Zelaya promete se apresentar à Justiça, mas só depois de ser restituído

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, garantiu estar disposto a responder ante a Justiça de seu país pelos crimes atribuídos a ele, mas desde que seja restituído ao governo, de onde foi tirado em um golpe de Estado ocorrido em 28 de junho.

"A solução desta crise passa por minha restituição, pelo respeito à democracia", disse ele, em uma entrevista concedida ao jornal El Observador, do Uruguai.

"Estou disposto a ir aos tribunais para responder aos processos que há contra mim, não tenho problema quanto a isso", complementou. "Por isso voltei, porque sou inocente."

O mandatário, que regressou ao país no dia 21 e está hospedado na Embaixada do Brasil, ainda negou ter violado a Constituição hondurenha ao promover uma consulta que teria como objetivo permitir sua eventual reeleição, como alegam opositores.

"Eu não violei a Constituição, jamais fiz isso. Não se tratou de um referendo, isso é uma mentira que os opositores utilizam para me desacreditar. Tratava-se de uma consulta, não vinculante, que não reformava nenhuma lei nem estabelecia a reeleição", argumentou.

No dia em que Zelaya foi destituído, em Honduras haveria um processo de consulta para perguntar ao eleitorado sobre a realização de um outro referendo.

Esta segunda votação, se aprovada, ocorreria no dia 29 de novembro, data para a qual já haviam sido marcadas as eleições presidenciais, e proporia a formação de uma Assembleia Constituinte.

A oposição, no entanto, viu nos procedimentos uma manobra do presidente para tentar se manter no cargo, e por isso ele foi acusado de violar a Constituição.

Indagado sobre o papel que os Estados Unidos têm desempenhado na crise vivida por seu país, Zelaya considerou que as medidas "não foram suficientes para o restabelecimento da democracia". Apesar disso, definiu como "clara" a condenação de Washington ao golpe de Estado.

O presidente deposto também defendeu os protestos realizados em favor de sua restituição, que têm sido reprimidos pela polícia. Desde o fim de semana, vigora em Honduras o estado de sítio, que proíbe qualquer reunião pública. 

"Temos o direito de nos expressarmos pacificamente ante as violações das liberdades, e agora contra o fechamento dos meios de comunicação. Estão restringindo as liberdades. Não podemos deixar que nos intimidem", disse Zelaya.

Nessa segunda-feira, já com base no decreto que suspendeu as garantias civis e impôs o estado de sítio, o governo de facto de Honduras fechou duas emissoras que apoiam Zelaya: a Rádio Globo e o canal de TV Cholusat Sur.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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