Webber vence em Mônaco

Fonte Grande Prêmio Notícias 27/05/2012 às 12h

Há quem reclame que o tamanho equilíbrio da temporada de 2012 não seja tão bom quanto muitos pensam, pois a compreensão do que acontece na corrida e no campeonato fica muito mais complicada. No entanto, não se pode reclamar que falta emoção. O GP de Mônaco, realizado neste domingo (27), foi monótono por 60 voltas. As voltas finais, por outro lado, compensaram toda essa monotonia inicial.

Com os seis primeiros colocados chegando a ficar separados por míseros 3s1, era impossível cravar que um piloto sairia do principado com a vitória. Mas em um circuito apertado, de dificílimas ultrapassagens, Mark Webber só não podia errar. E não errou. Mesmo mais lento que os rivais nos momentos decisivos da prova, o australiano transformou a pole-position na oitava vitoria de sua carreira, segunda em Mônaco, e se tornou o sexto vencedor diferente de 2012. Nico Rosberg foi o segundo e Alonso, em terceiro, assumiu a liderança isolada do campeonato, com 76 pontos, três a mais que Sebastian Vettel, quarto colocado neste domingo em Monte Carlo, e Webber.

Felipe Massa fez a sua melhor corrida em 2012. Competitivo em todo o fim de semana, o brasileiro garantiu o sexto lugar, seu melhor resultado na temporada, o que certamente lhe dará mais confiança para a sequência do campeonato, sacramentando o bom momento e a reação da Ferrari no Mundial. Bruno Senna também alcançou os pontos e cruzou a linha de chegada em décimo lugar.

Saiba como foi o GP de Mônaco de F1

A largada do GP de Mônaco tradicionalmente costuma ser bastante conturbada, principalmente por conta da Sainte Dévote, a primeira curva do circuito de Monte Carlo, bastante apertada. Não foi diferente neste domingo. Webber conseguiu tracionar bem e foi seguido por Rosberg, Hamilton e Alonso. Involuntariamente, Romain Grosjean foi tocado pelo espanhol da Ferrari e também bateu em Schumacher, rodando antes da curva. Por muita sorte, o franco-suíço não foi acertado por ninguém.

Mas outros pilotos enfrentaram problemas em decorrência da batida. Kamui Kobayashi acertou a McLaren de Jenson Button e teve de ir para os boxes. Pastor Maldonado levou a pior e teve de abandonar. O vencedor do GP da Espanha e um dos favoritos à vitória no Principado encerrou sua corrida após só uma volta depois de se envolver em uma batida com Pedro de la Rosa, da HRT, que também abandonou.

Com tantos detritos na pista, a direção de prova optou por acionar o safety-car na segunda volta. Dessa forma, os dez primeiros no princípio conturbado de corrida eram, pela ordem: Webber, Rosberg, Hamilton, Alonso, Massa, Vettel, Räikkönen, Schumacher, Hülkenberg e Bruno Senna. Button caiu para a 14ª colocação.

O safety-car deixou a pista duas voltas depois e a corrida foi retomada, com Webber abrindo boa vantagem perante Rosberg. Mas o grande nome deste começo de corrida era Massa. O brasileiro vinha em quinto e estava em ritmo melhor que o de Alonso, em quarto. Mas não houve nenhuma grande disputa, nem entre os companheiros de equipe na Ferrari, nem entre os outros pilotos. Embora as diferenças fossem sempre pequenas, não houve tentativas de ultrapassagem nas primeiras voltas do GP de Mônaco.

Kobayashi não conseguiu ter um ritmo de corrida aceitável depois do problema na primeira volta e abandonou. Pérez, em contrapartida, fazia boa corrida em Monte Carlo. Depois de ter largado em último, o mexicano abriu caminho, ultrapassou os carros das equipes nanicas e alcançou o 15º lugar, atrás de Button, que não conseguia se aproximar de um ótimo Heikki Kovalainen, em 13º.

