Tecnologia beneficia viveiros de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica no Nordeste

Fonte Serviço Florestal Brasileiro 28/05/2013 às 20h

 


Árvores matrizes foram selecionadas e georreferenciadas com o uso de GPS, o que facilitará o planejamento e a eficiência na coleta de sementes de espécies nativas pelas equipes dos viveiros beneficiários pelo FNDF. Neste 27/05, comemora-se o Dia da Mata Atlântica


O Viveiro Municipal de João Pessoa, na Paraíba, produz mudas de aproximadamente 100 espécies nativas da Mata Atlântica, que são usadas na restauração de matas ciliares, áreas degradadas e principalmente para arborização urbana do município. Este ano, a equipe do viveiro iniciou a utilização de GPS para georreferenciar as árvores matrizes que têm a função de disponibilizar sementes, o que facilitará o alcance da meta da instituição de produzir 40 mil mudas até o final do ano.

A aplicação dessa tecnologia na rotina diária da equipe de coleta dos viveiros foi um dos resultados do apoio do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), via Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), a três viveiros da região Nordeste com o objetivo de fortalecer a produção de mudas nativas para restauração da Mata Atlântica. Assim como nos demais estados pelos quais o bioma se distribui, os remanescentes florestais no Nordeste são baixos. Variam de 8% a 16%, aproximadamente, conforme a unidade da federação.

Para trazer sua contribuição à alteração desse cenário, o FNDF proveu assistência técnica florestal durante os últimos meses a cinco instituições que tiveram projetos selecionados por meio de uma chamada pública do Fundo. Além do Viveiro Municipal de João Pessoa (PB), o Viveiro da Fundação Pró-Tamar, em Fernando de Noronha (PE), o Viveiro da Agrovila Panorama, em Medeiros Neto (BA), o Viveiro da Herbfértil Soluções Ambientais, em Ribeirão (PE) e Viveiro do Serviço Pastoral dos Migrantes, em Bayeux (PB) também foram beneficiados.

Cada viveiro passou por diagnóstico participativo, que mostrou os pontos frágeis e direcionou as atividades de assistência técnica para suas necessidades específicas. Segundo a engenheira florestal da Unidade Regional Nordeste do SFB, Ana Paula Melo, o apoio do FNDF contribuiu na implantação de práticas inovadoras para melhorar o processo de produção de mudas pelos viveiros beneficiários. “As equipes dos viveiros aprenderam a operar o equipamento GPS, a georreferenciar árvores matrizes e a realizar corretamente o armazenamento das sementes”, diz. “Além disso, foram adquiridos microaspersores e demais equipamentos para a irrigação das mudas. Também foram restabelecidas antigas parcerias e firmadas novas com empresas demandantes de mudas de espécies nativas, especificamente para o viveiro da Agrovila Panorama, BA”, completa a engenheira.

Informatização
O banco de dados informatizado sobre a localização das árvores-matrizes facilitará ao Viveiro Municipal de João Pessoa o planejamento de coleta das sementes na época mais favorável. A instituição passou a avaliar o controle de custo de produção das mudas – ainda que não exerça atividade com fins lucrativos –, regularizou a situação do cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem/MAPA), firmou parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/PB) para a realização de cursos para funcionários e formulou um plano de palestras e visitação em escolas.

Já no Viveiro Pró-Tamar, em Fernando de Noronha (PE), o apoio do FNDF contribuiu para que a entidade recebesse orientações sobre como armazenar adequadamente as sementes coletadas e realizar o controle de temperatura e umidade para manter o vigor e o aproveitamento delas. Entre as atividades adotadas pelo viveiro durante a assistência técnica está a implantação do sistema de irrigação das mudas por microaspersão, reduzindo o consumo de água e otimizando a utilização de mão de obra. Foram adotadas ainda medidas fitossanitárias para evitar a contaminação das mudas por pragas e doenças.

O Viveiro da Agrovila Panorama, situado no município de Medeiros Neto, no sul da Bahia, produz mudas para a restauração florestal da região. O apoio do FNDF abrangeu desde a procura por parceiros, para retomar a viabilidade econômica e permitir o funcionamento à plena capacidade, quanto a gestão do negócio, envolvendo a adoção de meios de pagamentos mais seguros e ágeis. A equipe técnica também recebeu capacitação para operar GPS, armazenar adequadamente as sementes coletadas e utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Após o encerramento da assistência técnica, de até 60 horas para cada viveiro, três representantes de cada um deles participaram de um encontro de intercâmbio, realizado nas instalações da Floresta Nacional de Nísia Floresta (RN), em abril, onde puderam trocar experiências entre si.

Para a coordenadora do Viveiro Municipal de João Pessoa, Aline Medeiros, é possível observar um futuro promissor para os viveiristas, “desde que a legislação vigente se faça valer”, principalmente quando se fala de compensação ambiental. Os benefícios, diz, se estenderão a outras gerações.

Serviço Florestal Brasileiro
Fonte Serviço Florestal Brasileiro 28/05/2013 ás 20h

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