Ativistas enfrentam problemas ao chegar a alojamentos oferecidos pela organização da Cúpula dos Povos

Fonte Agência Brasil 15/06/2012 às 12h
 Rio de Janeiro – Vindos de todos os cantos do país, ativistas dispostos a participar da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e que tem início hoje (15), enfrentaram problemas e contratempos ao chegar à capital fluminense. Os alojamentos coletivos, prometidos pela organização para abrigar os participantes, não estavam prontos e muitos deles sequer estavam abertos.

Foi o que aconteceu com Fátima Lima, da Rede da Educação Ambiental de Rondônia (Rearo). “A vontade que eu tenho é de chorar. Disseram que eu poderia vir e ao chegar dei com a cara na porta”, desabafou.

“Eu fui informada, ainda em Rondônia, que a gente ficaria alojado no Ciep [Ciep José Pedro Varela, na Rua do Lavradio, na Lapa], mas, chegando aqui, recebi a informação de que o alojamento só vai estar liberado no sábado. É muita falta de informação. Eu estou viajando desde a 1h30 da madrugada e com várias escalas até chegar aqui e encontrei a porta fechada”, criticou.

O contratempo, entretanto, não esfriou o ânimo de participar das reuniões da Cúpula dos Povos. “É na cúpula que cada um de nós fica sabendo dos problemas uns dos outros: não indígenas, indígenas, quilombolas, o movimento das mulheres, as sociedades alternativas. E esse povo se unindo e tentando fazer algo pelo nosso país e pelo mundo é algo bem forte que acontece”, disse.

Problema semelhante viveu a ativista Maria Luiza, do Movimento de Educação Ambiental, do Grupo Voz, de São Paulo. Ela saiu de Florianópolis (SC) e chegou ao mesmo Ciep ainda na madrugada da última quinta-feira (14).

Ao encontrar o Ciep fechado, a primeira providência de Maria Luiza foi tentar encontrar um hotel na região. Entretanto, as diárias cobradas – em média R$ 70, por noite – eram acima do seu orçamento.

“Eu já havia recebido mensagem pela internet informando que podia vir e que estava tudo certo. Ao chegar aqui ainda de madrugada estava tudo fechado. Aí os guardas municipais conversaram com os seguranças que, por compaixão, me deixaram entrar. O jeito foi dormir em um colchão improvisado, mas foi melhor do que ficar na rua.”

Agora, Luiza encontrou abrigo no acampamento improvisado no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Praia Vermelha, zona sul da cidade. “Lá no Acampamento da Juventude já está rolando uma socialização entre as pessoas e eu estou levando para lá a Fátima”, disse.

Assim como a ativista de Rondônia, Luiza não desanimou e disse que mantém os objetivos que a levaram à Cúpula dos Povos. Para ela, esta é mais uma oportunidade para que as pessoas e as organizações se fortaleçam. “Esse fortalecimento tem que acontecer com todos e não só com a sociedade civil. Os governantes também precisam se entender, falar a mesma língua. É preciso sair daqui com o gostinho de que valeu a pena. Eu sou daquelas que ainda acreditam, mesmo com o cenário que a gente vive no momento. Porque, se eu não acreditasse, eu não estaria aqui.”

A reportagem da Agência Brasil encontrou os portões fechados também no Ciep Tancredo Neves, no Catete. Já no Ciep Sambódromo, no Estácio, a chegada da reportagem ao local coincidiu com a de um grupo proveniente do Recôncavo baiano. Ao contrário do que ocorreu na Lapa, os visitantes foram recepcionados pelos seguranças e conduzidos ao alojamento.

A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa da Cúpula dos Povos que eximiu a organização do evento de culpa e atribuiu os incidentes envolvendo os alojamentos à “desinformação” dos próprios ativistas. Segundo a assessoria, em razão do calendário escolar, as unidades só poderão receber os ativistas a partir do sábado (17), quando começam a plenária e ocorre a abertura oficial da Cúpula dos Povos. Ainda segundo a assessoria, a data de liberação foi previamente acertada com o prefeito da cidade, Eduardo Paes.

Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 15/06/2012 ás 12h

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