Após expectativa inicial, Obama termina o ano distante da Am. Latina

Fonte Ansa Flash. 30/12/2009 às 14h

O primeiro ano de Barack Obama na Casa Branca terminou marcado por um distanciamento em relação aos interesses dos países latino-americanos, apesar das expectativas geradas ainda no início de seu mandato, disseram especialistas ouvidos pela ANSA.

Na opinião de Michael Shifter, vice-presidente do instituto Diálogo Interamericano, de Washington, o esfriamento se deve em parte à defesa de pontos de vista distintos em temas considerados cruciais pela região, como a acordo firmado por Estados Unidos e Colômbia para a cessão de bases militares e a crise em Honduras.

"Os acontecimentos revelaram diferentes prioridades e atitudes que refletiram políticas distintas entre Washington e Brasília", disse ele.

O professor Luis Fernando Ayerbe, da Unesp, entende que as políticas de Obama para a América Latina podem ser divididas em dois períodos. O primeiro, explica ele, foi de janeiro a junho e teve como característica principal uma tentativa de aproximação.

Um exemplo da postura adotada por Washington no primeiro semestre foi o voto que permitiu derrubar a resolução que mantém Cuba suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA) desde os anos 60.

Isto ocorreu no início de junho, em uma reunião da entidade multilateral realizada em San Pedro Sula, norte de Honduras, país em que poucas semanas depois ocorreria o golpe de Estado que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya, fato que inaugurou o segundo período das relações entre o governo Obama e a região.

"Temos um [primeiro] semestre auspicioso em termos de aproximação e um segundo semestre em que houve um recuo", indica o especialista, para quem, historicamente, as relações bilaterais entre Brasil e EUA são boas, como se pôde ver durante as gestões de Bill Clinton (1992-2000) e George W. Bush (2000-2008).

Ayerbe ressalta, no entanto, que a aparente boa vontade demonstrada por Obama em alguns momentos não pode levar os demais países da região a "subestimá-lo".

"[Obama] é crítico da forma como Bush levou adiante os interesses dos EUA, mas não é alguém que representa uma ruptura na trajetória do país em política exterior. Então, não se deve pensar que ele mostrará os EUA sob uma perspectiva totalmente diferente do que nas últimas décadas", argumenta.

Brasil

Sobre o relacionamento com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem o mandatário norte-americano já fez vários elogios, e com seus possíveis sucessores, Ayerbe diz não crer na hipótese de uma "ruptura".

Shifter enxerga da mesma forma."A admiração e o apreço de Obama por Lula é inconfundível e um grande trunfo no relacionamento", comenta."Mas Obama tem uma compreensão mais profunda da atuação e da importância do Brasil. Seja qual for o vencedor das eleições [presidenciais brasileiras, ndr.], Obama terá a relação com o Brasil como algo de alta prioridade e vai querer explorar áreas de cooperação", complementa.

Para ambos os especialistas, qualquer quadro diferente deste só ocorreria em 2010 caso surgissem novos fatores de tensão na América Latina. "Tudo dependerá se vão surgir novas situações", afirma Ayerbe.

Já Shifter aponta a aproximação entre Brasil e Irã como possível complicador. "Ainda não está claro. Isso realmente depende de como o relacionamento evolui, e se o Brasil é capaz de colocar limites", pondera. "Os EUA compreendem que é importante para o Brasil avançar em seus interesses, na América Latina e no mundo, e as diferenças de políticas são inevitáveis", ressalta.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 30/12/2009 ás 14h

Compartilhe

Após expectativa inicial, Obama termina o ano distante da Am. Latina