Ampa e Inpa levam assinaturas da Alerta Vermelho para Brasília

Fonte Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia 04/09/2014 às 9h
As assinaturas dos ativistas da Campanha Alerta Vermelho chegarão ao Ministério do Meio Ambiente, em Brasília (DF). A Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) levam o apelo de mais de 55 mil pessoas de várias partes do mundo pela conservação dos botos da Amazônia.

A campanha luta contra a matança do boto-vermelho (Inia geoffrensis), usado como isca para a pesca da piracatinga (Calophysus macropterus), e pede o adiantamento da moratória da piracatinga para evitar a morte de milhares de botos neste semestre. Conforme a Instrução Normativa Interministerial nº 6, de 17 de julho de 2014, a moratória da pesca da piracatinga em águas jurisdicionais brasileiras e em todo o território nacional entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2015 e terá validade por cinco anos.

De acordo com o diretor da Ampa e coordenador da campanha, Jone César Silva, em menos de 40 dias, o abaixo-assinado coletou 55 mil assinaturas, que representam a indignação da opinião pública em relação à matança de botos, que vem ocorrendo nos últimos anos na Amazônia.

“Estamos vivendo um processo de banalização dos crimes ambientais, como se não fossem crimes de fato. Com uma sociedade informada e esclarecida sobre as questões ambientais, teremos muito mais força para levar esta batalha até o fim”, afirma Silva.

Em Manaus (AM), o documento composto por três volumes foi entregue no último dia 21 de agosto ao governo do Amazonas e à Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que se mostraram interessados em ajudar os ativistas.

Sensibilização ambiental

O boto inflável, que dividiu a praia de Ponta Negra, em Manaus, com os banhistas, em julho deste ano, agora segue para o gramado do Palácio do Congresso Nacional, situado no meio do Eixo Monumental, a principal avenida da capital brasileira.

O boto gigante, símbolo da campanha Alerta Vermelho, deverá chamar a atenção para a ameaça à espécie, que serve como isca para captura de um peixe necrófago. Essa atividade pesqueira insustentável, segundo especialistas, pode dizimar a espécie em até 30 anos.

“Não podemos como ser humanos ser tão arrogantes a ponto de achar que temos o direito de exterminar animais, populações e áreas do Planeta Terra. Por outro lado, quando extinguimos uma espécie ou eliminamos uma área, a humanidade vai ficando cada vez mais pobre”, explica a pesquisadora do Inpa, Vera da Silva, que coordenadora o Projeto Boto do Inpa e é uma das idealizadoras da campanha Alerta Vermelho.

Para a pesquisadora, essas atitudes empobrecem o “nosso próprio patrimônio: a riqueza natural que temo”. “É uma espécie única (boto). Se ela for morta, vai desaparecer para sempre e não há possibilidade de repor”, destaca a pesquisadora.

Pesquisa

Diversos trabalhos foram publicados, incluindo teses de mestrado e doutorado, visando aumentar o conhecimento sobre a espécie e denunciando a matança dos botos. Como a captura do boto é ilegal, ela ocorre frequentemente à noite, assim como a pesca da piracatinga.

Segundo especialistas, é difícil de obter números exatos da atividade de forma direta. Assim, as abordagens para se estimar o número de botos mortos são feitas de forma indireta, estimando-se inicialmente a quantidade de piracatinga capturada com a carcaça de um boto.

Conforme artigo recém publicado pela pesquisadora do Inpa, Vera Silva, efetua-se uma simples regra de três. Usa-se o volume de piracatinga declarado pelos frigoríficos com o peso de isca necessário para se capturar uma determinada quantidade do bagre. Dessa forma hega-se ao número de botos mortos.

Segundo a pesquisadora, por meio de entrevistas realizadas, é possível saber que um boto médio captura cerca de 350 a 1.000 quilos de piracatinga em um evento de pesca, dependendo da época do ano, do lugar e da habilidade do pescador.

Também se sabe que nem toda a piracatinga declarada pelos pescadores e frigoríficos é pescada com a carne de boto. Muitos declaram usar jacaré, outros vísceras e restos de peixe liso ou qualquer tipo de animal morto que estiver disponível como isca.

“Contudo, os pescadores são unânimes em afirmar que a melhor isca é a do boto, pois preferem animais menores e cinza (característica das fêmeas adultas e dos machos imaturos) devido a maior quantidade de gordura sobre os botos grandões e rosas (machos adultos)”, explica Silva.


Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia
Fonte Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia 04/09/2014 ás 9h

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