Entre os primeiros colocados, a corrida seguia em ritmo morno, com Webber sempre à frente e com vantagem confortável perante Rosberg: 2s5. Hamilton estava distante do piloto da Mercedes, e os carros da Ferrari vinham na sequência, sempre com Alonso à frente de Massa, e Vettel em sexto. Dentre os dez primeiros, Räikkönen era o mais lento, e, consequentemente, influía no rendimento de quem vinha de trás, caso de Schumacher, Hülkenberg e Senna, que se aproximaram, mas não conseguiram esboçar reação.

Naquele momento, com 25 voltas completadas, a expectativa das equipes vinha dos céus. Isso porque a meteorologia de várias equipes apontava previsão de chuva em poucos minutos na região do Principado. Muito por causa da possibilidade de pista molhada, os times retardaram ao máximo as trocas de pneus.

A Mercedes preferiu não esperar pela chuva e trouxe Rosberg para os boxes. O então vice-líder da corrida trocou os pneus supermacios, gastos após 26 voltas, pelos macios e voltou em sexto, pouco à frente do pelotão puxado por Räikkönen. O grupo tinha, além de Schumacher, Hülkenberg, Senna, Di Resta, Ricciardo e até mesmo Kovalainen, que vinha em 13º. No giro seguinte, foi a vez de Webber e de Hamilton fazerem seus respectivos pit-stops. Com as trocas, Alonso subiu para primeiro, com Massa em segundo e Vettel completando o top-3.

Só que a Ferrari seguiu a mesma tática das equipes rivais e chamou Alonso para os boxes na abertura da volta 30. O trabalho de pit-stop da equipe italiana foi tão bom que Fernando conseguiu voltar à pista à frente de Hamilton, na quarta colocação. Na volta seguinte foi a vez de Massa efetuar sua parada. Mesmo com o bom trabalho da Ferrari, o brasileiro voltou em sétimo, atrás de seu ex-companheiro de equipe, Schumacher.

Dentre os ponteiros, Vettel foi o único que indicou estar com uma tática diferente. Por ter largado com pneus macios, contra a maioria que iniciou a corrida com supermacios, o bicampeão do mundo ficou mais tempo na pista e, mesmo com os compostos desgastados, conseguia imprimir ritmo muito bom, com tempos de volta sempre na casa de 1min19s. Já o compatriota Schumacher tentou retardar o quanto pôde sua parada, mas, com o ritmo bem mais lento, teve de fazer seu pit-stop. A Mercedes fez a mais rápida troca de pneus do ano até o momento: apenas 3s2. Michael voltou em nono, à frente de Jean-Éric Vergne.

Pérez, que vinha com bom rendimento ao longo da prova, praticamente encerrou sua chance de chegar nos pontos em Mônaco na 37ª volta. O mexicano cruzou a trajetória de Räikkönen, que ia para os boxes, impedindo assim que o finlandês fizesse sua parada. Punido, o jovem de Guadalajara teve de cumprir um drive-through e voltou em 18º, logo atrás de Charles Pic.

Vettel resistiu por 46 voltas com o pneu macio, até que a Red Bull o chamou para os boxes. Em grande estratégia, a escuderia taurina fez o pit-stop e colocou o alemão, com pneus supermacios, na quarta colocação, à frente de Hamilton, e em posição de lutar pelo pódio com Alonso. A disputa pela ponta era extremamente equilibrada. Com 50 voltas do GP de Mônaco, a diferença entre o líder, Webber, e o sexto colocado, Massa, era de apenas 5s2. A vantagem entre cada um dos seis primeiros era sempre de menos de 1s3.

Webber conseguiu abrir um pouco de vantagem perante Rosberg, que conseguiu se posicionar quase 3s de Alonso. Entre Fernando, terceiro, e Massa, sexto, a diferença era mínima. Alonso, Vettel, Hamilton e Felipe formavam o pelotão mais importante da corrida, quando faltavam 21 voltas para o fim, mas não havia efetivamente uma briga por posição. Bruno Senna estava em ritmo razoável, na 12ª colocação, e tinha uma missão quase impossível: ultrapassar Räikkönen, bem mais lento que o brasileiro da Williams.

Via rádio, Schumacher avisou a Mercedes que tinha um problema mecânico em seu W03. De imediato, o heptacampeão, principal nome do sábado em Mônaco, perdeu rendimento e logo começou a se arrastar na pista, despencando na classificação. Além de ter sido superado por um ótimo Vergne, que homenageou Jean Alesi neste fim de semana, Michael foi ultrapassado com extrema facilidade por Di Resta e Hülkenberg. Na volta 65, o heptacampeão abandonou.

