América Latina se mobiliza para enviar ajuda humanitária ao Haiti

Fonte Ansa Flash. 14/01/2010 às 10h

A América Latina se somou ao esforço internacional e também anunciou o envio de ajudas humanitárias ao Haiti, país que na última terça-feira foi atingido pelo pior terremoto dos últimos dois séculos na região. Dezenas de milhares de pessoas podem ter perdido a vida.

O secretário-geral adjunto da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, afirmou que viajará ao Haiti assim que as condições de transporte permitirem. A decisão foi anunciada ao término de uma série de reuniões realizadas na sede do órgão, que fica em Washington, nos Estados Unidos.

Os Estados-membros da OEA também prometeram articular ações de auxílio humanitário e financeiro ao Haiti, além de direcionar apoio às autoridades e à população local.

Para Ramdin, foi "muito alentador" que os integrantes da OEA tenham adotado iniciativas concretas para auxiliar o país mais pobre do Ocidente ainda nas primeiras 24 horas após o desastre.

O funcionário convocou em Washington uma cúpula urgente do Grupo de Amigos do Haiti da OEA, liderado por ele, para discutir "a coordenação dos esforços de busca e resgate, a troca de informações, o fomento das doações e maneiras de incentivar a recuperação" do país, de acordo com um comunicado do órgão multilateral.

Pouco antes, representantes da OEA se reuniram com seus pares da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (Fupad) e da Junta Interamericana de Defesa (JID) para ativar o Mecanismo Interamericano de Resposta.

O embaixador do Haiti na OEA, Duly Brutus, agradeceu aos demais Estados pelas ações de ajuda e fez um novo apelo à comunidade internacional. "Dado o tamanho desta catástrofe natural, nosso país necessita, mais do que nunca, da solidariedade de seus irmãos na região e da comunidade internacional", disse.

O Grupo do Rio, que reúne 24 nações latino-americanas e é atualmente encabeçado pelo México, também manifestou solidariedade ao Haiti e prometeu ajuda humanitária.

"O Grupo se soma ao chamado da comunidade internacional para contribuir com os esforços de busca e resgate, assim como para brindar a assistência de emergência que é indispensável para a população", disse a entidade.

O governo argentino, por sua vez, informou que enviará um avião militar e uma equipe de técnicos em telecomunicações para restaurar o sistema telefônico do país, que entrou em colapso após o abalo sísmico.

Buenos Aires mantém 560 oficiais no Haiti, que integram a missão de paz da ONU (Minustah) liderada pelo Brasil. Na capital Porto Príncipe, um hospital de campanha das Forças Armadas argentinas já prestou atendimento a 800 pessoas e realizou dezenas de intervenções cirúrgicas, segundo informações da diplomacia de Buenos Aires.

Em El Salvador, o ministro de Governo, Humberto Centeno, anunciou o envio de uma equipe de resgate integrada por oito bombeiros, quatro membros da Cruz Vermelha de El Salvador e um cão farejador. Há um cidadão do país desaparecido no Haiti. Trata-se de um funcionário da ONU.

O presidente da República, Mauricio Funes, disse estar "consternado" com a tragédia e enviou uma mensagem de solidariedade ao Haiti.

O Ministério da Defesa da Colômbia cedeu um navio e dois aviões para levar "toda a ajuda que seja necessária". O primeiro avião partirá de Bogotá levando um grupo de técnicos de diferentes áreas, um hospital de campanha para cirurgias complexas e trauma e um grupo de 15 socorristas com cães farejadores.

A Colômbia também prometeu medicamentos, material cirúrgico e aparelhos purificadores de água. No México, o presidente Felipe Calderón informou que mandará 20 toneladas de alimentos, além de um barco-hospital e mais de 100 especialistas em desastres. Equador, Cuba, Panamá e Peru também se mobilizaram.

O Brasil já havia anunciado uma ajuda de US$ 15 milhões e 28 toneladas de alimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além disso, conversou por telefone com o norte-americano Barack Obama para articular um encontro entre os países que estão dispostos a ajudar o Haiti na sua reconstrução. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já está no país.

O terremoto, ocorrido pouco antes das 17h (20h em Brasília), alcançou 7 graus na escala Richter, de acordo com a medição do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Em seguida, dezenas de tremores menores (réplicas) também foram sentidos.

O epicentro foi registrado a 15 quilômetros da capital Porto Príncipe e a 10 quilômetros de profundidade. A força do abalo derrubou vários prédios, entre eles o palácio de governo e o quartel-general da ONU. O presidente René Preval disse ontem que o número de mortes pode chegar a 50 mil.

O Brasil mantém cerca de 1.300 militares no Haiti. Até o momento, foram confirmadas as mortes de 14 oficiais. A médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, também faleceu.

Com um território de 27 mil quilômetros quadrados e população de cerca de 9 milhões de habitantes, o Haiti é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental.

Ansa Flash.
Fonte Ansa Flash. 14/01/2010 ás 10h

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