Zelaya é recebido por Felipe Calderón com honras de Estado

Fonte Ansa Flash 19/11/2009 às 0h
O presidente destituído de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou hoje, ao ser recebido pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, que o golpe de Estado que o tirou do poder há um mês "é um desafio" para a comunidade internacional.

Ao ser recebido pelo Calderón na residência oficial de Los Pinos em uma cerimônia que contou com todas as honras correspondentes a um chefe de Estado, Zelaya comentou que a comunidade internacional tem ainda "muito que fazer" para que "a lei e os princípios da convivência pacífica possam prevalecer sob a face da Terra".

Na ocasião, Calderón ratificou sua condenação ao golpe e, junto a Zelaya, ressaltou a importância de restabelecer a ordem democrática no país. O presidente deposto ainda criticou a censura contra veículos de comunicação, praticada pelo governo de facto, de Roberto Micheletti.

"Será este o destino da Humanidade? Que os homens voltem ao lugar de onde vieram? Das cavernas?", criticou Zelaya, referindo-se a proibições contra a imprensa e pontuando que estas atitudes servem para "impedir que o povo hondurenho conheça" o que ocorre no país.

O presidente deposto também acusou a "elite" de impulsionar o golpe de Estado realizado no dia 28 de junho, quando militares o retiraram do país, devido à sua iniciativa de realizar uma consulta popular para alterar a Constituição, que ocorreria naquele dia.

"Uma elite econômica tenta defender seus privilégios", disse o mandatário hondurenho, ratificando que essa faixa populacional tem a intenção de não deixar o "povo opinar" e buscar "o desenvolvimento social, econômico e reformas sociais".

Segundo ele, "não querer reduzir a pobreza ou querer reduzi-la eliminado os pobres" é uma ideia que tem que ser extinta, uma vez que "o principio democrático" deve sempre "orientar os governos do século XXI".

Durante a cerimônia, Zelaya também agradeceu a Calderón e a todos os organismos internacionais pelo apoio.

O mandatário mexicano, por sua parte, reiterou a posição do país diante da crise política hondurenha, pedindo o retorno de Zelaya à presidência e elogiando as tentativas de acordo coordenadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

De acordo com Calderón, o México apoia "toda a iniciativa que pode conduzir ao restabelecimento da democracia em Honduras e à volta do presidente constitucional", além de acreditar que o melhor modo para resolver o problema seja "o dialogo irrestrito e o respeito aos direitos humanos".

Também participaram da reunião em Los Pinos a chanceler do governo mexicano, Patrícia Espinosa, o subsecretário mexicano para a América Latina e o Caribe, Salvador Beltrán, o embaixador do México em Honduras, Tarcisio Navarrete, a ministra das Relações Exteriores do presidente deposto, Patrícia Rodas, e o chefe de Gabinete de Zelaya, Enrique Flores.

Arias, por sua vez, junto ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, decidiu ontem criar uma missão internacional, que será enviada a Honduras para solucionar esta crise.

Com a viagem ao México, Zelaya deu iníci8o ao que chamou de uma "cruzada diplomática" pela América Latina, com o objetivo de buscar apoio para retornar ao seu país.
Ansa Flash
Fonte Ansa Flash 19/11/2009 ás 0h

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