Argentina: Presidente do BC deixará cargo, mas entrará na Justiça para anular demissão

Fonte ANSA. 08/01/2010 às 9h

A renúncia de Martín Redrado vinha sendo pedida nos últimos dias por membros do governo de Cristina Kirchner; ele é acusado de "descumprimento dos deveres de funcionário público"

BUENOS AIRES, 8 JAN (ANSA) - O presidente do Banco Central da Argentina (BCRA), Martín Redrado, demitido ontem a partir de um decreto da mandatária do país, Cristina Kirchner, disse que deixará seu cargo mas que não renunciará.

De acordo com fontes próximas a Redrado, ele também anunciou que hoje, ou no mais tardar na próxima segunda-feira, apresentará um recurso de amparo à Justiça, pedindo a anulação da ordem presidencial que o removeu do BCRA. 

O decreto firmado por Cristina ingressou ontem à noite na Câmara de Deputados e será encaminhado hoje à Comissão Bicameral, que estudará o texto. Fontes legislativas informaram à agência de notícias DyN que a análise do documento ocorrerá em um prazo de dez dias.

A decisão de demitir Redrado foi tomada por causa da negativa dele em renunciar ao cargo -- o que vinha sendo pedido nos últimos dias por membros do governo argentino, inclusive pelo chefe de gabinete da presidência, Aníbal Fernández.

De acordo com o Decreto de Necessidade e Urgência 18/2010, o titular do BCRA é acusado de "descumprimento dos deveres de funcionário público" e "má conduta".

A polêmica entre o governo de Cristina Kirchner e Redrado foi motivada pela resistência do funcionário, que assumiu o posto em 2004, em conduzir o processo de criação do chamado Fundo do Bicentenário, idealizado para pagar uma parte da dívida pública argentina que vence neste ano.

O fundo deverá receber um aporte de US$ 6,5 bilhões, dinheiro que sairá do excedente das reservas do Banco Central. A demora na liberação destes recursos é que vinha dificultando a criação do fundo. No decreto, o governo afirma que Redrado teve uma "atitude relutante" na hora de abrir as contas correspondentes e transferir o dinheiro.

Ontem, antes da assinatura da resolução, o presidente do BCRA comunicara que permaneceria no cargo até o mês de setembro, quando chegaria ao fim seu mandato.

ANSA.
Fonte ANSA. 08/01/2010 ás 9h

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