Tecnologia e fertilidade do solo garantem sucesso do agronegócio em Mato Grosso do Sul

Fonte Agência Brasil 19/11/2009 às 0h
O agronegócio dos grandes latifúndios no sudoeste de Mato Grosso do Sul é responsável por cerca de 70% da economia regional, já que boa parte do comércio também gira em torno do setor.

De plantações de soja, somente no município de Dourados, há 140 mil hectares de lavoura altamente produtiva, com média de 55 a 60 sacas por hectare, que representam um volume de negócios de R$ 300 milhões anuais.

Em Dourados há também produção de milho safrinha no inverno – 100 mil hectares -, nas mesmas áreas em que se planta soja no verão. Outra cultura de destaque é o trigo, além dos rebanhos bovinos, que podem ser vistos durante as viagens pelas rodovias num cenário absolutamente plano. Um dos setores em ascensão é o sucroalcooleiro – 24 mil hectares são destinados à plantação de cana-de-açúcar.

O sucesso financeiro é garantido pelas condições naturais favoráveis da terra vermelha e pelo investimento constante em tecnologia. Um hectare de terra na região está avaliado em R$ 20 mil.

“Hoje trabalhamos com agricultura de precisão. Todo o solo é mapeado e cada pedaço é corrigido de acordo com o que ele precisa. Quando se faz a colheita, se sabe o que cada área produziu e se busca uniformizar. Na pecuária temos a parte de fertilidade embrionária. Estamos fazendo cruzamento de animais para melhorar a precocidade”, descreveu o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli.

O produtor rural César Dierings, gaúcho e filho de colonizadores, tem com a família 2 mil hectares de lavoura em Dourados. Membro da diretoria do Sindicato Rural local, ele ressaltou que o bom desempenho do agronegócio no município é fruto de um processo iniciado há várias décadas.

“A partir do final da década de 60 houve o boom da agropecuária na região, com a chegada de gaúchos, paranaenses, paulistas e mineiros. A região de Dourados se desenvolveu de forma sólida e a terra hoje é altamente produtiva, com muita tecnologia, se tornou um celeiro do país. De uns anos para cá, cresceram a avicultura, a suinocultura, o setor sucroalcooleiro e tem três fábricas de adubo se instalando”, destacou Dierings.

O Sindicato Rural avalia que o agronegócio poderia ter um resultado ainda melhor se a Fundação Nacional do Índio (Funai) não tivesse publicado portarias prevendo estudos técnicos para identificação de áreas indígenas na região.

“Quando a Funai lançou portaria de maneira irresponsável, havia a perspectiva de a Perdigão se instalar aqui e montar um frigorífico bovino. Eram grandes empresas chegando. Hoje, já não se fala mais em venda de terras, porque todo mundo tem medo de investir aqui.”

A prosperidade da atividade é outro argumento para que os fazendeiros não gostem da ideia de que parte das terras particulares seja desapropriada para os índios. Para os produtos, muitos problemas enfrentados pelos indígenas se devem à ineficiência dos órgãos oficiais.

“A Funai é inoperante, deixa os índios passando fome, mas ainda é apoiada pelo MPF [Ministério Público Federal], que defende abertamente a anarquia e a bagunça no estado”, criticou o pecuarista Gino José Ferreira.

Segundo o produtor César Dierings, mesmo sendo uma prática proibida, alguns índios arrendavam parte de suas terras para produtores rurais. Para ele, isso demonstra a incapacidade da Funai de estimular uma atividade agrícola nas reservas.

“A Funai não tem capacidade de fazer com que os índios produzam e só alguns deles têm aptidão agrícola. Então só dar terra a eles não vai resolver”, disse Dierings.

Os agricultores acreditam que o caminho para uma redução da desigualdade social na região passa obrigatoriamente pela maior integração do índio à sociedade, com todas as perdas culturais que isso possa acarretar.

“Se quer que o índio viva numa condição que todo mundo merece, tem que deixar de lado a pressão das ONGs [organizações não governamentais] e a cultura dos índios, trazê-lo para a sociedade, inseri-lo no mercado de trabalho e dar a ele deveres e obrigações”, defendeu Zeuli.
Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 19/11/2009 ás 0h

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