Universidade e setor produtivo: ciência, tecnologia e inovação a serviço do país

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 31/05/2012 às 21h
Seminário na Capes reúne pesquisadores e empresários da área de biotecnologia

As competências instaladas nas universidades devem estar atentas às demandas do setor produtivo, estruturando ambientes de inovação e protegendo os conhecimentos adquiridos. Esse foi um dos eixos da discussão entre coordenadores de programas de pós-graduação da área de biotecnologia e empresários da bioindústria, em simpósio realizado na sede da Capes, em Brasília, nos dias 30 e 31 de maio.
A pesquisadora e professora da UnB, Lídia Pepe, e pesquisadora do Departamento de Biologia Celular, afirma que a universidade está avançando na aproximação com o mercado: “o Centro de Biotecnologia (C-Biotech) abreviará essa lacuna, pois será um espaço no qual a UnB irá transferir conhecimento e dispor dos produtos que gera, atraindo, ainda, a atenção das empresas”. Outra iniciativa foi a criação do curso de doutorado em Biotecnologia, a ser iniciado já no segundo semestre desse ano. A graduação na mesma área foi constituída no início de 2011.
Para Lídia, o pesquisador deve ser formado para ser um empreendedor. “Em um mundo competitivo e globalizado, inovar é fundamental. É grande a demanda por profissionais em biotecnologia, já que as empresas brasileiras não têm a tradição de investir em inovação, restando para a universidade o seu papel primordial, o de fomentar ideias e pesquisas”, destacou.
A expansão dos programas de pós-graduação em biotecnologia em todo país ilustra como essas pesquisas têm sido consideradas estratégicas para um mercado cada vez mais competitivo e exigente. A avaliação é da coordenadora da Área de Biotecnologia da Capes, Maria Fátima Grossi de Sá, ao expor que em 2008 havia 21 programas e hoje são 40. “Precisamos inovar tecnologicamente e consequentemente produzir mais patentes, além de induzir o empreendedorismo na academia", disse.
A coordenadora ressaltou ainda como fatores indispensáveis ao trabalho conjunto academia-empresa o treinamento dos estudantes com foco em inovação, a indução de cursos de mestrado profissional e a concessão de bolsas nessas áreas estratégicas. Em relação aos investimentos privados, Grossi apontou a importância da divulgação de incentivos e benefícios fiscais relacionados ao financiamento de P&D, bem como a atração desses investimentos no Brasil. "É necessário que tenhamos conhecimento do mercado nacional e internacional para assim priorizar produtos que sejam competitivos para o Brasil", complementou.
Para o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, a aproximação entre a academia e empresa fortalece áreas em que o país ainda precisa ser mais expressivo, como a de patentes. "É preciso rever a lei de patentes no sentido de torná-la facilitadora, sobretudo para a área de biotecnologia, um dos campos com maior potencial de desenvolvimento de patentes", defendeu.
A diretora executiva da FarmaBrasil, Adriana Diaféria, representou o setor das bioindústrias brasileiras apresentando o panorama das empresas de biotecnologia no país. Ressaltou a necessidade de clareza e agilidade no processo regulatório, bem como a discussão sobre o acesso à biodiversidade e o aperfeiçoamento da interação universidade-empresa. Aproveitou também para citar o programa governamental Ciência sem Fronteiras como uma das formas de suprir a lacuna de profissionais qualificados em da biotecnologia.
Por parte da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig) e Universidade Federal de Viçosa, a professora Elza Fernandes de Araújo expôs iniciativas regionais que mostram parcerias bem sucedidas entre academia e empresa. “Nossa experiência mostra que é possível ampliar o papel das universidades e instituições de pesquisa no desenvolvimento econômico e social por meio de suas políticas de propriedade intelectual e de inovação”. Advertiu, porém, que a pesquisa deve ser protegida, antes de se convertida em inovação, defendendo protocolos a serem adotados nas universidades, como contratos de autores e inventores e cláusulas de sigilo de propriedade intelectual. Outro ponto que destacou foi a necessidade de o estudante, antes de ingressar em programas de pós-graduação, conferir se seu projeto de pesquisa não consta já nos bancos de patentes, “pois não há sentido investir no que já foi produzido”.

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 31/05/2012 ás 21h

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