Trabalhar à distância é uma tendência

Fonte Compliance Comunicação 12/03/2013 às 11h

* Susana Falchi

A recente notícia de que, o Yahoo, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo decidiu acabar com o home office gerou polêmica, ainda mais quando a tendência verificada é exatamente contrária: cada vez mais as empresas estão optando por formas alternativas de trabalho. Algumas projeções de especialistas chegam a dar conta de que o emprego vai desaparecer na forma como conhecemos hoje e isso não é de se estranhar.

A decisão da vice-presidente do Yahoo, Marissa Mayer, é contraria a todas as tendências de gestão de pessoas. Ao invés de simplesmente acabar com o trabalho à distância, os questionamentos deveriam ser diferentes: o modelo de gestão do trabalho em home office está sendo eficiente? A organização sabe desmembrar projetos e distribuir tarefas mundo afora? A tecnologia utilizada auxiliava nos controles necessários para gestão de qualquer tipo de trabalho?

O avanço na forma de trabalho fez com que este deixasse de ser físico para se tornar mais intangível, mais tecnológico e mais intelectualizado. As empresas hoje estão menos dependentes de hierarquias, mas exigem um alto nível de especialidade e educação, além de serem dominadas pela classe criativa. O foco está nos serviços agregados o que torna o trabalho mais dependente do conhecimento do que da presença física do funcionário.

Acredito que as formas alternativas de trabalho, como novos vínculos, atuação por projeto, part time, home office, trabalhos sob demanda, devem ganhar peso no mercado. Tais alternativas trazem alguns ganhos empresariais como: redução de custo de folha de pagamento, espaço físico e redução do tempo gerencial. A tendência verificada nos países desenvolvidos é de que 70% do quadro de pessoal estejam atuando em home office até 2015. A Telus, por exemplo, uma importante empresa de Telecomunicações do Canadá, calcula que somente 30% do seu pessoal trabalharão em tempo integral em instalações da empresa ao longo dos próximos anos.

No Brasil, o home office já é empregado por mais de 50% das empresas de grande porte. O percentual não é surpreendente, pois para algumas atividades criativas e intelectualizadas, estar presente fisicamente deixa de ser necessário. Ao contrário, a atividade pode ser mais produtiva sendo realizada de qualquer outro lugar. Outro ganho consiste na melhor a qualidade de vida dos empregados. A chamada Geração Y aceita ou rejeita propostas de emprego baseando-se muito no quanto será capaz de conciliar a vida profissional com a vida pessoal, o que torna o modelo de trabalho remoto mais atrativo.

Quando você estabelece a cultura de home office em uma empresa, precisa estar preparado para administrar esse trabalho. Isso significa ter planilhas de controles de entrega, uma estrutura de metas bem estabelecida e um sistema de consequências maduro e condizente com o que foi acordado com o funcionário. Com um modelo consistente, é possível obter resultados muito bons. A tecnologia está a favor das empresas. Hoje em dia é possível saber quanto um funcionário trabalhou vendo quantas horas ele ficou conectado na rede da empresa, sem contar a possibilidade de fazer conference calls e usar o Skype.

* Susana Falchi, é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos. Com quase 20 anos de experiência na área, a executiva foi convidada a integrar o Comitê de RH do IBGC, após fazer o curso de formação para conselheiros. Ela atua como executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. É administradora de Empresas com MBA em RH pela FEA/USP.

 
 
 
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Fonte Compliance Comunicação 12/03/2013 ás 11h

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