também dos costumes existenciais dos cristãos, sintoma da perda da veracidade em relação a nós mesmos e a Deus, o que coloca em perigo nossa humanidade e diminui nossa capacidade de paz".

Durante o discurso, Bento XVI também reforçou o apelo para que bispos e sacerdotes não "cedam à tentação" de trabalhar na política. Este posicionamento já havia sido adotado pelo Papa em outras ocasiões anteriores. Em sua opinião, as atividades políticas devem ser exercidas somente por cidadãos laicos.

Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 21/12/2009 ás 16h

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