Se por um lado a Mercedes lamentava o fim precoce da corrida de Schumacher, por outro a equipe começou a se animar com a aproximação de Rosberg da liderança. Webber começou a perder terreno volta a volta e o reflexo do carro de Nico era cada vez maior no retrovisor da Red Bull de número 2. E para colocar ainda mais emoção em uma corrida até então monótona, a chuva, ainda que discretamente, começou a se fazer presente pra valer no circuito monegasco. Fim de corrida emocionante no Principado.

Acreditando em chuva mais intensa nas últimas voltas em Mônaco, a Toro Rosso colocou em risco os pontos de Vergne e chamou o francês para realizar a troca de pneus para os compostos intermediários. Jean-Éric voltou em 11º, logo à frente Kovalainen, que pilotava com bravura para manter a Caterham em 12º. O finlandês protagonizou duelos polêmicos com Button, que rodou na saída do S da Piscina, e Pérez, que escapou na saída da Sainte Dévote.

A tática da Toro Rosso se mostrou desastrosa na sequência da corrida, já que a chuva não veio. O gaulês perdeu a chance de conquistar o melhor resultado de sua carreira e proporcionou a Senna a chance de pontuar na pista onde seu tio, Ayrton, venceu por seis vezes na F1.

Webber recebe a bandeirada em Monte Carlo (Foto: Red Bull/Getty Images)

 

Por mais que Rosberg se esforçasse para se aproximar de Webber, era praticamente impossível ultrapassar o australiano, dadas as características peculiares de Mônaco. O veterano da Red Bull resistiu até o fim da corrida e triunfou no Principado. Foi a sua oitava vitória na carreira, a segunda nas ruas de Monte Carlo. A conquista do oceânico entrou para a história por ser a primeira vez em 61 anos de F1 que seis pilotos diferentes venceram as seis primeiras corridas de um Mundial. E logo Webber, que criticou o fato de a categoria ter tantos vencedores diferentes neste ano.

Rosberg chegou ao pódio pela segunda vez em 2012 e Alonso completou o top-3. Quarto lugar para Vettel, que aproveitou a boa tática da Red Bull para finalizar à frente de Hamilton, que segue devendo no campeonato, chegando só em quinto. Menção especial a Massa, que teve, disparado, sua melhor corrida em 2012. Competitivo em todo o fim de semana, Felipe garantiu o sexto lugar, seu melhor resultado na temporada, o que certamente lhe dará mais confiança para a sequência do campeonato.

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Enquete: após 6 provas e 6 vencedores diferentes, quem é favorito ao título?

Webber vai à vice-liderança do Mundial, empatado com Vettel (Foto: Red Bull/Getty Images)

 

F1, GP de Mônaco, Monte Carlo, final:

Paradas
1
Mark WEBBER
AUS
Red Bull Renault
1:46:06.557
78 voltas
1
2
Nico ROSBERG
ALE
Mercedes
+0.643
1
3
Fernando ALONSO
ESP
Ferrari
+0.947
1
4
Sebastian VETTEL
ALE
Red Bull Renault
+1.343
1
5
Lewis HAMILTON
ING
McLaren Mercedes
+4.101
1
6
Felipe MASSA
BRA
Ferrari
+6.195
1
7
Paul DI RESTA
ESC
Force India Mercedes
+41.537
1
8
Nico HÜLKENBERG
ALE
Force India Mercedes
+42.562
1
9
Kimi RÄIKKÖNEN
FIN
Lotus Renault
+44.036
1
10
Bruno SENNA
BRA
Williams Renault
+44.516
1
11
Sergio PÉREZ
MEX
Sauber Ferrari
+1 volta
2
12
Jean-Éric VERGNE
FRA
Toro Rosso Ferrari
+1 volta
2
13
Heikki KOVALAINEN
FIN
Caterham Renault
+1 volta
2
14
Grande Prêmio Notícias
Fonte Grande Prêmio Notícias 27/05/2012 ás 12h

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