Torre de monitoramento começa a ser construída na Amazônia

Fonte Inpa 19/08/2014 às 12h
Encontra-se em construção a torre Atto (Amazon Tall Tower Observatory), ou Observatório de Torre Alta da Amazônia, localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã (AM). A iniciativa é uma cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Instituto Max Planck, da Alemanha, e a estrutura será a maior do gênero para monitoramento da América do Sul.

A empresa responsável pela construção da torre é a San Soluções Empresariais, do Paraná, que venceu a licitação para a construção da torre. O representante da empresa Sérgio Alves do Nascimento relata os desafios tecnológicos logísticos de uma obra dessa magnitude na região amazônica.

"Em média as estruturas que fazemos estão entre 50 e 150 metros e nós vamos entregar no final do ano uma estrutura de 325 metros no meio da floresta amazônica. Mas para isso tivemos que vencer uma logística impressionante, pois tivemos que trazer as peças da torre por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã. Fora isso, tivemos também as dificuldades de transporte dentro da reserva, pois a estrada estava intrafegável por conta da chuva", conta.

De acordo com os pesquisadores envolvidos, a torre irá fornecer informações fundamentais para os avanços das pesquisas sobre as mudanças do clima. Para o diretor do Inpa, Luiz Renato de França, os benefícios das pesquisas geradas não serão apenas regionais, mas também globais.

"Só podemos melhorar uma região a partir do conhecimento que temos dela. Esta torre irá gerar dados que permitirão um conhecimento maior sobre Amazônia, e logo os benefícios chegarão para a população. Mas esses ganhos transcendem a Amazônia, pois, com as pesquisas relacionadas com as mudanças climáticas globais, o mundo todo se beneficiará das informações adquiridas", disse o diretor.

Escopo ampliado

O coordenador da parte brasileira, o pesquisador do Inpa Antonio Manzi, conta que a ideia inicial da construção veio do Instituto Max Planck, que já construiu uma torre de monitoramento na Sibéria, com 300 metros. Mas, segundo ele, o Brasil propôs ampliação das áreas de pesquisas de ponta, como na área de química da atmosfera (para medir trocas gasosas, aerossóis e reações químicas), na área de física de nuvens (formação de chuvas) e na área de processos de transporte de energia e matéria (entre a floresta e a atmosfera).

"Outra linha de pesquisa que conseguimos inserir, com a utilização da torre Atto, foi a de observação direta da dinâmica dos ecossistemas de floresta de terra firme. Pretendemos, em longo prazo, medir os efeitos das mudanças climáticas globais na região amazônica, por meio das medições das interações entre a atmosfera e a biosfera. Com isso, a torre se tornará referência mundial em pesquisas sobre florestas tropicais úmidas", comentou.

Ainda de acordo com o pesquisador, quatro torres de 80 metros serão construídas ao redor da torre Atto para auxiliar a medição dos seus dados. "Estamos contando que a torre funcione sem parar durante uns 20, 30 anos", informa Manzi.

O investimento da cooperação científica entre Brasil e Alemanha foi de R$ 7,5 milhões para a construção da torre Atto, que faz parte do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), do Inpa. A previsão é que seja entregue no fim de novembro.

Inpa
Fonte Inpa 19/08/2014 ás 12h

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