Após derrota nas eleições, ativistas pedem renúncia de dirigentes partidários no Chile

Fonte Ansa Flash. 18/01/2010 às 11h

Dirigentes das juventudes do Partido Democrata-Cristão (PDC) e do Partido Socialista do Chile (PS) ocuparam na noite de ontem a sede do PDC em Santiago pedindo a renúncia dos presidentes de ambas agremiações -- respectivamente, o deputado Juan Carlos Latorre e o senador Camilo Escalona.

A iniciativa ocorreu algumas horas depois da divulgação do resultado do segundo turno do pleito presidencial chileno, no qual saiu vitorioso o candidato de direita Sebastián Piñera, da opositora Coalizão pela Mudança.

Com 99,2% das urnas já apuradas, o mandatário eleito contabilizou 51,61% dos votos contra 48,38% do segundo colocado, o governista Eduardo Frei, da Concertación -- aliança formada por PDC, PS, Partido pela Democracia (PPD) e o Partido Radical (PR).

A eleição de Piñera quebra uma hegemonia de 20 anos da coalizão de centro-esquerda no governo chileno.

De acordo com a Rádio Cooperativa, a ocupação de ontem foi realizada por cerca de 60 militantes. "Se Juan Carlos Latorre não vem até aqui, assume seus erros e põe o cargo à disposição, esta tomada segue. Estamos esperando sua reação", explicou o presidente da juventude do PDC, Héctor Bernardo Gárate Wamparo.

"Hoje, na sede do [Partido] Democrata Cristão, nasce a nova Concertación, o novo progressismo. Seremos a oposição a Piñera. Precisamos trabalhar para recuperar a confiança do povo que não votou a favor da direita, mas contra a Concertación, e isso é grave", completou Patricio Mery, da juventude socialista.

"Temos as mãos limpas, somos novos rostos e recuperaremos a centro-esquerda para o país. Esta tomada é o primeiro marco público com que vamos gerar a nova Concertación", acrescentou.

Uma das razões que explicaria a derrota de Eduardo Frei no pleito de ontem é o apoio tardio do candidato independente Marco Enríquez-Ominami, vencido no primeiro turno das eleições ao angariar somente 20% dos votos -- contra 29% do governista e 44% de Piñera.

Ominami, um dissidente da Concertación, havia dito que se manifestaria favorável a Frei somente se ocorresse uma mudança profunda no comando dos partidos que formam a aliança. De acordo com analistas, o resultado do pleito presidencial seria decidido pelos eleitores do independente.

Em resposta à solicitação de Ominami, os dirigentes máximos do PPD, Pepe Auth, e do PR, José Antonio Gómez, renunciaram a seus cargos. A mesma decisão foi negada à época por Latorre e Escalona.

Com a falta de concordância entre os comandos da Concertación, Ominami negou seu apoio a Frei, tendo se declarado favorável ao governista somente alguns dias antes da votação.

 

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 18/01/2010 ás 11h

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