Tese da Fisioterapia investiga estratégias para evitar quedas de mulheres com baixa densidade óssea

Fonte UFMG 18/08/2014 às 10h
Respaldada pela premissa de que cerca de 90% das mulheres na pós-menopausa, vítimas de fraturas decorrentes de queda, sofrem de distúrbios relacionados à baixa densidade óssea – osteopenia ou osteoporose –, a fisioterapeuta Patrícia Azevedo Garcia desenvolveu estudo para avaliar a melhor forma de identificar previamente as que têm maior chance de sofrer quedas.

Esse rastreamento torna mais eficaz o encaminhamento para intervenções terapêuticas específicas, como treino de equilíbrio e fortalecimento, ou para programas de orientação sobre o ambiente e exercícios físicos em geral.

Estima-se que existam 5,5 milhões de brasileiros com osteoporose, mulheres em sua maioria. “Infelizmente, não é viável orientar ou encaminhar todas para intervenção. Por isso, é importante dar maior atenção àquelas com risco aumentado de cair”, explica Patrícia Garcia, professora da Universidade de Brasília (UnB), autora de tese de doutorado sobre o assunto, defendida em maio, no Programa de Pós-graduação em Ciências da Reabilitação da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG.

Questionários e exames físicos foram aplicados em 116 idosas com osteopenia ou osteoporose que participam de programas de atenção à saúde do idoso da Secretaria de Saúde de Ceilândia, no Distrito Federal (DF). Em seguida, elas passaram a ser monitoradas mensalmente por telefone. O acompanhamento, feito durante um ano, possibilitou identificar a ocorrência de novos casos de queda.

“A osteopenia e a osteoporose são mais prevalentes em mulheres pós-menopausa. Por isso, a investigação foi específica para essa população”, esclarece a doutora.

Diagnosticada pelo exame de densitometria óssea, a osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição da densidade e da resistência dos ossos do corpo, levando ao aumento do risco de fraturas. Já a osteopenia, precursora da osteoporose, funciona como um alerta que indica o início não patológico da diminuição da massa óssea.

Ferramentas recomendadas
Conforme detalha a autora da tese, a queda é um evento provocado por múltiplos fatores, classificados em intrínsecos ou extrínsecos. Os primeiros são inerentes ao indivíduo e podem ter relação com doenças crônico-degenerativas, além de variáveis como mobilidade, equilíbrio corporal e força dos membros.

Os determinantes extrínsecos, por sua vez, dizem respeito ao uso de medicamentos e aos fatores ambientais que concorrem para a predisposição às quedas, como tapetes, má iluminação, piso escorregadio, excesso de móveis, objetos em alturas impróprias e fios espalhados pela casa.

Considerando essas possibilidades e após testar instrumentos de naturezas diversas, Patrícia Garcia concluiu que três são as ferramentas recomendadas para selecionar as mulheres com risco de cair. A primeira, e mais simples, é o autorrelato de quedas. “Se a idosa relatou que caiu nos últimos doze meses, há uma chance significativa de que isso aconteça novamente no futuro”, aponta Patrícia.

Ainda na esfera clínica, a pesquisadora comprovou que a ferramenta QuickScreen (rastreamento rápido) é também eficiente preditora de quedas. Ela consiste em uma bateria de quesitos: histórico de quedas da paciente; uso contínuo de pelo menos quatro medicamentos; uso de remédio com ação no sistema nervoso central, além de cinco testes: de estabilidade lateral (toque alternado dos pés em um degrau), de sensibilidade nas extremidades dos membros, de acuidade visual, de agilidade ao levantar e sentar e de equilíbrio quando os pés estão alinhados um na frente do outro. “Se a paciente for reprovada em dois desses oito quesitos, é considerada propensa a sofrer queda”, resume Patrícia Garcia.

A terceira e mais confiável ferramenta ratificada na pesquisa é a plataforma de equilíbrio. Para o estudo, foi utilizada a Balance System, do laboratório da UnB, disponibilizado para a avaliação das idosas. “Sua plataforma circular, sobre a qual o indivíduo deve se equilibrar em pé, é composta por molas com diferentes resistências que permitem oscilações em todas as direções”, informa a pesquisadora.

O equipamento [foto / acervo da pesquisa] mede o nível de movimento da paciente, que não deve ultrapassar quatro graus. Segundo Patrícia Garcia, 70% das idosas que caíram duas ou mais vezes durante o período de monitoramento oscilaram mais de quatro graus na plataforma, que fornece medida de fácil e rápida aplicação e ocupa pouco espaço físico.

Há, no entanto, um inconveniente: o alto custo de aquisição, superior a R$ 50 mil, o que dificulta seu uso na prática. Por isso, no Brasil, só é encontrada em centros de reabilitação e universidades.

Tese: Fatores de risco e ferramentas clínico-funcionais de rastreio de risco de quedas em idosas com baixa densidade óssea: um estudo longitudinal
Autora: Patrícia Azevedo Garcia
Orientador: João Marcos Domingues Dias (EEFFTO/UFMG)
Co-orientador: Rosângela Corrêa Dias (EEFFTO/UFMG)
Data da defesa: 23 de maio de 2014
UFMG
Fonte UFMG 18/08/2014 ás 10h

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