União Europeia cumpre 60% da meta de energia renovável fixada para 2020

Fonte Imprensa Unicamp 13/04/2013 às 9h

Países começam a reduzir estímulos econômicos para adoção de fontes como a solar

Reprodução
AAE publicou também estudo sobre aproveitamento do lixo

Relatório divulgado no fim de março pela Agência Ambiental Europeia (AAE) indica que os 27 países do bloco já satisfaziam, em 2010, 12,5% de seu consumo interno de energia com fontes renováveis. A meta da União Europeia é chegar a 20% até 2020. Os dados atuais indicam que 60% desse objetivo foi atingido.
A aplicação de fontes renováveis é maior no setor de geração elétrica (19,6%), e menor no de combustível para transporte (4,7%). Em 2005, a participação total de renováveis na matriz europeia era de 8,5%.


A adoção de biocombustíveis no bloco europeu sofreu desaceleração, constata o relatório, e ficou abaixo da meta fixada em 2003, que era de 5,75% até 2010. A Alemanha continua a ser o maior consumidor de biocombustíveis da UE, representando 22% de todo o consumo no bloco, mas o volume usado pelos alemães caiu fortemente entre 2006 e 2008 (redução de 26% no período) com recuperação apenas parcial, de 15%, no biênio seguinte, “principalmente por causa de mudanças de políticas de apoio”, informa a AAE.


No ano passado, a Academia Nacional de Ciências da Alemanha publicara um estudo indicando que os benefícios sociais e ambientais dos biocombustíveis eram exagerados, e que a melhor alternativa para o transporte seria o hidrogênio. O trabalho veio a se somar a outras manifestações críticas ao uso, na Europa, de combustíveis de base orgânica, com base em considerações éticas e ambientais.


“Para a UE como um todo, o futuro do consumo de biocombustíveis dependerá de mudanças de política, mas também de fatores externos, como a elevação do preço do petróleo e a disponibilidade global de biocombustível”, afirma a AAE.


O uso de fontes renováveis na geração elétrica, por sua vez, cresce mais nos países europeus que não integram da UE do que nos 27 membros do bloco, principalmente, diz o relatório, por conta do uso de hidroeletricidade na Noruega, país que tem 61% de sua energia gerada por fontes consideradas renováveis. Dentro do bloco, a geração elétrica renovável varia bastante, indo de 1,5% em Malta a 65,5% na Áustria.


A maioria dos países europeus oferece incentivos financeiros ou fiscais para estimular a doção de fontes renováveis, principalmente entre os usuários domésticos, mas o relatório indica que essa oferta de subsídios vem diminuindo em vários países, como Reino Unido, Espanha, Itália, França e Alemanha. O trabalho destaca que a Espanha suspendeu temporariamente seus incentivos fiscais para energia solar.


Além de geração elétrica e combustível para transporte, a UE também computa o uso de fontes renováveis para geração de calor. A participação renovável chegou a 14% do consumo total de calor, com um aumento, entre 1990 e 2010, de 65% no setor industrial e de 76% em outros setores, como uso doméstico e serviços. Suécia, Finlândia e Alemanha respondem por cerca de 50% do consumo de calor renovável no bloco.

 

Lixo

 

Também em março, a AAE publicou um relatório sobre a reciclagem de lixo recolhido nas cidades da União Europeia. A taxa global de reciclagem de lixo doméstico já chega a 35%, mas a agência aponta que muitos países terão dificuldade em cumprir a meta de 50% de reciclagem até 2020. Áustria (63%), Holanda (51%), Bélgica (58%) e Alemanha (62%) já superaram essa meta, mas vários outros países ainda estão longe dela, como Reino Unido (39%) e Portugal (cerca de 20%).


O relatório nota que o aumento na reciclagem é provocado, principalmente, pelo crescimento da separação e reaproveitamento de materiais como vidro, metais, plásticos e papel. Em contraste, o reaproveitamento de material biológico ficou para trás, com apenas um país, Espanha, aumentando sua taxa de reaproveitamento desses detritos em mais de 10% no período 2001-2010.


O levantamento da AAE chama a tenção para o fato de que, embora a reciclagem esteja aumentando, a prevenção – medida em termos da queda do volume de lixo produzido – não tem obtido o mesmo sucesso. De todos os 32 países avaliados (os 27 membros da UE, mais Noruega, Suíça, Turquia, Croácia e Islândia), apenas dez obtiveram redução na quantidade de lixo urbano per capita produzido, entre 2001 e 2010.

 

Imprensa Unicamp
Fonte Imprensa Unicamp 13/04/2013 ás 9h

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